Antevisão – Graven (Early Access)

Dos criadores de Wrath: Aeon of Ruin chega-nos mais um jogo de ação na primeira pessoa em Early Access e com imenso potencial.

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O fenómeno Early Access continua a ser uma ponte essencial para muitos estúdios independentes. A promessa da evolução, melhoria e crescimento de um projeto com a ajuda do público, que ativamente testa e comenta o videojogo em questão, cria uma noção de colaboração que raramente vemos nas altas produções. É verdade que o formato nem sempre funciona e existem demasiados casos onde as produtoras exploraram vilmente este lançamento faseado, mas quando a abordagem é correta e o empenho dos estúdios nunca vacila, cria-se o cocktail perfeito para uma entreajuda que dá aos produtores independentes, às vezes até a solo, a oportunidade de concretizarem o sonho de lançarem um videojogo.

Por outro lado, e aqui fazendo a ponte para Graven, somos também relembrados dos primórdios do shareware, dos lançamentos individuais em episódios, muitas vezes por correio, onde os jogadores tinham a oportunidade de experimentar um trecho do jogo antes de o comprar. O Early Access constrói-se sobre essa base, mas coloca os jogadores num papel mais ativo no que toca à construção de um projeto, não só financiando o desenvolvimento, mas também reportando a sua opinião sobre o jogo e os seus possíveis problemas. É interessante reencontrarmos a 3D Realms, que nos trouxe Duke Nukem 3D e Ion Fury no passado, neste sistema tão próximo do seu ADN.

Graven, desenvolvido pela Slipgate Ironworks, chega ao Early Access num primeiro contacto muito positivo. Com inspirações em clássicos do género, onde seria impossível não destacar Hexen e Heretic, este futuro clássico do género de ação transporta-nos para um mundo de magia negra, peste e criaturas monstruosas onde o foco na movimentação, num leque de armas peculiares – que se focam maioritariamente em magias e armas físicas – e no combate corpo a corpo é enaltecido por uma estrutura mais próxima de um Immersive Sim, apresentando níveis extensos, repletos de caminhos e segredos, mas também um sistema de missões secundárias que tornam esta experiência propositadamente clássica em algo mais atual e refrescante.

graven early access

Neste primeiro episódio, que marca o lançamento em Early Access, temos a oportunidade de explorar a cidade de Cruxfirth, que serve de HUB, e aventurar-nos por todas as zonas ao seu redor. Cruxfirth é suficientemente extensa para termos vontade de conhecer todos os seus recantos, mas a Slipgate Ironworks apostou numa progressão mais controlada e vedou partes da cidade associadas a missões específicas. Sentimos que estamos a recuperar uma cidade afetada pela peste, de missão a missão, com novos caminhos, lojas e atividades secundárias a surgirem à medida que exploramos as suas zonas. Não é o equivalente a um jogo em mundo aberto ou até à estrutura que vimos nos mais recentes Deus Ex, mas é um meio termo interessante e que funciona devido ao seu foco na ação e na exploração, nunca condicionando o tempo dos jogadores ou fingindo que tem mais para mostrar do que aquilo que tem na realidade.

Não quero estar preso a comparações fáceis, mas realmente é difícil não fazer a ponte para Hexen II e os seus níveis mais expansivos, pois a Slipgate Ironworks parece ter-se inspirado diretamente neste clássico da Raven Software. Ainda que a progressão seja mais controlada em Graven, a verdade é que as zonas em redor de Cruxfirth assumem um formato mais aberto e com várias abordagens de combate, exploração e até de puzzles, que nunca deixam os jogadores de mãos vazias. É raro não encontrarmos um atalho, uma arma ou uma peça narrativa sempre que exploramos e isso ajuda a criar um maior mistério e envolvimento no mundo de Graven.

Esta exploração só é prejudicada, na minha opinião, pelo sistema de gravação e a obrigatoriedade de regressarmos à cidade sempre que saímos da partida. Graven parece ter algumas inspirações nos roguelikes, já que só grava a campanha quando terminamos uma missão ou regressamos à cidade, e senti que isso não ajuda a longo prazo. Não é bom sentirmos que estamos constantemente a repetir as mesmas zonas, com os mesmos inimigos e desafios, porque o jogo não quer dar-nos a opção de gravar onde estamos. O facto de as zonas estarem equilibradas no que toca ao seu tamanho e level desing, nunca assumindo um desenho demasiado complexo, suaviza a repetição, mas nunca me senti satisfeito com a sua estrutura atual e espero que seja revista antes do lançamento final.

graven early access 2

No que toca ao combate, à movimentação e fluidez da jogabilidade há muito pouco a apontar a Graven, assumindo-se como um jogo já muito polido, divertido e até desafiante. A variedade de inimigos é satisfatória, ainda que os mortos-vivos cansem devido ao seu desenho e padrões demasiado coreografados, as armas têm impacto e são intuitivas de utilizarmos, e até existe um pequeno, mas interessante sistema de mecânicas que dão alguma profundidade à jogabilidade, revelando também a sua natureza mais imersiva. Se o combate mantém a filosofia estratégica e de movimentação dos clássicos, agora munido por uma barra de stamina que nem sempre funciona – pois gasta-se rapidamente e não senti a sua justificação mecânica em jogo –, já o mundo torna-se mais vivo quando podemos, por exemplo, usar caixas para combatermos ou criarmos plataformas, queimarmos madeira para atacarmos inimigos ou utilizar água para revelar locais anteriormente inacessíveis pelo fogo. É um formato sistémico muito suave, mas que permite ao jogador criar mais estratégias e momentos de ação/criatividade do que noutro título do género.

Apesar de ainda estar longe do seu lançamento final, Graven mostra um potencial impossível de ignorar e tem os alicerces para ser uma das melhores experiências dentro do seu género. É um equilíbrio muito saudável entre combate e exploração, face à suas ambições, onde podemos destacar o seu estilo visual próximo dos clássicos do género – com modelos pixelizados, mas em alta definição –, mas existem ainda certos aspetos que precisam de ser limados. Fica, no entanto, a curiosidade para ver qual será o futuro de Graven e que novas zonas serão apresentadas nos próximos episódios.

Cópia para cobertura cedida pela 1C Publishing EU

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