Helitransporte do INEM em risco com escalada do preço dos combustíveis

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Empresa que assegura os helicópteros do INEM pede apoio ao combustível e alerta para risco de sustentabilidade da operação.

A Gul Med Aviation Services, empresa que assegura o transporte aéreo de emergência médica para o INEM, alertou para o risco de sustentabilidade da operação devido ao aumento abrupto e acentuado dos custos com combustíveis, pedindo ao Governo a sua inclusão nos apoios públicos já atribuídos a outros setores críticos do socorro.

Segundo Simon J Camilleri, presidente executivo da Gul Med, a empresa tem absorvido custos que “ninguém podia prever quando o contrato foi celebrado”. Desde o arranque da operação, em julho de 2025, o preço do combustível de aviação (Jet A1) subiu cerca de 80%, enquanto a atividade dos helicópteros de socorro cresceu, em média, 35% em horas de voo mensais.

À Agência Lusa, o responsável destacou ainda que a operação noturna ganhou um peso muito superior ao inicialmente previsto, obrigando a abastecimentos em horários sujeitos a taxas extraordinárias e agravadas. Este cenário pressiona não só os helicópteros, mas também o abastecimento dos veículos de apoio, as deslocações das tripulações e toda a logística necessária para manter equipas em permanência em quatro bases, afastadas das suas residências.

Nos primeiros oito meses do ano, os quatro helicópteros do dispositivo acumularam 1.285 horas de voo, quase o dobro das 715 horas registadas no mesmo período de 2025 (considerando o arranque em julho desse ano). A base de Évora foi a que mais operou, com 420 horas, face às 250 horas do ano anterior.

Em termos de missões, o serviço realizou 454 intervenções no ano passado. Este ano, até ao final de agosto, já somava 980 missões: 745 de dia e 232 de noite. As missões noturnas, em particular, dispararam face às 35 registadas em 2025. No mesmo período de oito meses, os helicópteros transportaram 635 doentes, mais do que o dobro dos 308 pacientes evacuados em 2025.

A Gul Med sublinhou que o helitransporte de emergência médica não só é o único meio de socorro excluído dos apoios públicos relativos ao aumento do preço dos combustíveis, como também o que mais combustível consome por hora de operação.

A operação começou ao abrigo de um ajuste direto com o INEM, no valor de cerca de quatro milhões de euros, entre julho e outubro de 2025. A partir de outubro, passou a vigorar o contrato de 77,5 milhões de euros, resultante de um concurso público internacional, que prevê um dispositivo de quatro aeronaves disponíveis 24 horas por dia.

Com a escalada dos preços, o Jet A1 custa atualmente 1,90€ por litro. Na fase de apresentação de propostas do concurso público, em dezembro de 2024, o preço estava em 1,04€/litro; no início da operação, já tinha subido para 1,34€/litro. A grande problemática aqui, para a Gul Med, é que este contrato, ao contrário de muitos outros de menor duração, não inclui qualquer mecanismo de revisão de preços.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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