Hinds no Musicbox: Mais maduras do que nunca

A fila na entrada do Musicbox comprovou a nossa expetativa para o concerto esgotado das madrilenas Hinds. Ocupámos o nosso lugar perto do palco atravessando o público que se vestiu com padrões tropicais, cores vibrantes e animadas maquilhagens. Sentia-se a agitação positiva de todos. Era sexta-feira e estar ali foi a forma ideal para purgar a semana cinzenta que ali terminava.

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Pouco antes das 23h, as quatro jovens entravam sorridentes. Saudaram a plateia e começaram o espetáculo com uma música instrumental. Enquanto tocavam encararam o público com atitude. A energia dos que as esperavam, antes agitados e faladores, transformou-se em silêncio.

Com “Soderland”, do álbum I Don’t Run lançado em abril passado, a aguardada festa começou. Logo de seguida, Ana Perrote e Carlota Cosials, as duas vocalistas da bada, trocam um beijinho na bochecha e ouvem-se as primeiras notas de “Chili Town”, música do álbum Leave Me Alone, de 2015.

As primeiras palavras trocadas com o público selaram um pacto – “ou falamos inglês ou espanhol… hablamos Portuñol!”. Entre risos e uma conversa breve para aprenderem a dizer “seista feeirah”, prometeram tocar músicas novas e alguns clássicos, como “San Diego”, que foi de imediato reconhecida pelo público. De seguida “Spanish Bombs”, dos Clash, tocada com fervente energia abriu caminho para “British Mind” e “Easy”.

A autenticidade na forma como as Hinds comunicam entre si e se divertem em palco é contagiante. Era esta a energia e jovialidade que todos os que fizeram parte daquela noite procuravam. Em vários refrões, a banda foi acompanhada pela plateia e, em músicas como “Garden”, bastaram os primeiros acordes para aumentar a festa.

Suavemente tocaram “Linda”, que embalou os corpos que se derretiam com a doçura e personalidade de cada uma das jovens. Referiram que “The Club” é a canção mais triste do seu repertório, mas, ainda assim, das mais conhecidas do álbum deste ano. E com “Tester” convidaram todas as miúdas da primeira e última filas para dançar.

Saltámos para o universo punk-doce com “Rookie” e sem demoras mergulhámos em “Bamboo”, de 2014, uma das mais antigas do grupo. Ana Perrote e Ade Martin (baixista) soltaram movimentos leves e muito expansivos enquanto “Finally Floating” lhes saía das mãos e voz. Foi uma das músicas mais prazerosas ao vivo, prova disso foi a forma como o público as acompanhou na frase sonante “I need to stay awake tonight”. Enquanto respiravam da euforia de “Finally Floating”, perguntam ao público se conhecem “Davey Crockett”, para, logo depois, Ana entrar para a plateia onde canta o clássico de 2015 entre telemóveis e muitos saltos.

Abandonam o palco e ouve-se “Always Look on the Bright Side of Life”, dos Monty Python, e o público ficou receoso de que a demora não trouxesse o quarteto de volta à alegria deixada na sala.

Entre assobios e uma dança coordenada, as quatro aparecem, agradecendo ao público o carinho. Ana, Carlota e Ade pousam para uma foto lado a lado, projetando as suas sombras na tela de padrão tipo leopardo com uma impressão rosa onde se lia Hinds. A banda sabe o impacto que a sua doçura, beleza e atitude girl power tem sobre os seus seguidores e seguidoras.

A música de ambiente latino-espanhol “Castigadas En El Granero”, de 2015, enche novamente a sala de som. Preparam a despedida com “New For You”. Agradecem mais uma vez a escolha do público e gritam “Viva Portugal” enquanto se despedem.

A calma e a felicidade que ficaram naqueles segundos após tão caloroso momento prova que as Hinds são daquelas bandas que ganham dimensão pela forma como tocam. A performance do seu espetáculo deve-se também à maturidade ganha pelas tours dos últimos anos. Foram, sem dúvida, um raio de sol na noite meio chuvosa do Cais do Sodré.

Texto por: Joana Domingues; Fotos de: Carlos Mendes

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