Lagar do Cais – Quando a demora pode estragar a experiência

Foi no âmbito de mais uma edição do Restaurant Week que tivemos oportunidade de conhecer mais um restaurante: Lagar do Cais.

Este é um espaço que se aliou pela primeira vez à iniciativa. Inaugurado em abril de 2015, o Lagar do Cais mudou de conceito em outubro do ano passado, passando de uma casa de petiscos para um “verdadeiro” restaurante, onde, além da gastronomia portuguesa, se contam pratos com influências de outras cozinhas.

Feita a marcação no site do TheFork (também é possível fazê-lo na app) para o período do jantar, às 21h, bastou confirmar no dia anterior da reserva. Até aqui tudo impecável.

No dia seguinte, chegámos ao restaurante à hora combinada (recomenda-se irem de transportes dada a dificuldade de estacionar na zona). Fomos prontamente recebidos e indicados para uma mesa. Sentados, reparamos no interior, bem acolhedor: paredes em pedra forradas a tijolo de burro que simulam um lagar, tetos em abóbadas e mesas altas feitas de pipas. Tudo isto aliado a um iluminação baixa cria um ambiente cosmopolita. Gostámos.

Passaram uns minutos e começámos a aperceber-nos da demora em trazerem o Menu Restaurant Week, apesar do restaurante não estar totalmente cheio. Contámos umas quatro mesas vazias. Eram 21h15 quando, finalmente, nos trouxeram o menu.

Fomos rápidos a escolher. Novamente demoraram algum tempo a recolher o nosso pedido, mas também nos avisaram que os pratos iam demorar a chegar à mesa, uma vez que tínhamos chegado na hora em que existia um pico nos pedidos. Aconselharam-nos couvert, mas arriscámos começar somente pelo aperitivo.

Entretanto, e enquanto a comida não chegava, pedimos uma Sangria de Espumante com Frutos Vermelhos, daquelas que leva o típico licor/xarope para dar aquele doce extra. No nosso caso gostámos, mas nem todos vão apreciar este toque extra de doçura.

Esperámos, esperámos… 45 minutos após termos chegado ao restaurante, lá nos serviram o aperitivo: uma Bola de Alheira para cada. A verdade é que foram, provavelmente, as melhores bolas de alheira que já comemos. Notava-se que eram caseiras, feitas de raiz na cozinha, não sendo daquelas que se tiram do congelador. Mas nada justifica tamanha demora para nos servirem um aperitivo.

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Eram 22h, ou seja, uma hora depois de termos chegado, quando nos serviram as entradas: Estaladiço de queijo de cabra (queijo de cabra, massa filo, espinafres, tomate cherry e nozes caramelizadas) e Novilho na frigideira acompanhado de puré. Um claro vencedor nesta última entrada, uma vez que o Estaladiço de queijo de cabra não estava assim tão estaladiço quanto isso e o sabor do espinafre destacava-se demasiado em relação ao queijo de cabra. O novilho, por sua vez, estava no ponto: bem cozinhado e saboroso.




20 minutos depois, lá chegam os pratos principais. E aqui optámos pelo mesmo prato: Magret de Pato (constituído por peito de pato, molho de amendoim, triguilho e frutos secos).

Importante realçar que preparar um bom Magret de Pato tem a sua complexidade. Basta não ficar no ponto que a carne ressente-se logo. Felizmente, não foi o que aconteceu. Apesar de não ter sido o melhor Magret de Pato que já comemos (embora tenham dito que era o ex-libris da casa), a verdade é que estava ótimo no que toca à sua preparação.

Em todo o caso, espantou-nos a forma como este Magret de Pato foi servido: num prato, somente com o pato regado com molho; no outro prato, o triguilho e frutos secos. Para quem não está a par, triguilho é um grão antigo do Médio Oriente que não cresceu e que passa por um processo de cozedura, sendo depois seco e finalmente moído. No final, a sua aparência ora faz lembrar grãos de arroz desfeitos, ora faz lembrar cuscuz de grandes dimensões.

O objetivo final é ter dois pratos distintos, mas que se complementam. E acaba por funcionar. Se provarmos apenas o Magret de Pato por si só, vem-nos aquele sabor característico; já se juntarmos com o triguilho acontece uma explosão de sabores.

Ainda assim, a nível de sabor, o pato não se destacou assim tanto. Talvez o molho de amendoim pudesse ser substituído por outro. Mas no geral foi um prato que passou no nosso teste.

Eram 22h45, ou seja, quase duas horas após termos chegado, quando nos serviram as sobremesas: Cheesecake de mel e queijo da serra (Mascarpone, mel, queijo da serra, sésamo, uvas e espumante) e A Ilusão de pastel de nata (creme de pastel de nata, massa folhada, crumble e gelado de canela).

Começando pelo Cheesecake de mel e queijo da serra, quem não reparar nos ingredientes que evidenciam esta sobremesa rapidamente terá uma surpresa assim que chegar à mesa: é que tem mascarpone, com aquele travo tão característico que nem todos os amantes de cheesecake vão gostar. De resto, todos os sabores conjugaram na perfeição.

Quanto à Ilusão de pastel de nata, tem precisamente este nome porque de pastel de nata não tem nada, mas o sabor faz lembrar esta sobremesa. Com diferentes camadas, e perfeitamente equilibrado, não chegando ao ponto de ser enjoativo, esta é uma sobremesa que não vai desiludir.

No final de tudo, e apesar dos vários pedidos de desculpa de André Ribeiro, um dos responsáveis do espaço, a refeição acabou por nos deixar um amargo sabor na boca. A comida estava boa, não desapontou, mas o longo tempo de espera é precisamente um dos pontos que faz com que os clientes não queiram regressar ao Lagar do Cais.

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