Pensado e desenhado para ser um espaço de partilha, o Tráfico é um espaço versátil e dinâmico, e onde se come muitíssimo bem.
Em setembro do ano passado, tive a oportunidade de ir conhecer, em Lisboa, através do Echo Boomer, o restaurante Tutto Passa, na altura o mais recente espaço italiano da cidade. Este não é um espaço qualquer, pois ocupa todo o último piso do LACS Conde de Óbidos, tendo substituído o Zazah Good View.
O Tutto Passa era a mais recente aposta dos empresários Joana e Pedro Neto Rebelo, conhecidos pelos restaurantes Espada e Taquerias, entre outros, e que resolveram apostar num restaurante italiano. Na verdade, os responsáveis estão sempre à procura de espaços novos, para novas oportunidades. Aliás, e aquando dessa nossa visita ao Tutto Passa, logo ficámos a saber que, para breve, estava previsto um novo restaurante: Tráfico. E, claro, tivemos de ir conhecer.
Localizado nas Docas de Lisboa, com uma belíssima vista para o Tejo, o Tráfico, a funcionar desde outubro de 2024, distingue-se pela sua fusão de influências culinárias, evocando a história da navegação e do intercâmbio de culturas. Mas desengane-se quem acha que foi um nascimento fácil.
Como nos contaram, o espaço do restaurante, antes deste existir, estava vazio. Era um antigo armazém náutico e, como um dos sócios queria muito abrir um restaurante nas Docas, a coisa deu-se… mas demorou mais que o previsto.
Só para terem noção, o Tráfico devia ter aberto no verão de 2022. No entanto, devido a vários atrasos relacionados com obras, e aprovações de licenças, processos sempre morosos, acabou por ser um parto mais difícil que o esperado. Felizmente, o restaurante já está a funcionar a 100% e tem recebido não só imensos turistas, como portugueses, que acabam não só por almoçar por ali, como beber um copo ao final da tarde e apreciar o por do sol. Recomenda-se, também, que experimentem ir ao Tráfico durante o período noturno, pois as luzes ligadas dão outra envolvência.
O ambiente do restaurante adapta-se a diferentes momentos e preferências. No piso térreo, a sala principal conta com três bares e uma mesa de DJ, tornando-se ideal para eventos e encontros de grupo. Já no primeiro andar, um espaço mais reservado oferece vista panorâmica sobre a marina, enquanto no exterior as esplanadas Deck Terra e Deck Tejo permitem usufruir da proximidade com o rio.
Quanto ao nome, Tráfico, deve-se às influências do chef Manuel Soromenho Águas, tendo passado por países como Espanha, Inglaterra, entre outros. Portanto, a ideia é “traficar” comidas diferentes e seguir as antigas rotas marítimas.
Pretende-se, também, fazer um match entre o Tutto Passa e o Tráfico – por exemplo, há uma placa com o nome do Tutto Passa no Tráfico, e o inverso também irá acontecer. A ideia é que os clientes experimentem ambos os restaurantes, tanto que as respetivas equipas de cada restaurante irão recomendar a visita ao espaço “irmão” caso a casa esteja cheia.
“Somos traficantes de histórias e experiências, vivemos como se não houvesse amanhã, mas sabemos que o amanhã será melhor. Afinal de contas, é esta a nossa identidade e cultura mediterrânica. Da Costa Amalfi à Costa Brava, passando pela Costa Smeralda, das Baleares ao Algarve e Alentejo, recolhemos inspirações que trazemos até Lisboa. Criamos, assim, uma experiência única que promete ficar na memória de toda a gente” é a mensagem que se pode ler assim que pegamos no menu do Tráfico. E efetivamente, vai ser difícil esquecer este bom momento.
Mas vamos então ao que interessa, a comida. A cozinha, sob a orientação do Chef Manuel Águas, aposta numa interpretação contemporânea de sabores tradicionais. Por exemplo, logo nas entradas, cuja secção se chama Caminhos de Partilha, encontramos propostas bem peculiares. É o caso dos Ovos Rotos de Carabineiro, uma adaptação da receita espanhola, e as Chamuças de Leitão, que tivemos oportunidade de provar. Servidas com molho de leitão à parte, estavam bem crocantes e deliciosas, mesmo para quem não é o maior fã de leitão da Bairrada. Além disso, nunca encontrei antes chamuça de Leitão, nem em espaços dedicados a esta especialidade – na verdade, não é nada comum encontrar -, portanto foi uma ótima surpresa.
Mas há mais por aqui, muito mais, como Croquetes de Novilho, Polvo À Galega, Pica-pau de Novilho, Arroz de Enchidos, Tártaro de Novilho e Tempura de Bacalhau, que também nos chegou à mesa, numa opção servida com 4 pedaços sob uma cama de maionese, ovo cozido e salsa. E tão rápido chegou à mesa… como desapareceu.
Seguindo no menu chegamos à secção Rotas Principais, que é, como quem diz, dedicada aos pratos principais, onde há propostas como Bacalhau à Brás, Bacalhau Assado, Robalo, Açorda de Gambas, Arroz de Carabineiro, Bife Ribeye, Barriga de Porco, Bife de Alcatra, Plumas de Porco ou Smash Double Cheese Burger. Daqui, pedimos o Bife Ribeye, que não tinha como falhar, servido numa tábua já cortado em várias fatias, e o Bacalhau Assado, também um prato inconfundível, mas aqui servido… numa frigideira com asas. Com uma dose muitíssimo generosa, não só de bacalhau, como da restante guarnição, adorei a forma de apresentação, que até me fez lembrar, embora não tendo nada a ver, um ramen, pela forma como os ingredientes estão dispostos. Sem dúvida, uma opção a recomendar numa ida ao Tráfico.
A acompanhar a refeição, um Mojito (Rum, hortelã, lima e água com gás) e um Basílico (Gin, Pernod, manjericão, pimenta preta, limão e clara de ovo), sendo que este último somente é recomendado para apreciadores de Anis.
Antes de rumarmos a outras paragens, não resistimos ao Cheesecake Basco. A diferença para o cheesecake que estamos habituados a comer? É que esta versão é menos doce, não tem a base feita de bolacha/biscoito triturado, que lhe dá aquela ligeira crocância, e tem o topo queimado. Qualquer amante de cheesecake irá gostar desta versão. Mas atenção: esta versão do Tráfico vem servida num mini tacho com cabo, o que significa que dá para duas pessoas à vontade. Acreditem: no partilhar é que está o ganho.
Durante a semana, o restaurante disponibiliza um menu executivo ao almoço, pensado para quem procura uma pausa gastronómica num ambiente informal. No final da tarde, a Happy Hour oferece uma seleção de bebidas, incluindo cervejas, sangrias e cocktails clássicos.
Por tudo isto e muito mais, há razões de sobra para visitar o Tráfico. O restaurante abre portas de domingo a quinta-feira, das 12h às 00h, e às sextas-feiras e sábados, das 12h às 01h. As reservas podem ser feitas através do TheFork ou ligando para o 213961877.