Os Lenços de Namorados do Minho obtêm reconhecimento europeu, reforçando a proteção do saber-fazer artesanal português.
Os Lenços de Namorados do Minho tornaram-se o primeiro produto artesanal português a obter registo como Indicação Geográfica (IG) ao abrigo do novo regulamento europeu aplicável a produtos artesanais e industriais. Com esta classificação, estas peças passam a beneficiar de proteção jurídica em todos os Estados-Membros da União Europeia, ficando salvaguardadas contra imitações, utilizações indevidas e contrafação.
O reconhecimento enquadra-se no sistema europeu de indicações geográficas recentemente alargado a produtos não agrícolas, destinado a proteger bens cuja qualidade, reputação ou características estejam diretamente associadas à sua origem geográfica. À semelhança do regime já existente para produtos agrícolas e alimentares, este instrumento procura garantir a autenticidade e valorizar o saber-fazer tradicional ligado a territórios específicos.
No caso dos Lenços de Namorados do Minho, o registo formaliza a ligação entre estas peças e a região do norte de Portugal onde têm origem, bem como a tradição artesanal que lhes está associada. Estes lenços bordados, historicamente ligados aos rituais de namoro, permanecem como uma expressão reconhecida da cultura popular portuguesa. Tradicionalmente produzidos em linho ou algodão, eram bordados por jovens mulheres que, através de motivos decorativos e inscrições, manifestavam os seus sentimentos amorosos. A oferta do lenço constituía, assim, uma forma simbólica de declaração afetiva dirigida ao destinatário.
Desde a entrada em vigor do regulamento europeu, a 1 de dezembro de 2025, Portugal destaca-se como o país com maior número de candidaturas submetidas ao Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO) neste domínio, totalizando 39 pedidos.
Foto: INPI
