London Community Gospel Choir: O gospel está na moda e trouxe clássicos do Prince

“Gospel? Isso é música de Igreja, não é?!”. Estes são os primeiros comentários que muitos associam a este género de música.

- Publicidade -

Na verdade, não são observações completamente descabidas, uma vez que a música gospel é usada para expressar crença associada à religião cristã, e os temas abordados são, na sua maioria, a adoração e louvor a Deus.

No entanto, há muito que estes grupos conseguiram o seu espaço “comercial” no mundo da música. Saltaram os muros da Igreja e transportaram toda a sua energia de palco, e poder vocal, para os quatro cantos do mundo, interpretando todo o tipo de música – religiosa, pop e até rock.

E assim chegámos à noite de 22 de março de 2018, em que o Porto recebeu toda a sua energia do gospel dos London Community Gospel Choir.

A neblina que pairava no palco fazia antever uma noite memorável na Casa da Música. Faltavam ainda alguns minutos para o início do espetáculo e já a afamada sala Suggia se compunha com grande expetativa.

O burburinho era grande, e foi só quando a luz da sala se apagou, ficando a plateia coberta numa nuvem de fumo e suspense, que a voz do Reverendo Bazil Meade deu as boas vindas à multidão e apresentou o tão esperado conjunto de vozes do London Community Gospel Choir (LCGC).

Com um início um pouco “tímido”, as primeiras músicas apresentadas foram alguns clássicos da música gospel, ideais para gostos mais “calmos”. Digamos que foi uma forma de “aquecer” o público para o que aí vinha: uma homenagem ao falecido ícone da pop, o cantor Prince.

E tudo começou com “Nothing Compares 2 U”. Escrita por Prince, e eternizada pela voz de Sinead O’Connor em 1990, a canção ecoou na poderosa voz de Annette Bowen – uma das “divas” do coro -, levando o público ao rubro. Outros ‘hits’ seguiram-se, mas o apogeu foi com o clássico “Purple Rain”, com direito a solo de guitarra e uma performance de tirar o fôlego de mais um dos elementos do coro.

Aliás, o Rev. Bazil Meade, ora ao piano, ora a comunicar com o público, ia chamando elemento a elemento para a frente do palco, sempre num ritmo frenético, quase como um professor que quer por todos os alunos a participar. Nenhum dos cantores ficou de fora, e cada um teve a sua oportunidade de “brilhar”, a solo ou em dueto, não escapando também a bateria, guitarra e teclas, que tiveram direito aos seus “5 minutos” de fama.

O único senão que se pode apontar a este espetáculo não tem haver necessariamente com a performance do grupo, mas com a qualidade do som nos lugares próximos do palco. Embora se conseguisse estar mais perto da energia contagiante do coro, esta mesma distância fazia com que as suas vozes se “perdessem” no meio do estrondoso som da bateria, que ficava mesmo na frente do palco.

Ainda assim, a paragem do “comboio” na estação “Prince” foi apenas o começo, pois a partir daí o grupo já pouco precisava de fazer para que o público saltasse dos seus lugares e começasse a cantar, dançar e, até, “tentar” imitar algumas das coreografias que fazia em palco.

O espetáculo caminhava para o seu término, mas não podia concluir sem a mítica melodia “Oh Happy Days”. Afinal, quem não se lembra deste momento no filme Sister Act II? (Não conhecem? Perdoai-os Senhor, eles não sabem o que perdem)
Como seria de esperar, o público respondeu a essa chamada da melhor maneira, entoando a música do início ao fim, acompanhando com palmas e muita energia.

Com isto, o espetáculo chegou ao fim, com o público a saudar todos os artistas com uma grande salva de palmas. E quando todos se despediam de uma noite magistral, eis que o coro volta ao palco para, carinhosamente, agradecer ao público português, cantando e dançando, ao sabor de uma última música, que contou com a grande ajuda da multidão que desafiava o coro, imitando os seus passos de dança e completando as suas músicas ao estilo de uma bela desgarrada.

Foi, sem dúvida, uma noite para mais tarde recordar, com o público português a sair feliz (e cansado de tanta palma batida!) de um concerto que aqueceu uma noite nortenha, chuvosa e gelada.

Por isso já sabem, para a próxima vez que ouvirem falar em “gospel” e no London Community Gospel Choir, não pensem só nas missas de domingo de manhã.

Texto: Ana Cláudia

- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Parceiros

Relacionados

Crítica – King Richard

King Richard não é apenas um dos meus filmes favoritos do ano, mas também uma das melhores biopics que já testemunhei.

The Matrix Resurrections – Crítica

The Matrix Resurrections é uma das maiores desilusões pessoais do ano. Lana Wachowski oferece um filme surpreendentemente meta e autoconsciente sobre a trilogia original repleta com ideias ousadas e fascinantes, mas com uma execução absolutamente terrível.

Crítica – Spider-Man: No Way Home

Spider-Man: No Way Home é uma das obras mais negras, tristes e emocionalmente desgastantes da MCU, superando todas as expetativas.

Crítica – The Expanse (Sexta Temporada)

As opiniões poderão variar, mas desengane-se quem está à espera de uma nova temporada de The Expanse tão brilhante como as anteriores. Mesmo assim, vale a pena regressar ao espaço com esta sexta ronda, que continua a superar a má ficção científica de outras produções.
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

Há novos jogos e aventuras à espera no Xbox Game Pass

Hitman a triplicar e Rainbow Six a dobrar na segunda vaga de jogos do mês.

Sonae Campus transforma-se num laboratório dedicado à sustentabilidade e eficiência de edifícios e comunidades

Projeto PROBONO envolve 47 parceiros de 15 países e pretende fomentar espaços sustentáveis de referência para o futuro, sendo um localizado em Portugal.

Moon Knight, a próxima série da Marvel, recebe trailer

Oscar Isaac apresenta-se formalmente aos fãs.