La Casa de Papel e The Handmaid’s Tale: o poder dos símbolos e das causas

Tanto uma série como a outra têm uma preferência clara pela cor vermelha. Mas quando olhamos para além da superfície, percebemos que há muito mais em comum: La Casa de Papel (disponível na Netflix e renovada para uma quarta temporada) e The Handmaid’s Tale (disponível no NOS Play) lutam pela ideia de liberdade face ao sistema. E o que é o sistema? É o que cada um quiser que seja. Não importa qual seja a luta ou o ideal, só é preciso que exista um poder opressor e um conjunto de pessoas dispostas a enfrentá-lo.

Na La Casa de Papel, o Professor representa o idealismo duma causa pessoal, a luta contra um sistema que destroçou o pai, enquanto Berlim simboliza a lealdade e a abnegação da própria vida em nome de algo maior. Quanto ao resto do bando, o que os move é a ambição, o que, por si só, não é nada de louvável ou honroso.

Todavia, à medida que o plano avança, as próprias vidas passam a depender das vidas dos seus companheiros e a ambição passa para segundo plano. Nos momentos de ameaça, o que interessa realmente é a coragem e a loucura de arriscar a vida porque, ironicamente, essa é a única forma de a preservar. E são estes momentos que nos fazem sentir a comoção de estarmos a presenciar algo aparentemente grandioso.

Os fatos vermelhos e as máscaras de Dalí tornam-se símbolos. O mundo da ficção cruza-se com as frustrações da vida real e os símbolos tornam-se armas de protesto. E, nós espetadores, imergidos numa história que não é a nossa, tornamo-nos recrutas duma vontade maior que nos incentiva a esperar pelo próximo episódio de forma religiosa.

De forma similar, The Handmaid’s Tale também nos faz esse convite. Sem nos apercebermos, somos encorajados a participar na jornada da June (Elisabeth Moss), uma vítima que se vai transformando em heroína porque não tem outra opção. A luta pela libertação das vítimas de Gilead, incluindo a filha, são as únicas coisas que a impedem de cometer suicídio.

Sem um objetivo pelo qual lutar, a auto-preservação não faz sentido, pois continuar a viver é continuar a sofrer. June ergue-se perante um sistema ditatorial diabólico porque sendo a morte o seu fim mais provável, é melhor morrer a tentar do que simplesmente morrer.

Embora considere The Handmaid’s Tale uma série mais rica do que La Casa de Papel, ambas fazem um bom trabalho no uso de símbolos como elementos de atração. Ambas sabem construir uma alegoria em torno dos figurinos sem os sufocar com um significado demasiado circunstancial. Tanto o macacão de La Casa de Papel como a capa vermelha das Handmaids são capazes de preservar a sua força ficcional sem comprometer a sua mensagem no campo real, caso os espetadores lhe decidam dar esse uso.

Sendo assim, termino este texto com uma questão: O que é que tem mais impacto no espetador, o amor entre duas personagens ou o amor das personagens por uma causa?

Foto de: Calla Kessler

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