Meiyo: o novo restaurante de sushi em Lisboa que aposta na frescura e no detalhe

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Aberto há dois meses, o Meiyo já chama atenções em Lisboa com uma carta de sushi em expansão, vinhos escolhidos e pratos servidos com ritmo.

O Meiyo chegou a Lisboa há apenas dois meses, mas já se afirma como uma casa que quer crescer com calma, sem perder de vista a identidade do conceito nem a atenção ao detalhe. Com 38 lugares sentados, o restaurante aposta numa escala reduzida e num ambiente mais íntimo, pensado para oferecer um serviço próximo e uma experiência mais cuidada, numa cidade onde a oferta de sushi é cada vez mais ampla.

A história do espaço ajuda a explicar o projeto. O restaurante ocupa um local que pertence a um dos sócios, Erik Ibrahim, e que já tinha pertencido ao Terroir, um restaurante com estrela Michelin, antes de a operação ser transferida para o hotel na Rua da Madalena. A partir daí, surgiu a possibilidade de juntar Erik e o chef Mário Ribeiro num novo desafio: trazer novamente para Lisboa o conceito Meiyo. O resultado foi uma sociedade entre dois parceiros, cada um com o seu restaurante, que decidiram unir esforços para criar uma nova casa de sushi na capital.

Não havia vontade de dispersar o conceito nem de o diluir noutra proposta gastronómica. Pelo contrário, a intenção passou por aperfeiçoar uma fórmula já exigente por natureza, apostando numa cozinha que valorizasse a frescura do peixe, a qualidade do produto e a precisão na execução. São esses os três pilares que surgem como fatores de diferenciação face a outros restaurantes do mesmo segmento em Lisboa.

Mas o Meiyo não quer distinguir-se apenas pelo prato. O espaço foi desenhado para ser mais pequeno e mais acolhedor, o que permite uma atenção mais direta ao cliente. A própria disposição da sala ajuda a moldar a experiência: a garrafeira, visível e integrada no restaurante, não funciona apenas como elemento decorativo, mas também como parte do ambiente, contribuindo para quebrar o som e reduzir o eco num espaço comprido. Ao mesmo tempo, essa seleção de vinhos reforça outra das apostas da casa: uma garrafeira forte, com referências nacionais e internacionais, pensada para acompanhar um menu de sushi com ambição.

A carta do Meiyo foi desenhada pelo chef Mário Ribeiro, enquanto o chef João Bivar se juntou ao projeto como chefe executivo. A equipa fala de uma casa em crescimento, ainda em fase de aprendizagem, mas já com uma resposta muito positiva nas primeiras semanas de funcionamento. O objetivo, segundo foi explicado, não é estabilizar demasiado cedo nem fechar a proposta sobre si própria. A carta está aberta à evolução, com entrada de novos peixes e novos vinhos, numa lógica de melhoria contínua que pretende manter o cliente interessado e surpreendido a cada visita.

No serviço, a lógica também é de progressão e cuidado. Aliás, foi precisamente assim no nosso almoço no Meiyo, de modo a respeitar o ritmo da refeição e permitir que cada elemento seja apreciado individualmente.

Começámos por um Miso Shiro, que basicamente é um caldo de miso com tofu, wakame, cebolinho e sésamo. Aqui, a experiência é claramente elevada se optarem pelo extra de lascas de peixe – basicamente são adicionadas peças de sashimi, que depois ficam mergulhadas no caldo. Sopa miso com sashimi é algo que nunca nos passou sequer pela cabeça, mas é tão simples e faz realmente todo o sentido.

Já o Carpaccio de lírio dos Açores (embebido em azeite de alho e molho cítrico trufado) e os Tacos de salmão (tataki de salmão com cebola confitada, guacamole e coentros) mostraram o porquê do Meiyo já ter uma palavra a dizer no mundo da cozinha japonesa.

Também nos deliciámos com o Tataki de atum (lombo de atum com legumes salteados, cebola confitada e crocante, e cones de puré de batata doce), com o Gunkan especial do chef (duas unidades de lírio, tártaro de toro, ovo de codorniz marinado em soja e lasca de trufa fresca, onde todos os sabores de conjugam), com o Gunkan Shake Ebi (duas unidades de salmão braseado com picadinho de atum, tempura de camarão e vieiras), com o sashimi de Toro e com Nigiris de Toro (não, não existem no menu, mas a equipa é criativa o suficiente para se adaptar às exigências dos clientes).

Ou seja, e dependendo das vossas restrições ou gostos alimentares, os sushimen do Meiyo conseguem ir desafiando os próprios clientes. Podem sempre sugerir alguma peça mais “original”, como nós fizemos com os Nigiris de Toro, mas é preciso também ter noção da lotação do espaço.

Claro que a carta tem várias outras opções para explorar, mas, e quase de estômago cheio, ainda nos aventurámos nas sobremesas: Tarte merengada (suave creme combinando yuzu e gengibre sobre base de bolacha e coberto com merengue) e Mil Folhas de Chocolate (diferentes tipos de chocolate em várias texturas, com gelado de noz macadâmoa e caramelo salgado). Daqui, destaco claramente o Mil Folhas de Chocolate, pois apesar das várias camadas, em momento algum senti que fosse daquelas sobremesas demasiado enjoativas. Está tudo super equilibrado e, na verdade, é uma opção que serve perfeitamente para partilhar no final de uma belíssima refeição.

A experiência no Meiyo não se limita, porém, à cozinha. A componente de bar também tem peso próprio e assume uma linguagem autoral. A carta de cocktails com várias criações pensadas para acompanhar ou completar a refeição. O Brown Sugar, por exemplo, é uma opção elegante, com o Baileys em destaque. Já o Oasis Flame junta maracujá, manga e tagaroshi, isto é, as cinco pimentas japonesas, numa combinação pensada para começar doce e frutada, mas terminar com um fundo de boca apimentado.

Entre as propostas mais complexas está o Wild Dream, apresentado como uma mistura entre gin sour e whisky sour, com frutos vermelhos e canela braseada. A canela, aliás, surge apenas no final, no momento da finalização da bebida, e pode ser ajustada conforme o gosto de quem pede. Percebe-se claramente que a carta de cocktails reforça a ideia de um restaurante que quer trabalhar a experiência de forma abrangente, cruzando cozinha japonesa, vinho e mixologia de autor.

No fim de tudo, o Meiyo apresenta-se como um projeto de ambição moderada, mas executada com precisão. A frescura do peixe, o ambiente controlado, a garrafeira pensada e um serviço faseado e atento compõem uma experiência que aposta na qualidade sobre a quantidade. Dois meses bastaram para mostrar vitalidade, mas é na evolução prometida que o Meiyo poderá afirmar a sua honra no exigente panorama do sushi lisboeta.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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