O MAAT tem três novas exposições para conhecer

A programação de 2018 do MAAT fecha com nomes fortes como João Louro, os americanos Jonah Freeman e Justin Lowe e o coletivo Haus Wittgenstein que celebra os 90 anos da casa do filósofo austríaco, com a participação de artistas como Leonor Antunes, John Baldessari, Mel Bochner, Pedro Cabrita Reis, Bruce Nauman, Julião Sarmento, Lawrence Weiner, entre outros.

Exposição de Haus Wittgenstein (Curadoria de Nuno Crespo)

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O mote desta exposição são os 90 anos da Haus Wittgenstein em Viena. O projeto, iniciado em 1926 e concluído em 1928, deu origem a uma casa com uma história intensa na qual se cruzam arte, arquitetura e filosofia. O que acontece não só porque o filósofo Ludwig Wittgenstein foi o arquiteto, mas também porque a história do projeto, a sua construção e habitação convocam uma série de conflitos, histórias e relações que foram motivo de inspiração de muitos artistas, arquitetos e escritores.

Esta casa com um contexto filosófico marca o conturbado regresso de Wittgenstein à filosofia e o abandono da lógica a favor de um confronto com o mundo, com as coisas de todos os dias e de todos os homens: a transformação do quotidiano e do comum em categorias estéticas, que terá tantas repercussões em muita arte e fotografia contemporâneas. A própria arquitetura materializada na Kundmanngasse é motivo de intenso debate: os temas desenvolvidos, a pormenorização, a obsessão pela simetria e pelo rigor deram azo a inúmeras histórias que transformaram este projeto num caso de estudo.

Haus Wittgenstein

Esta exposição propõe um regresso à Haus Wittgenstein através de obras concebidas especialmente para esta exposição – dos artistas Vasco Barata Horário Frutuoso, Luis Lázaro Matos e José Luís Quitério (seu pai), Ângela Ferreira, Gil Heitor Cortesão, Ana de Almeida e Ricardo Carvalho – , que propõem um diálogo crítico com aquele objeto arquitetónico. A elas juntam-se obras de autores que, de algum modo, foram tomados pelo “efeito Wittgenstein” e pelo seu fascínio pela linguagem, pelo sentido e pelo mundo.

Exposição de Jonah Freeman e Justin Lowe (Curadoria de Pedro Gadanho e Rita Marques)

Na primeira exposição do programa Video Room do MAAT, a dupla nova-iorquina Jonah Freeman & Justin Lowe apresenta Scenario in the Shade, uma instalação ambiental imersiva que joga com os conceitos de urbanismo hipertrópico, comunidade, ritual e psicofarmacologia. Apresentada pela primeira vez na Bienal de Istambul em 2017, comissariada por Michael Elmgreen e Ingar Dragset, esta é a segunda vez que esta grande instalação é apresentada na Europa, depois de ter sido vista na Kunsthal Charlottenburg, em Copenhaga.

Concebida como um ambiente multiespacial, esta exposição constitui um cenário arquitetónico e cinematográfico baseado nas subculturas juvenis de San San Metroplex, um corredor urbano que existe ao longo da costa da Califórnia, nos EUA. O mundo de San San teve a sua origem numa ideia avançada pelo futurista Herman Kahn no seu livro, The Year 2000, publicado em 1967. Este autor especulava que a zona costeira entre San Diego e San Francisco iria crescer até transformar-se numa metrópole gigante, uma região que apelidou de San San.

Scenario in the Shade

A partir desta ficção, a dupla Freeman & Lowe construiu um misterioso mundo paralelo, articulado através de uma diversidade de objetos, ephemera, cenários arquitetónicos e uma trilogia de filmes.

Exposição de João Louro (Curadoria de David G. Torres)

Linguistic Ground Zero, o novo projeto de João Louro, pensado para o Project Room do MAAT, reflete sobre esse momento de inflexão histórico no qual arte e sociedade parecem estar de acordo com a necessidade de acabar com tudo. A sua proposta consiste numa reprodução de “Little Boy” – a primeira bomba atómica da História, que arrasou a cidade japonesa de Hiroxima em 6 de agosto de 1945.

Como acontece com a maioria das bombas, nas quais os soldados escrevem mensagens, esta reprodução também transporta consigo inscrições – neste caso, os textos fazem referência à arte, à política, à cultura e às vanguardas.

Linguistic Ground Zero

João Louro estabelece uma confluência entre a destruição física provocada pela bomba atómica e a destruição simbólica que faz parte de diferentes estratégias da arte durante essas vanguardas: um fascínio partilhado pela destruição, mas também um desejo de renovação, de partir do grau zero ao qual o título alude. Como parte do projeto de investigação de Linguistic Ground Zero, a exposição inclui também desenhos e documentos.

Estas três novas exposições abriram hoje ao público.

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