Fortnite voltou à App Store da Apple em praticamente todo o mundo, com exceção da Austrália, numa altura em que a Epic Games acredita que os tribunais norte-americanos poderão obrigar a Apple a revelar em detalhe as taxas cobradas na plataforma.
A Epic Games relançou o Fortnite na App Store do iOS em quase todos os seus mercados, incluindo os Estados Unidos – onde já estava desde 2025 – e a União Europeia – onde estava desde 2024 disponível apenas através da aplicação nativa da Epic Games -, depois de a Apple ter informado o Supremo Tribunal norte-americano de que os reguladores internacionais já acompanham o caso para determinar quais as comissões que podem ser cobradas em compras realizadas fora da App Store, uma vez que editora considera que a futura divulgação desses custos poderá fragilizar o atual modelo de taxas aplicado pela fabricante do iPhone.
O conflito entre as duas empresas começou em 2020, quando a Apple removeu Fortnite da App Store após a Epic introduzir um sistema de pagamentos alternativo destinado a evitar as comissões cobradas pela plataforma. O caso transformou-se rapidamente numa das disputas judiciais mais relevantes da indústria tecnológica nos últimos anos, relacionada com o controlo das lojas digitais e dos sistemas de pagamento móveis.
De acordo com a Epic Games, a Apple está consciente de que os tribunais federais norte-americanos poderão forçar uma maior transparência relativamente às taxas aplicadas na App Store. A empresa acredita que, assim que forem conhecidos os custos reais associados ao funcionamento da plataforma, os vários reguladores internacionais terão mais argumentos para contestar aquilo que a Epic Games considera como “taxas excessivas” impostas aos programadores.
Apesar do regresso global de Fortnite ao iOS, a Austrália continua excluída dos planos a curto prazo da Epic. A editora recorda que um tribunal australiano concluiu recentemente que algumas condições impostas pela Apple aos programadores eram ilegais, mas acusa a tecnológica de continuar a aplicar essas regras. Assim, a Epic Games afirma que não irá regressar à App Store australiana enquanto existirem condições de pagamento consideradas ilegais.
Tim Sweeney, CEO da Epic Games, descreveu este momento como uma “batalha final” do processo entre as duas empresas, ao afirmar que a Apple fragmentou as regras e comissões do iOS dependendo dos territórios, ao longo dos últimos anos, enquanto atrasava alterações ao funcionamento da App Store através de negociações regulatórias e processos judiciais.
A Epic Games Store continua também a expandir-se para novos mercados, tendo chegado recentemente ao Japão após a entrada em vigor da Mobile Software Competition Act e estando já disponível no iOS para utilizadores da União Europeia desde setembro de 2024.
