Melanie Martinez – K-12 no Campo Pequeno

As bancadas do Campo Pequeno vestiram-se de rosa e tons pastel para receber Melanie Martinez no dia 21 de janeiro, em ambiente de festa. Na segunda vez que a artista nova-iorquina de 24 anos se apresentou em Portugal (a primeira foi na Aula Magna, em 2016), a arena lisboeta não esgotou, mas o entusiasmo dos fãs teve sabor a casa cheia.

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Antes mesmo de soarem os primeiros acordes do concerto que marcou o arranque da tour europeia de K-12, segundo álbum de originais, lançado pela cantora em setembro do ano passado, já o (muito) jovem público parece conquistado. Com os cabelos pintados a duas cores – imagem de marca de Martinez – a ‘fazer pendant’ com os corações e lágrimas desenhados nos rostos, os mais entusiasmados gritam “Melanie!” num uníssono que vai aquecendo a plateia.

De repente, as luzes apagam-se e é o momento de entrar no autocarro com destino à escola K-12. Com as primeiras notas de “Wheels on the Bus” surgem os bailarinos, excecionais, logo seguidos da estrela da noite: Melanie Martinez, que é, como quem diz, a sua personagem Cry Baby.

É o regresso a esta espécie de alter ego da cantora, mas, desta feita, numa versão mais ambiciosa. As músicas que irão desfilar pelo Campo Pequeno fazem parte da banda sonora que acompanha o filme que a própria Melanie realizou e protagonizou, dando corpo, em palco, ao que é apresentado como “uma produção teatral única”.

Talvez por isso não hão-de sobrar em detalhes estéticos – como a atenção aos cenários, penteados, roupa e luzes – o que, à vista desarmada, falta em instrumentos musicais propriamente ditos. No palco, é visível apenas uma bateria e um teclado, destacando-se, para além destes, uma harpa, que há-de estar muito presente em quase todos os temas.

Absoluta a fidelidade ao filme. Ao longo do espetáculo (é muito apropriado chamar-lhe assim), seremos apresentados à “professora”, que vai ensinando lições preciosas, nomeadamente sobre respeitar os outros; aprender que todos temos algo a oferecer ao mundo; perceber que “o encanto dos outros não nos tira o nosso”; que devemos ter amor e valores próprios; e que devemos evitar pessoas tóxicas – mesmo que sejam nossas amigas.

Créditos: Joana César

Publicado por Echo Boomer em Sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Fica a impressão de que Mel recorre várias vezes ao playback, talvez devido à coreografia exigente que não se furta a cumprir ao lado dos bailarinos, mas, mesmo assim, vai trocando de microfone para, com mais ou com menos fôlego, dar voz aos temas que o público mostra saber de cor: “Nurse’s Office”, “Teacher’s Pet”, “Recess”, “Alphabet Boy”, “Mad Hatter” ou “Fire Drill” (ainda que este tema apareça apenas nos créditos do filme, não fazendo parte do álbum).

Com “Class Fight”, torna-se evidente que a cantora vai seguir o alinhamento do álbum, tal e qual como no filme. E a partir das bancadas canta-se “daddy chimed in, go for the throat!”, apesar da maior parte da assistência não ter idade para perceber o significado da frase.

A pausa que se segue, talvez demasiado longa, como aliás as outras feitas ao longo do concerto, serve para a mudança de penteados, guarda-roupa e cenários. Tempo preenchido por dois bailarinos “entretidos” a jogar à sardinha, que distribuem depois pela primeira fila papéis com mensagens, para grande entusiasmo dos fãs.

Depois de “The Principal”, um “palco” de marionetas é colocado no centro do palco principal. É a deixa para “Show and Tell”, com Melanie Martinez a aparecer por trás das cortinas como uma marioneta: “I’m on display for all you fuckers to see”, canta, e é impossível não reparar na ironia.

Em “Strawberry Shortcake”, a cantora surge no topo de um bolo gigante, com direito a uma pequena surpresa, sob a forma de aroma de morango, espalhado pelo ar, perfumando o Campo Pequeno. “Orange Juice” dará a vez a nova essência, desta vez um cheiro a laranja.

O primeiro “olá”, recebido efusivamente pelo público, chega com “Lunchbox Friends”, que fala de falsas amizades. Tempo depois para “Detention”, “Teacher’s Pet”, “Highschool Sweethearts” (cantada por todos na arena) e “Recess” (balada servida com asas de fada e luzes no ar, a pedido de Melanie, mesmo antes dos confetti cor-de-rosa e de uma rápida despedida). Ignorada, já que, mal a cantora abandona o palco, o Campo Pequeno grita o seu nome a plenos pulmões.

Quase uma hora e meia depois, esquecido o percalço da noite (já que, devido a um atraso no seu voo, Naaz, anunciada para abrir o concerto, não conseguiu chegar a tempo), aproxima-se o fim. “Who’s ready for some throwbacks?!” anuncia o encore e viajamos agora até ao primeiro álbum da cantora, cujo sucesso começou a desenhar-se após a sua participação na versão norte-americana do programa The Voice. “Alphabet Boy” é o tema mais celebrado: “Esta é a música que eu conheço!”, comenta alguém.

Está feito. Em noite de conversas sérias, sobre temas relevantes mas disfarçados numa escola fantasia, Melanie Martinez recomenda: “Go home safe”. Os fãs seguram bem as novas t-shirts, compradas pelos pais à entrada, nas bancas de franchise. Talvez um outro dia possam regressar a estas aulas, com mais tempo.

Texto de: Inês Peralta; Fotos de: Joana César

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