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Festival Iminente – 6ª à noite em Monsanto e polémica no fim de semana

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É o festival em voga, este Iminente. E importa dizer que com boas parcerias. Bastava ver a regularidade com que em Sete Rios surgiam autocarros gratuitos até ao Panorâmico de Monsanto. Território Primavera Sound e não Super Bock Super Rock, portanto.

O final da viagem de frente para o Jardim Zoológico até ao recinto do festival mostrava largas filas para entrar ao caracol de acesso à estrutura abandonada a fazer lembrar uma versão portuguesa suave da arquitetura soviética descrita no magnífico CCCP – Cosmic Communist Constructions Photographed, de Frédéric Chaubin.

Foi neste ambiente que chegámos minutos antes da entrada no palco principal de Lonnie Corant Jaman Shuka Rashid Lynn, mais conhecido com Common. A estrela mais internacional do cartaz do Iminente 2019 entrava em palco num intervalo de bom tempo em noite instável. Auspicioso.

Conhecido pela sua versatilidade (para além de músico, já foi ator, modelo, escritor, ativista e até convidado para a Casa Branca), é o lado polido e palatável para o público de estilo trendy urbano que pululava o terreiro à frente do palco e as varandas do Panorâmico que estão para lá viradas. Foi um bom encaixe, mas o efeito dispersivo do público, com muita gente a conhecer muita gente e este ser um local e um dia onde importa ver e ser visto, prejudicaram a fruição do espetáculo e a energia vinda da multidão. Demorou um bom bocado até arranjar um sítio onde não se estivesse mal.

Mas valeu a pena o incómodo. O rapper de Chicago não chegou sozinho, como seria talvez de esperar num festival para poucos milhares, mas rodeado de banda e coro, carregado de artilharia. Há orçamento por estes lados. E para sorte dos presentes era uma grande banda – contámos seis elementos – com a musicalidade a certos momentos doce, noutros ágil, de Common, a ter sempre boa resposta, como na nova “Good Morning Love”, ou nos clássicos de Be, provavelmente o seu disco de maior impacto.

A certa altura chegou-nos à memória o concerto de Freddie Gibbs e Madlib há um mês no Vodafone Paredes de Coura, e não obstante as categorizações estilísticas semelhantes de rap, não se podia estar num espetro mais oposto em termos de espetáculo. O momento alto foi quando Common escolheu um elemento do público e, durante vários momentos, elaborou rimas sobre a jovem angolana convidada a sentar-se no palco, não sendo Lisboa esquecida. Aposta ganha dos programadores do Iminente, apesar da pena de não ter sido num ambiente mais intimista. Mas é o que é.

Tempo de intervalo para experimentar o confuso sistema de pagamentos até à chegada em cena de Mayra Andrade, outra figura em alta estima, por muitos até a cabeça de cartaz do dia. A cabo-verdiana cidadã do mundo chegava esplendorosa mas, ironia para quem tem origem na terra mártir da seca, começou a ter que enfrentar chuva forte, apesar de irregular.

Apesar da saída de alguns, bastantes outros não arredaram pé, tendo assistido a um belo show da autora de Manga, fresquíssimo do ano da Graça de 2019. Acompanhada de quatro músicos, notou-se a tarimba ganha em vários palcos que a ajudaram a enfrentar o cenário adverso. Os que ficaram acabam por ser mais fiéis, mais público, acabando por consubstanciar as virtudes deste defeito, enquanto outros iam-se abrigando no bar por debaixo da estrutura do antigo restaurante.

No final, a chuva continuava a cair, e a vontade de assistir a DJ Firmeza vacilou face ao autocarro que está à porta.

Em jeito de post scriptum, há que mencionar a polémica que estalou no dia seguinte ao fim do Iminente, com o rasto de poluição a céu aberto detetado nas imediações do recinto. Ultraje público nas redes sociais, publicações retiradas, comunicados a gerir . Há informação e contra-informação.

Verdade seja dita, não se perceberam nas horas em que lá estivemos situações fora do normal, o que como é claro é fraca amostra e que nada representa no grande esquema das coisas. À falta de conhecimento melhor da situação, espera-se que um evento com o grau evidente de respaldo das entidades públicas, assim como de engenho e organização, trate bem o espaço que ajudou a devolver à memória pública, após tanto tempo de abandono.

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