Garum é retirado dos tanques das Ruínas Romanas de Tróia

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Algo realizado pela primeira vez em mais de quinze séculos.

As Ruínas Romanas de Tróia e o restaurante CAN THE CAN iniciaram – pela primeira vez em mais de quinze séculos – uma produção de Garum num dos tanques de salga de peixe deste complexo arqueológico.

O lançamento da produção do garum feito com sardinha fresca de Setúbal teve lugar a 26 de maio. Passados mais de cinco meses, o garum está finalmente pronto e será retirado do tanque no sábado, dia 6 de novembro, pelas 14h.

O evento decorrerá nas Ruínas Romanas de Tróia e será a oportunidade para provar o mais famoso condimento do Império Romano, produzido outra vez em terras lusitanas. O produto obtido será depois comercializado pelo restaurante CAN THE CAN.

A iniciativa partiu do restaurante CAN THE CAN que, através do projeto SELO DE MAR (centro de investigação que abrirá portas ainda este ano em Setúbal) conduzido pelo designer e investigador Victor Vicente e o chef Pedro Almeida, pretende estudar e recuperar as técnicas de conservação de pescado e inovar a partir da tradição, em colaboração com o TROIA RESORT e a sua equipa de arqueologia das Ruínas Romanas de Tróia, liderada por Inês Vaz Pinto.

A designação de Garum é normalmente utilizada para definir molhos de peixe líquidos que servem para condimentar outros alimentos, tal como o reputado garum de época romana.

Altamente proteico, o Garum tem um sabor umami e era usado como condimento e para aumentar a intensidade do sabor dos alimentos, sendo muito apreciado no passado. Podia ser feito a partir de diversos tipos de peixe, tais como a anchova, a cavala, o atum, a moreia e outros, que determinavam a sua qualidade e o seu preço. Em Tróia, foram encontrados principalmente vestígios de sardinha, razão da escolha desta espécie para esta produção, além do simbolismo que a mesma representa para Portugal.

As Ruínas Romanas de Tróia foram o maior centro industrial de salgas de peixe do Império Romano, localizado na península de Tróia, na margem sul do estuário do Sado, a poucos quilómetros de Setúbal. Este sítio arqueológico é Monumento Nacional desde 1910 e está inscrito, desde 2016, na Lista Indicativa Portuguesa do Património Mundial.

O CAN THE CAN abriu em 2012, no Terreiro do Paço, em Lisboa, com um conceito único no mundo de promover a indústria conserveira nacional.

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