Depois do sucesso de Snufkin: Melody of Moominvalley, a Hyper Games regressa ao mundo dos Moomins, desta vez com uma aventura pelo inverno, com Moomintroll encarregue de chamar a primavera enquanto completa tarefas secundárias e nem sempre empolgantes em mais uma forte adaptação da obra de Tove Jansson.
Todos os anos, quando as flores se escondem e o vento fica mais frio, o vale dos Moomins despede-se do verão. Os campos verdes revestem-se de branco, as brincadeiras entram em hibernação, à espera do tempo quente, Snufkin parte em mais uma das suas viagens à procura da eterna primavera e Moomintroll e a sua família recolhe-se em casa para o tão merecido descanso. Este é o ritual que acompanha a chegada do inverno, um longo e revitalizante sono, tão profundo que dura semanas e meses a fio. Para Moomintroll, o seu vale nunca deixa de ser verdejante porque nunca esteve presente para ver o inverno a chegar. Até agora.
Um estrondo no andar inferior despertou Moomintroll enquanto dormia. Algo se move no interior da casa, um intruso inesperado, que o jovem rapidamente descobre ser um esquilo à procura de calor. Os seus pais ainda dormem, então Moomintroll aventura-se pelo vale e depara-se com um mundo gelado, tão estranho, como familiar. O vale parou no tempo, num longo interregno, e depois de ajudar o esquilo e perceber que a Lady of the Cold ainda não se foi embora, Moomintroll faz uma descoberta aterradora: ele não consegue voltar a adormecer. Se o sono é-lhe impossível e o inverno impossibilita que a primavera regresse ao vale, então resta a Moomintroll ajudar a Lady of the Cold a seguir o seu caminho e auxiliar as criaturas do inverno para que o mundo volte a ser como era.
Em Moomintroll: Winter’s Warmth, Moominvalley é o palco para uma aventura narrativa que adapta na perfeição os livros e ilustrações da célebre Tove Jansson. Apenas disponível para PC e Nintendo Switch, a nova adaptação serve como um contraponto a Snufkin: Melody of Moominvalley, lançado em 2024, substituindo a primavera pelo inverno gelado, numa história mais emocional e carinhosa, protagonizado por um Moomintroll solitário, mas a querer fazer o que é mais correto. Enquanto os seus amigos estão recolhidos à espera da primavera, Moomintroll tem de navegar pelo vale gelado enquanto ajuda outras criaturas à procura de um abrigo, abrindo a sua casa para todos aqueles que são vítimas do frio ao resolver puzzles simples e que requerem pouco mais do que uma certa atenção e a ferramenta correta para serem superados.

Enquanto exploramos o vale e encontramos os amigos de Moomintroll, desbloqueamos zonas anteriormente inacessíveis e novos acessórios que auxiliam as aventuras do adorável Moomin. Sejam luvas que nos ajudam a criar bolas de neve, que usamos para quebrar pedaços de gelo, uma pá para escavarmos a neve e alcançar novas zonas, ou fósforo para iluminarmos o caminho, o jogo da Hyper Games segue uma estrutura familiar, cujos desafios nunca se tornam confusos ou demasiado exigentes. Desde que estejamos atentos e consigamos ler os cenários, as pistas estão sempre à vista e a fantástica arte do jogo, inspirada nas ilustrações de Tove Jansson, ajuda-nos a compreender o que é esperado dos jogadores em todos os momentos da campanha. Por exemplo, é fácil identificar os montes de neve que podemos escavar, o gelo que é possível quebrar e até as personagens que se escondem nos cenários.
A campanha segue uma estrutura rígida, no sentido em que estamos progressivamente a desbloquear novas zonas, a criar atalhos e a descobrir novas missões secundárias que requerem quase sempre a descoberta de uma personagem ou de um item escondido. Somos obrigados a viajar constantemente entre pontos no mapa, a revisitar algumas das zonas mais memoráveis do Moominvalley, mas também a interagir com o mesmo tipo de ações e tarefas. Apesar de ter adorado o tom amistoso, caloroso e sincero de Winter’s Warmth, a jogabilidade torna-se repetitiva porque obriga-nos a interagir com o mundo através de um punhado limitado de ações. De facto, Winter’s Warmth parece mover-se lentamente, tal como os seus cenários gelados, onde até a troca de ferramentas e a sua utilização parecem estar presos a segundos e frames de espera que prejudicam o ritmo da jogabilidade.
No entanto, Moomintroll: Winter’s Warmth é uma porta de entrada para o mundo de Tove Jansson, naquela que é uma série que merece maior atenção na Europa, em especial em Portugal. Enquanto as obras vão sendo reeditadas para várias línguas e novos filmes e séries são lançados, o mundo dos Moomins ainda parece ser esquecido fora da Finlândia, o seu país de origem, e do Japão, onde foram produzidos algumas das melhores adaptações da série. À semelhança de Snufkin: Melody of Moominvalley, Winter’s Warmth tem os seus problemas, é limitado na sua abordagem ao género e é condicionado por tarefas e puzzles que se tornam repetitivos, mas é capaz de capturar a alma de um mundo peculiar, alegre e adulto em igual medida. Mesmo com os seus problemas, o jogo é complementado pela sua mensagem intemporal e a forma como interliga as personalidades e histórias da série com imensa honestidade e calor, numa excelente adaptação do material original, que podia ter sido mais memorável na sua jogabilidade.
Cópia para análise (versão Nintendo Switch 2) cedida pela popagenda.
