Música – Álbuns essenciais (janeiro 2022)

A primeira seleção de 2022 está aí e já temos um forte candidato a álbum do ano!

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No meio de algumas revelações interessantes, foi uma estrela global quem mais brilhou.
Favoritismo à parte (FKA Twigs), nota para o álbum de regresso de Earl Sweatshirt, que vai estar presente no Primavera Sound; o segundo álbum da australiana Grace Cummings, quem tem para mim uma das melhores músicas de janeiro, e para o álbum de estreia dos genuínos Yard Act.

[50 melhores álbuns de 2021]

Amber Mark – Three Dimensions Deep

amber mark three dimensions deep

Género: R&B/Alternative-R&B

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Foram alguns anos em desenvolvimento e de maturação até lançar o primeiro álbum oficial, mas pode-se dizer que a espera compensou.

Apesar de não ser um álbum brilhante, e embora peque por algumas redundâncias, tem faixas que valem realmente a pena pela energia e inventividade.

Amber Mark, que já havia constado no meu top 100 de 2018 com “Love Me Right”, em 2022 tem uma oportunidade real de repetir a façanha.

Classificação do álbum: ★★★½

Músicas a ouvir:
> What It Is
> Bubbles
> Softly
> Foreign Things
> Worth It

Anaïs Mitchell – Anaïs Mitchell

Anais Mitchell Anais Mitchell Critica

Género: Indie Folk/Chamber Folk

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A arte de produzir música harmoniosa e melódica. Depois de alguns anos de carreira, que arrancou com um álbum de estreia surpreendente que veio desafiar o género de uma ponta à outra (Young Man in America), Anaïs Mitchell regressa com um trabalho que volta a dar bom nome à sua capacidade de escrita, com carinho e alma.

Ao longo destas 10 faixas, carregadas de emoção, difícil é não ficar cativado com este álbum, que chega a ser apaixonante.

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:
> Brooklyn Bridge
> Bright Star
> On Your Way (Felix Song)
> Little Big Girl

Aurora – The Gods We Can Touch

aurora the gods we can touch

Género: Electropop/Nordic Folk

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Aurora já tinha provado ter algo especial com trabalhos passados que se suportam em sonoridades escandinavas, de onde é originária (mais concretamente da Noruega). Porém, é com The Gods We Can Touch que a artista de 25 anos se assume como um caso sério na música.

De acordo com o nome do álbum estão os temas líricos de cada música, fortemente associados com a mitologia grega. Já as melodias são, na sua generalidade, pesadas e obscuras, mas algo encantadoras. Tudo isto pautado por um trabalho vocal muito distinto e poderoso.

Outra particularidade deste álbum são faixas como “Temporary High”, que pega numa sonoridade mais vintage, e “Cure For Me”, com arranjos mais festivos, e que, mesmo destoando do resto das músicas, têm o seu encanto e mostram a versatilidade da artista.

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:
> Giving In To The Love
> Cure For Me
> Exist For Love
> A Temporary High
> This Could Be A Dream

Bonobo – Fragments

Bonobo Fragments

Género: Downtempo/House

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Sem querer subvalorizar este álbum, que apresenta consistência, sinto que preciso de colocar os pontos nos “i’s” e fazer a observação que poucos se atrevem: para além de “Otomo”, não houve grandes riscos por parte do produtor britânico ao longo de quase uma hora de música.

A linha condutora das faixas tem qualidade, tanta que, no verão de 2022, muitos bares de praia podem poupar nos DJ’s para os sunsets. Basta meter este Fragments a rodar duas vezes e a malta nem nota. Contudo, as faixas são compostas por melodias tão homogéneas que é difícil enaltecer as que ficam no ouvido.

Em todo o caso, não deixa de ser um bom álbum cheio de elementos pulverizadores de aesthetics que prezam o relaxamento!

Classificação do álbum: ★★★½

Músicas a ouvir:
> Shadows (ft. Jordan Rakei)
> Rosewood
> Otomo (ft. O’Flynn)

Cordae – From A Birds Eye

Cordae From A Birds Eye

Género: Rap/East Coas Hip-Hop

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Cordae está a tomar de assalto o panorama rap com beats e loops que perpetuam uma reencarnação daquele flow vintage, enquanto se diverte a fazê-lo.

É possível constatar que ainda falta alguma maturação a nível lírico no geral e identidade, no entanto, “Mamma’s Hood” confere vislumbres do que está para vir deste jovem rapper de 24 anos. Mesmo tendo em conta as suas debilidades, temos aqui um álbum extremamente aprazível, que julgo conseguir cativar até mesmo quem não adora o género.

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:

> Super
> Mamma’s Hood
> Today (ft. Gunna)
> C Carter

Earl Sweatshirt – Sick

Earl Sweatshirt Sick

Género: Hip-Hop/Rap

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Rap sóbrio, puro e consciente do valor que tem. Mais um trabalho de qualidade exímia por parte de Earl Sweatshirt, que há muito que está ciente do seu potencial e valor.

Earl Sweatshirt chamou a este álbum “uma oferta humilde de 10 faixas gravadas na sequência da pandemia mundial e os sucessivos confinamentos”, enquanto o rapper se debruçou sobre o caos da crescente raiva e agitação a nível mundial.

O melhor deste novo trabalho de Earl Sweatshirt? É que vamos ter a oportunidade de assistir à exposição desta poesia ao vivo e cores na edição de 2022 do NOS Primavera Sound, no Parque Cidade do Porto.

Classificação do álbum: ★★★★½

Músicas a ouvir:

> 2010
> Vision (ft. Zelooperz)
> Tabula Rasa (ft. Armand Hammer)
> Fire in the Hole

FKA Twigs – Caprisongs

FKA twigs Caprisongs 1

Género: Art-Pop/Avant-Pop

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O que dizer de FKA Twigs quando constatamos que este é o álbum menos bom da artista e, ainda assim, continua a ser um álbum “muito bom”?

Caprisongs é pautado por ser o trabalho menos experimental da artista britânica, soltando-se da eletrónica minimalista e aproximando-se do Art Pop com influências líricas vindas do R&B e Hip-Hop e sonoras oriundas do Trap, D&B, Dancehall e até Afrobeats.

Todavia, a força deste álbum acaba também por ser a sua fraqueza. Falo da iniciativa que Twigs teve em abrir portas, pela primeira vez, a colaborações que diversificaram em demasia o foco musical de Caprisongs. Curiosamente, as minhas músicas prediletas são as a solo, sendo que “oh my love” se destaca.

O que é certo é que este álbum cumpre com o prometido – ser um “going out” álbum.

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:

> ride the dragon
> tears in the club (ft. The Weeknd)
> oh my love
> lightbeamers
> jealousy (ft. rema)

Grace Cummings – Storm Queen

Grace Cummings Storm Queen

Género: Contemporary Folk/Blues

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40 minutos de revolta harmoniosa, num exercício musical arrebatador e assombroso que não está ao alcance de muitos músicos, até com as carreiras mais ilustres.

Grace Cummings não chamou Storm Queen ao seu segundo álbum por acaso. Storm Queen não é agradável, não é relaxante, não é aprazível. Em contrapartida, é violento, é indelicado, é conflituoso.

Independentemente do que possa definir o álbum, cuja sua orientação não vai agradar a muita gente, três coisas não lhe faltam: emoção, entrega e profundidade.

De salientar os instrumentais fenomenais ao longo do mesmo. E com isto deixo a nota para a faixa “Storm Queen”, só definida pela expressão: “já não se faz música desta” – com a particularidade de que de facto se faz, mesmo em 2022.

Classificação do álbum: ★★★★½

Músicas a ouvir:

> Heaven
> Up In Flames
> Storm Queen
> Fly a Kite

Jake Xerxes Fussell – Good and Green Again

Jake Xerxes Fussell Good and Green Again

Género: Folk/Country

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Arte de produzir algo novo, incorporando arranjos antigos que transportam um passado distante ao dia de hoje. Jake Xerxes Fussell já o fez em 2015, 2017, 2019 e agora repete o feito em 2022.

Muito do crédito de uma carreira em nome próprio que já começou tarde, mas que mais parece que este arranque cheio de maturidade já vem de décadas de dedicação à música. Dos anos que Fussell passou a aprender música junto aos mais velhos de Chattahoochee Valley. Do período de tempo em que foi aprendiz de Precious Bryant, considerada nos anos 60 como o tesouro musical do estado de Georgia, com quem gravou e andou em digressão. Ou até da fase em que fez parte de uma banda country composta por alunos como Jimmie Tarlton de Darby and Tarlton.

As peripécias foram muitas até ao lançamento do seu primeiro álbum a solo, mas todas elas contribuíram positivamente para este produto final, fruto de muito conhecimento de American Folk.

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:

> Love Farewell
> Breast of Glass
> Washington

Spector – Now Or Whenever

spector now or whenever

Género: Indie Rock/Pop Rock

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Uma década juntos e a maturidade musical continua a aumentar progressiva e continuamente. Não obstante, e apesar de Now or Whenever ser o trabalho mais sólido da banda até à data, ainda há um longo caminho a percorrer.

A música é cativante, mas a orientação e identidade musical é um bocado confusa e clichê.
Estou certo que, quando os Spector descobrirem a sua essência e se conseguirem aturar a sua composição musical, vai ser possível tirar sumo de um trabalho futuro.

Classificação do álbum: ★★★½

Músicas a ouvir:

> Catch You On The Way Back In
> Funny Way Of Showing It
> Bad Summer

The Weeknd – Dawn FM

The Weeknd Dawn FM

Género: Synth-Pop/Dance-Pop

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Dawn FM marca o alvorecer de um novo pico reluzente na carreira do músico canadiano (pun intended) e, ao fim de cinco álbuns e outras tantas Mixtapes e Extended Plays, consegue o álbum mais sólido da sua carreira.

É gratificante ver a sua evolução enquanto produtor e artista e perceber, ao fim de mais de uma década de aperfeiçoamento, o som que o caracteriza. E é precisamente sobre isto que o álbum se suporta, uma década composta por altos e baixos, tudo exposto a nú ao longo de mais de 50 minutos.

É certo que a maioria das melodias e sonoridades compostas têm como base muitos elementos da nostalgia passada, mas é admirável a forma como o artista os une, usa e faz funcionar em pleno ao longo do álbum.

Cada faixa tem o seu quê de brilhantismo e identidade, colocando a fasquia do género Pop bem lá em cima para o que falta de 2022. O mais triste no meio disto tudo é como este álbum faz uma grande parte das produções Pop lançadas ao longo dos últimos 2/3 anos um peso morto inconsequente.

Ainda é cedo para tirar conclusões, mas Dawn FM é, claramente, um forte candidato a álbum do ano em 2022.

Classificação do álbum: ★★★★★

Músicas a ouvir:

> Gasoline
> How Do I Make You Love Me
> Out Of Time
> Here We Go… Again (ft. Tyler, The Creator)
> Don’t Break My Heart
> Less Than Zero

Yard Act – The Overload

yard act the overload

Género: Post Punk/No Wave

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Quando ouço a música de abertura deste álbum, por algum motivo sou remetido automaticamente para a música “Fit But You Know It” dos The Streets, o que é um bom presságio, ainda que o resto de The Overload difira um pouco dela.

Em todo o caso, isto não tem qualquer influência na consistência na estreia dos Yard Act, banda proveniente de Leeds (UK), que faz jus ao Post-Punk anti-mainstream.

Incrível como elementos musicais que já foram usados antes vezes e vezes sem conta conseguem parecer únicos e frescos como sempre.

Não é um álbum para todos os amantes de música, mas é de facto muito bom!

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:

> The Overload
> Payday
> Land Of The Blind
> Pour Another

Finito! Voltamos a encontrar-nos em fevereiro!

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