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MEO Marés Vivas 2018 | O funk dos Jamiroquai e o calorzinho dos Goo Goo Dolls

Esperava-nos ainda 20 minutos de caminhada e no ar já “cheirava” a festival, não só pela música que ecoava a escassos quilómetros mas também pelas centenas de pessoas que se deslocavam a passo largo, na esperança de não perderem os primeiros acordes da 12ª edição do Meo Marés Vivas.

A Antiga Seca do Bacalhau, em Gaia, foi o local escolhido este ano pela organização, no sentido de expandir o evento gaiense. Com uma nova “casa” mais espaçosa, ampla e com melhores condições, o festival manteve-se na praia do Cabedelo, a poucos metros do antigo espaço.

Um pôr-do-sol de cortar a respiração acompanhou o primeiro dia do festival, no passado dia 20 de julho, abençoado por S. Pedro com bom tempo. No entanto, as típicas badanas, lenços e calções curtos, que caracterizam o look festivaleiro, não foram suficientes a partir das 22h. E aqueles que não levaram casaco sentiram na pele a famosa “nortada” de verão.

O novo espaço, cinco vezes maior que o anterior, trouxe certamente muitas vantagens. Para além do palco principal, onde atuariam Goo Goo Dolls e Jamiroquai no primeiro dia, o festival contava ainda com mais três palcos: RTP Comédia, Santa Casa e Palco Digital.

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Já com pizzas e pães com chouriço no bucho, a multidão começou a juntar-se para assistir à estreia dos Goo Goo Dolls em Portugal. Sim, foi a primeira vez da banda americana em terras lusas.

Provaram que são mais do que “aquela banda que toca “Iris””, e animaram o público com alguns êxitos dos anos 90 – período áureo do grupo -, não deixando de parte reportório do seu último álbum, Boxes.

O vocalista, John Rzeznik, que interagia com o público entre canções, foi animando a malta com comentários do género: “Escrevi esta canção para a minha esposa, quando bebia muito. Ela não está aqui… porque não a convidei. Mas ela vai ver isto no Youtube, enquanto eu vou estar a dormir na cave!”.

Êxitos como “Come to Me” ou “Slide” entoaram por entre a fresca noite de sexta, mas nada equivaleu ao impacto que os primeiros acordes de “Íris” tiveram nos festivaleiros, que, de resto, fechou o concerto da banda. Muitos que até ali possivelmente nem sabiam quem estava a atuar em palco, foram subitamente sobressaltados pelas palavras “And I’d give up forever to touch you“, e rapidamente ajudaram John Rzeznik a entoar o épico tema.

Depois do “quentinho” que os Goo Goo Dolls deixaram no público, foi a vez da banda de Jay Kay pisar o palco.

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Por esta altura já o vento chateava os mais “descapotáveis”, mas nada demoveu as milhares de pessoas que queriam ver a banda britânica. É já a sexta presença dos Jamiroquai em Portugal – sendo que a última foi em 2017, no MEO Sudoeste -, e não desiludiram.

Dos mais novos aos mais velhos, os fãs da banda eram notórios, homenageando o cantor usando a sua peça característica – o chapéu de penas.

Ainda que notoriamente em “baixo de forma” (a idade não perdoa a barriguinha), Jay Kay deu tudo em palco, com a energia que tanto o caracteriza. A interação com o público foi quase inexistente, em comparação com os Goo Goo Dolls, mas o músico contagiou com a sua atitude em palco, onde dançou, saltou e soou a píncaros.

Envergando o clássico fato de treino e um chapeú animatrónico e futurista, o cantor soltou o funk “espacial” que havia no público, criando um ambiente único, com clássicos como “Virtual Insanity”, “Alright” ou “Lovefool”.

Foi, sem dúvida, uma noite dedicada ao público “sénior” do Marés, que embarcaram numa viagem pela “memory lane”, como dizem os americanos, e que fechou com o português Richie Campbell.

Texto: Ana Cláudia

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