Gasolina, gasóleo e combustível de aviação registaram aumentos de consumo em julho.
A subida dos preços dos combustíveis continua a pressionar os orçamentos das famílias e das empresas, mas os números mais recentes mostram que o aumento dos custos não se traduziu, para já, numa redução do consumo. Dados da Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) indicam que, em julho, tanto a gasolina como o gasóleo registaram crescimentos face ao mesmo mês do ano anterior.
Segundo os números divulgados, o consumo de gasolina aumentou 4,3% em termos homólogos, enquanto o consumo de gasóleo subiu 2,2%. Também o combustível utilizado na aviação comercial, o jet fuel, apresentou uma evolução positiva, com um crescimento de 1,1%. Os dados assumem especial relevância porque surgem num contexto de forte aumento dos preços praticados nos postos de abastecimento. Em comparação com o período homólogo, os consumidores encontraram valores significativamente mais elevados nas bombas, cenário que, à partida, poderia conduzir a uma redução da procura.
No entanto, os números de julho mostram uma realidade diferente. Apesar dos custos acrescidos associados à utilização do automóvel e às deslocações profissionais e pessoais, os portugueses continuaram a abastecer em maiores quantidades do que no ano anterior.
O comportamento dos consumidores poderá estar relacionado com a reduzida margem de substituição que existe em muitos trajetos diários. Para uma parte significativa da população, sobretudo fora dos grandes centros urbanos, o automóvel continua a ser o principal meio de transporte para deslocações para o trabalho, escola ou serviços essenciais, tornando difícil uma redução significativa do consumo. O aumento registado no jet fuel sugere igualmente que a atividade ligada ao transporte aéreo se manteve dinâmica durante o período analisado, acompanhando a procura por viagens e deslocações.
Ainda não existem dados referentes a agosto e setembro, meses habitualmente marcados por um maior volume de viagens devido às férias de verão e ao regresso à rotina laboral e escolar. Contudo, os resultados de julho indicam que a subida dos preços dos combustíveis não teve, até ao momento, um impacto suficiente para inverter a tendência de crescimento do consumo.
Os próximos meses serão determinantes para perceber se a continuação da pressão sobre os preços dos combustíveis poderá alterar os hábitos dos consumidores ou se a procura por combustíveis se manterá resiliente apesar dos custos mais elevados.
