Querem ver arte em Lisboa sem gastar um cêntimo? O Lisbon Art Weekend traz 95 eventos gratuitos a 60 espaços da cidade, de 5 a 8 de novembro.
Lisboa acolhe, entre 5 e 8 de novembro, a 8.ª edição do Lisbon Art Weekend (LAW), um programa anual dedicado à arte contemporânea e com entrada livre nos espaços participantes. Criado em 2019, o evento volta a reunir galerias, museus, coleções e outros espaços culturais da cidade numa programação distribuída por quatro dias.
A organização apresenta esta edição como a maior de sempre, com 60 espaços e 95 eventos. A proposta inclui exposições, inaugurações, visitas guiadas, conversas com artistas, palestras, performances, visitas a estúdios e oficinas dirigidas a crianças e famílias. O objetivo declarado é aproximar públicos diversos da criação contemporânea e dar visibilidade ao trabalho de artistas, galerias e instituições que operam em Lisboa.
O programa mantém o formato de um circuito aberto pela cidade, sem entrada paga nos espaços aderentes. A edição procura reunir diferentes tipos de agentes: galerias independentes, espaços geridos por artistas, coleções privadas e instituições culturais. A organização defende que essa diversidade permite mostrar diferentes abordagens da arte contemporânea e criar oportunidades de encontro entre artistas, públicos e profissionais do setor.
A acessibilidade continua a fazer parte da programação. As visitas guiadas públicas no Intendente terão interpretação em Língua Gestual Portuguesa (LGP), numa medida destinada a facilitar a participação de pessoas surdas. O evento inclui ainda visitas guiadas gratuitas com o apoio da TYKHE.
Entre as instituições presentes estão o Centro de Arte Moderna Gulbenkian (CAM), a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), o Museu de Arte Contemporânea e Centro de Arquitetura do Centro Cultural de Belém (MAC/CCB), o Museu de Arte Contemporânea Armando Martins (MACAM), o Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado (MNAC) e o Pavilhão Julião Sarmento. A presença destes espaços amplia o leque de propostas, que vai da arte moderna às práticas contemporâneas mais recentes.

No MNAC, o artista português António Poppe apresenta uma performance. O seu trabalho, desenvolvido desde 1996, cruza as artes visuais, a poesia e a performance, numa prática marcada pela hibridação de disciplinas e linguagens.
No MAC/CCB, está prevista uma visita guiada gratuita à exposição Here I Stand, centrada na obra da artista portuguesa Ângela Ferreira. A proposta aborda as suas esculturas e instalações a partir das relações entre arquitetura, história colonial e poder político, temas recorrentes na sua prática artística.
O Pavilhão Julião Sarmento recebe a conversa Encounters Between the Artist, the Work and the Public, com a artista Iris Buchholz Chocolate. Nascida na Alemanha e ligada a Angola desde 2003, a artista desenvolve um trabalho que combina tradições ancestrais e artesanais angolanas com abordagens conceptuais europeias. O encontro pretende discutir questões como memória, herança colonial, identidade e as relações entre passado, presente e futuro.
No CAM, a programação inclui uma visita orientada pelos curadores à exposição Lugares que se Desenham, além de uma oficina para famílias dedicada à exploração da arte e à criatividade. No MAAT, a oficina Estas Obras MAATam-me destina-se a crianças e adolescentes dos 8 aos 12 anos e propõe atividades com movimento, desenho e criação coletiva de narrativas inspiradas nas obras expostas.
Para além dos destaques institucionais, o Lisbon Art Weekend procura funcionar como um ponto de articulação entre os vários intervenientes da cena artística lisboeta. A organização sustenta que o encontro direto com obras, artistas e espaços pode contribuir para uma maior visibilidade da criação contemporânea, tanto junto do público nacional como internacional.
Fotos: Bruno Lopes
