Mishlawi no Coliseu de Lisboa – Como sentir a música com todas as células do corpo!

Em pleno início de uma carreira bastante promissora, Tarik Mishlawi, luso-americano de 21 anos, torna-se num nome cada vez mais proeminente no panorama de hip-hop/rap português, mas não só. É já falado a nível de imprensa internacional, tendo sido referenciado como “A Revolução do Hip Hop português” pelo jornal espanhol La Vanguardia, sendo frequentemente referenciado como Talento Transatlântico. Os comentários nos seus vídeos do Youtube frequentemente referem que Mishlawi é um dos artistas hip hop mais underrated. Será que isso está a mudar agora para o artista?

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Em plena era tecnológica em que muito se fala na geração Millennial, foi na Internet que Mishlawi começou por divulgar o seu trabalho artístico, proliferando um pouco por diversas redes sociais, acabando, por fim, por ser descoberto pelo já conhecido Richie Campbell.

Em 2019, no passado dia 9 de março, apresentou, pela segunda vez na sua (ainda) curta carreira, um concerto em nome próprio (sendo que o primeiro terá tido lugar no Porto, a 22 de fevereiro). O local escolhido foi o Coliseu de Lisboa e as expectativas, essas, estavam a um nível bem elevado – como se podia ver e sentir, de resto, pela euforia da jovem plateia que preenchia a arena do Coliseu.

E por falar em sentir, é exactamente sobre isso mesmo que este concerto foi. As emoções eram fortes e estavam ao rubro ao som daquilo que é um mix de hip-hop com R&B, complementado com uns toques de reggae, aos old school 90’s beats, complementado com instrumentais mais jazz, pontualmente. Uma mistura, se me perguntarem a mim, deliciosa e que acaricia a alma – mas com uma certa garra que me é, muito honestamente, difícil transpor em palavras.

“FMR (F*ck Me Right)” e “Always On My Mind” (um dos primeiros singles do artista) foram dois dos temas escolhidos para a abertura daquela que seria uma noite de êxtase. Sobretudo em “FMR”, com aquela linha de sintetizador inicial bem provocadora, que evolui naturalmente para um tema hip hop extremamente bem concretizado.

Em tom mais jazzy, é tempo de Mishlawi apresentar os elementos que o acompanham em palco, com uma forma de falar extremamente sedutora, arrastando a voz e as palavras, e com um charme que lhe é característico e que combina tão bem com toda a sua persona. Delicioso de ouvir, esboça-se um sorriso.

Esta apresentação precede “Uber Driver”, que começa de forma tímida, em acapella, e cresce, ganhando corpo e transformando-se na (também) ótima música R&B que é. “Bad Intentions”, outro grande hit que levou Mishlawi para as luzes da ribalta, faz o corpo, literalmente, estremecer, de uma forma muito agradável, com a tal “garra” que parece estar sempre presente pela linha de baixos sempre fortes e bem marcados.

Ótimas músicas R&B são também alguns dos novos temas que o artista apresentou neste concerto, entre os quais “Afterthought” e “Too Basic”, ambos em colaboração com Trace Nova, e que fazem parte do seu mais recente álbum de estúdio, Solitaire.

Temas como “Win Some Lose Some” (igualmente do álbum Solitaire) e “Rain” (com a colaboração de Richie Campbell e Plutónio) fazem as delícias dos amantes de um bom R&B, aqueles que compreendem o conceito de experienciar a música como um todo holístico: não apenas ouvir, não apenas escutar, nem tampouco apenas “ver”, mas sentir a música com todas as células do corpo – com os olhos fechados e de copo na mão, deixando o corpo acompanhar os flows multissilábicos, que oscilam entre graves e agudos, contrabalançados come com aquele urban feeling, resultante da presença constante e bem marcada da linha de baixos. “Limbo” e “Boohoo” fazem, de resto, as delícias dos mais românticos, aqueles que decoram os refrões e depois os cantam nos concertos, em uníssono.

Quase a terminar a sua atuação, o artista resgata um dos seus primeiros singles, “All Night” (single que já conta com mais de 10 milhões de visualizações no Youtube). Aqui, com um toque mais de salsa e com uma linha de saxofone distinta, temos um exemplo da mistura pontual de estilos que o artista imprime em alguns dos seus temas: “All Night” contém uma sample do músico de jazz americano ChickCorea, acabando por misturar, assim, os estilos Latino e Trap.

Para encore, o tema “Ignore”, outra música cheia de tudo o que Mishlawi é: sedutor, desafiante, provocador, proibitivo de certa forma. Tal qual como se estivessemos a transgredir algo, a música dele entra como um guilty pleasure musical para os apaixonados desta e pela vida.

Com um “peace out” se despede de um concerto que, para quase estreia, diria que está aprovadíssimo. Teremos aqui um Drake português?!

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