Monte da Borrega: novo projeto de turismo rural na Serra de São Mamede

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O Monte da Borrega resulta de uma iniciativa familiar e propõe uma leitura contemporânea da tradição arquitetónica alentejana.

O turismo rural continua a afirmar-se como uma das formas de alojamento em crescimento no interior do país, acompanhando a procura por contextos mais isolados, ligados à natureza e afastados dos centros urbanos. No Alentejo, onde a paisagem e a arquitetura tradicional têm servido de base a vários projetos deste tipo, surgem novas unidades que procuram reinterpretar esse património à luz de abordagens contemporâneas.

É neste enquadramento que surge o Monte da Borrega, um projeto de turismo rural localizado na Serra de São Mamede, desenvolvido a partir de uma iniciativa familiar com a participação da criadora de conteúdos Andreia Moutinho. A proposta assenta na recuperação e reinterpretação de elementos da arquitetura tradicional alentejana, articulados com soluções atuais, num modelo que privilegia a integração na paisagem envolvente.

O Monte da Borrega está inserida num contexto rural marcado por extensões de vegetação típica da região, onde predominam oliveiras e sobreiros, e caracteriza-se por uma implantação discreta no território. A construção apresenta uma volumetria simples, com fachadas caiadas de branco, seguindo referências comuns aos montes alentejanos. A organização do espaço foi concebida para favorecer uma utilização contínua entre interior e exterior, explorando a exposição solar, a amplitude da paisagem e a reduzida densidade edificada da zona.

No interior, o Monte da Borrega incorpora elementos preexistentes e materiais tradicionais, alguns dos quais foram reaproveitados ou reinterpretados. Entre os exemplos identificados estão uma antiga manjedoura adaptada a lavatório, torneiras em latão e portadas em madeira maciça de época. Estes elementos coexistem com peças de iluminação contemporâneas, estabelecendo um contraste controlado entre diferentes períodos e linguagens. A intervenção privilegia uma abordagem de continuidade material, com recurso a pedra, madeira, ferro e cal, evitando soluções decorativas excessivas

O espaço exterior assume um papel central na utilização do conjunto. A área envolvente inclui estruturas de sombra formadas por parreiras antigas, que cobrem pérgolas e delimitam zonas de permanência. Uma mesa de grandes dimensões está instalada no exterior, orientada para refeições prolongadas e utilização coletiva. A propriedade estende-se por uma área próxima de um hectare, onde se insere também uma piscina, posicionada de forma a manter uma relação visual direta com a paisagem natural circundante.

A localização, afastada de centros urbanos e de fontes significativas de iluminação artificial, proporciona condições de visibilidade noturna pouco comuns, com um céu estrelado particularmente nítido. Este fator é apontado como parte integrante da experiência oferecida pelo espaço, em conjunto com o silêncio característico da envolvente rural.

Do ponto de vista formal, o Monte da Borrega adota uma linguagem que combina referências vernaculares com uma abordagem contemporânea contida. A paleta cromática é reduzida, centrada no branco das superfícies exteriores, complementado por apontamentos de cor em tons de azul e pela presença de uma porta vermelha, que introduz contraste visual sem alterar a leitura global do conjunto.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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