Joana Espadinha – A celebração

Joana Espadinha não é, felizmente, um nome desconhecido na pop portuguesa. Apesar da sua presença nos Happy Mess, a razão deste facto prende-se com “Leva-me a Dançar”, single em nome próprio, que nos tomou de assalto em 2018, uma canção exemplar, fruto de uma melodia eficaz e letra bem orelhuda. Foi um bom prenúncio ao álbum, O Material Tem Sempre Razão, lançado meses depois.

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Ao final de um ano de concertos, o culminar deu-se no Villaret. Uma celebração que foi motivo para convidados especiais, Benjamim – que produziu o álbum –, Samuel Úria – confesso fã de Joana Espadinha – e ainda o irmão desta que acompanhou à guitarra acústica algumas das canções.

O início das hostes foi o espelho do álbum com “Jogo das Cadeiras”, um exercício que mostrou um grupo coeso, transpondo a obra sem fugir ao álbum com uma ótima performance. “Pensa Bem”, outro single, outra canção muito bem conseguida, alimenta a atenção por esta pop viciante tendo, no entanto, dado asas a um momento cómico fruto da reação de Joana Espadinha ao notar que o seu teclado estava fora de nota e jocosamente concluiu que o material tem sempre razão. “Contramão” e “Vai Ser Melhor” (canção que, notou Joana Espadinha, foi escrita sobre o sofrimento de mulheres vítimas de violência doméstica) seguiram-se na mostra da pequena, mas muito boa, obra da cantora.

Fomos depois presenciados com a apresentação de “Queda Para a Desgraça”, uma canção nova e que deveria ter sido um dueto com Luísa Sobral – que não pode estar presente – foi cantada então a par com Margarida Campelo, teclista da banda, dando azo a um bom resultado. “Sem Emenda”, “Mais Uma Estrada”, a já tão esperada “Leva-me a Dançar” e “Zero a Zero”, obra de Benjamim e Joana Espadinha para o Festival da Canção, foram aumentando a boa disposição e vontade de ouvir mais.

Que noite maravilhosa! Muito obrigada a todos os que vieram fazer a festa connosco, estou muito feliz! Obrigada aos…

Publicado por Joana Espadinha em Quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Seguiu-se a canção que dá nome ao álbum para nos cativar ainda mais (como se tal fosse preciso) e “Ao Seu Dispor”, peça do álbum Avesso (2014), uma sátira despretenciosa – palavras da autora – ao entretenimento, que nos dá um primeiro piscar de olhos ao primeiro álbum, relevante, de Joana Espadinha. As surpresas da artista continuaram, desta vez com a presença de Samuel Úria, com a sua assinalável “Lenço Enxuto”. Ainda houve espaço para uma versão de “Estou Além” do grande António Variações.

Aproximávamo-nos do final, que ainda nos trouxe “Qualquer Coisa”, último single a ser lançado recentemente, uma versão a cappella de “Voo Raso” cantada com o público e, como não poderia deixar de ser, “Leva-me a Dançar” com a presença de todos os convidados e o público todo de pé, literalmente, a dançar fecharam uma noite muito bem passada.

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