Análise – Kunai

Diretamente da Holanda, pelas mãos da pequena equipa da TurtleBlaze, chega ao PC e Nintendo Switch um novo jogo de ação, Kunai.

Inspirado no género metroidvania e com um registo visual reminescente dos tempos do Game Boy (antes de ganhar cores), Kunai coloca-nos no corpo de um pequeno robô com cabeça de tablet na luta contra hordas de outros robôs que dominam este mundo pós-apocalíptico. Na nossa jornada temos acesso a uma katana e um par de Kunai, que servem de base à jogabilidade viciante e divertida.

Os kunai funcionam como ganchos que podemos atirar contra uam variedade de superfícies, permitindo a navegação entre plataformas, níveis e até como ferramentas para a nossa estratégia de combate.

Kunai

É na sua jogabilidade onde Kunai brilha. Enquanto que estes ganchos tornam a navegação pelas várias áreas do jogo e os combates extremamente satisfatórios, o uso da katana e outras armas, como estrelas ninja e armas automáticas, tornam a estratégia de combate mais profunda e divertida se de explorar. Ao longo do jogo vamos descobrindo novas ferramentas e colecionando moedas para evoluir as armas e ferramentas, dando aquela sensação de progressão necessária para continuar a jogar.

O mesmo não se pode dizer da design e do recheio dos níveis. Inspirado em clássicos de metroidvania, Kunai é um jogo com grande foco na exploração, na procura de segredos e da passagem correta para o nível seguinte. Há um enorme esforço em tentar manter-nos no caminho correto, seja com a interação com personagens secundárias ou com portas temporariamente fechadas, mas até termos acesso a um mapa, e mesmo com o acesso ao mesmo, é muito fácil perdermos o norte ao jogo ou registar na nossa memória zonas e locais de um nível por onde já tenhamos passado.

Em parte, isto deve-se à escolha dos adoráveis visuais old-school, com paletes de quatro cores que vão alterando de nível para nível, e, por outro, não só pela falta de elementos identificativos fáceis de memorizar e falta de explicação de uso de algumas mecânicas que ajudam na navegação, mas principalmente pela forma pouco intuitiva com que alguns níveis nos fazem andar para trás.

Kunai

Neste tipo de jogos, a exploração costuma ser satisfatória quando, no fim de um caminho, intercetamos uma zona já passada ou quando nos é oferecido algo em troca. Em Kunai é frequente bater com o nariz em zonas fechadas demasiado cedo, causando, por vezes, confusão no caminho a tomar.

A falta de um sistema de fast travel é também algo que se faz sentir com alguma frustração, especialmente quando nos afastamos demasiado da zona de interesse ou fugimos dos nossos objetivos, e a colocação de pontos de controlo para quando perdemos também parece ser bastante penalizante para nos motivar a continuar a jogar.

A jogabilidade, apesar de divertida e satisfatória, faz um bom serviço a manter-nos investidos até se tornar repetitiva. Com inimigos a tornarem-se rapidamente familiares e bosses muito fáceis de eliminar, a nossa jornada de meia dúzia de horas com Kunai é, sem dúvida, uma aventura divertida, mas pouco memorável ou digna de recomendar.

Nota: Bom

Plataforma: PC e Nintendo Switch
Este jogo (versão para PC) foi cedido para análise pela Cosmocover.

Com uma apresentação old-school bem adorável e uma jogabilidade bastante divertida, Kunai perde rapidamente o seu brilho, num metroidvania com uma navegação pelos níveis pouco intuitiva e desinteressante.

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