O Manie alerta para um caso de vishing em que uma operadora tentou criar alarme com uma alegada subida do preço da eletricidade.
O Manie, plataforma dedicada à gestão e comparação de contratos de energia em Portugal, está a alertar para a realização de chamadas fraudulentas em que os autores se apresentam como representantes da empresa.
O alerta surgiu depois de um cliente ter relatado uma chamada recebida no passado dia 4 de agosto, a partir do número 308804579. Segundo o testemunho, a pessoa que efetuou a chamada falava português do Brasil e afirmou estar a contactar em nome do Manie. Durante a conversa, disse ao cliente que o preço do quilowatt-hora da esua atual comercializadora iria aumentar “drasticamente”, passando para 0,20€ em setembro.
Perante a informação, o cliente perguntou qual era a comercializadora com que tinha atualmente contrato. A resposta dada pela operadora estava errada. Quando o cliente chamou a atenção para o erro, a interlocutora afirmou que iria “registar” a situação e terminou a chamada de imediato.
Neste caso, o cliente não forneceu dados pessoais, uma fatura ou o código CPE. Ainda assim, a chamada apresentava características compatíveis com um esquema de vishing, uma forma de fraude que recorre ao contacto telefónico para levar a vítima a acreditar que está a falar com uma empresa ou entidade legítima. A utilização de uma alegada subida iminente dos preços servia para criar pressão e incentivar uma decisão rápida, nomeadamente a alteração do contrato de eletricidade ou a partilha de informação confidencial.
As chamadas deste tipo podem seguir diferentes abordagens, mas tendem a recorrer aos mesmos elementos. Um dos sinais de alerta é a proposta de mudança de contrato feita diretamente por telefone, sobretudo quando a pessoa que liga afirma representar o Manie. De acordo com a empresa, as alterações realizadas através do seu serviço são feitas na aplicação ou no site, onde o cliente pode consultar a oferta, comparar opções e tomar a decisão, e nunca através de uma chamada.
A tentativa de provocar medo ou urgência é outro dos sinais associados a este tipo de contacto. Na chamada relatada, o argumento utilizado foi o de que o preço da eletricidade iria subir de forma significativa no mês seguinte. Ora, e como é habitual, as alterações efetivas das condições ou dos preços são comunicadas pela comercializadora do cliente e podem ser verificadas na área de cliente ou na fatura.
Também deve ser dada atenção à informação que o interlocutor demonstra ter sobre o consumidor. Uma pessoa que tenha efetivamente acesso à relação contratual deverá conseguir identificar corretamente a comercializadora associada ao contrato. Se, perante uma pergunta simples como “qual é a minha comercializadora?”, a resposta for vaga ou estiver errada, esse pode ser um indicador de que a chamada não é legítima.
Outro dos objetivos possíveis é a recolha de dados sensíveis. Entre a informação que pode ser solicitada encontra-se o código CPE, o código do ponto de entrega de eletricidade que consta da fatura. O Manie considera que um pedido deste tipo deve ser tratado com especial cautela quando surge numa chamada que não foi iniciada pelo cliente. Também não devem ser partilhados, durante uma chamada suspeita, o NIF, dados constantes da fatura, informações de pagamento ou códigos recebidos por SMS.
A pressão para tomar uma decisão no momento é igualmente um sinal de alerta. A mudança de comercializador não constitui uma emergência e uma proposta legítima deverá permitir ao consumidor confirmar a informação antes de avançar. Frases como “tem de mudar hoje” ou “o preço vai subir se não aceitar agora” devem ser encaradas com desconfiança, sobretudo quando são acompanhadas por pedidos de dados ou por instruções para concluir o processo durante a chamada.
O Manie afirma que não pede o código CPE, dados de pagamento ou faturas através de chamadas telefónicas que não tenham sido solicitadas pelo cliente. A empresa diz também que não contacta os consumidores para os pressionar a mudar de contrato com o argumento de que o preço irá aumentar nesse mesmo dia. Acrescenta ainda que, até ao momento, não tem colaboradores no Brasil, pelo que uma chamada deste tipo, feita por uma pessoa a falar português do Brasil e a apresentar-se como representante da empresa, deve ser tratada com particular cuidado.
Quem receber uma chamada suspeita não deve fornecer qualquer informação. Além do CPE, isso inclui o NIF, os dados da fatura, informações de pagamento e códigos de autenticação ou confirmação recebidos por SMS durante a conversa. O facto de o interlocutor conhecer alguns dados do cliente não significa que tenha acesso a toda a informação relacionada com o contrato.
Uma forma de avaliar a legitimidade do contacto passa por fazer perguntas de controlo. O cliente pode, por exemplo, solicitar informações específicas sobre a utilização da aplicação, sobre os CPE associados ou sobre os contratos e faturas anteriores. Perguntas deste género podem ajudar a perceber se a pessoa que está do outro lado tem conhecimento real da relação com o cliente ou se dispõe apenas de informação parcial. No entanto, a colocação dessas perguntas não deve ser usada como motivo para prolongar uma chamada que já pareça suspeita. Se existirem dúvidas, a opção mais segura é desligar.
É igualmente aconselhável guardar o número a partir do qual a chamada foi feita e comunicar o caso às autoridades, nomeadamente à PSP ou à GNR, bem como à própria comercializadora. Quando a chamada utiliza o nome do Manie, a empresa pede também que o episódio lhe seja comunicado através dos canais oficiais, disponíveis na aplicação ou no site oficial. A identificação de vários casos pode ajudar a empresa a alertar outros consumidores para o mesmo tipo de abordagem.
De resto, o Manie refere que já foram realizadas mais de 126.000 mudanças de contrato através do seu serviço e que acompanha mais de 35.000 clientes com AutoSwitch.
