Entrevista – O regresso de Dolph Lundgren e de Ivan Drago em “Creed II”

A sequela do aclamado filme Creed, realizado por Ryan Coogler em 2015, está quase a chegar aos cinemas. Em Creed II, Michael B. Jordan volta a interpretar o papel de Adonis Creed, que se encontra agora sob a tutela do lendário Rocky Balboa, interpretado por Sylvester Stallone.

- Publicidade -

Nesta sequela, Stallone faz-se acompanhar de um amigo que, no grande ecrã, vestiu a pele de um dos maiores rivais de Rocky. Dolph Lundgren está de regresso enquanto Ivan Drago, agora também no papel de tutor e de pai de um novo rival para Adonis.

Com a chegada de Creed II aos cinemas e em parceria com MGM, o Echo Boomer teve acesso a uma entrevista com o ator sueco que imortalizou frases como “I must break you” ou “If he dies, he dies”, onde ficámos a conhecer como foi o processo de regressar ao papel de Drago, a sua preparação, as dificuldades e expetativas para este novo capítulo.

Porque é que Ivan Drago se manteve uma figura tão icónica desde que apareceu pela primeira vez em Rocky IV?

Lundgren: Drago foi um atleta de uma geração nova que treinava com tecnologias e equipamentos que, na altura, as audiências nunca tinham visto, e eu trabalhei no sentido de me transformar numa espécie de atleta “perfeito”. Ele era um super vilão, quase como o monstro de Frankenstein. Noutras formas, ele também era um guerreiro relutante porque era pressionado pelos Soviéticos.

46110469272 c06ffa3d08 b
Sylvester Stallone e Dolph Lundgren em Rocky IV

As pessoas que o cruzam na rua ainda vão ter consigo e recitam deixas do Drago, como “I must break you” ou “If he dies, he dies”?

Lundgren: Sim, especialmente agora com o lançamento de Creed II. Neste momento estou a realizar um pequeno filme em Roma onde tive que ir ao médico que me chamou “Ivan”! Como é que podia responder a isso?

Quem é que o abordou para regressar a este papel em Creed II?

Lundgren: O Sylvester Stallone e eu mantivemos sempre contacto ao longo dos anos e ocasionalmente encontramo-nos em Los Angeles. Ele tem três filhas, eu tenho duas, por isso falamos sobre isso e outras coisas.

(A certa altura) Recebi uma mensagem dele a perguntar o que achava sobre fazer novamente de Drago. Ele explicou-me que a ideia era a de explorar “os pecados dos nossos pais.” Isso pareceu-me interessante, mas fiquei com algumas dúvidas porque não queria fazer outra versão do Drago como a de Rocky IV.

Mas as minhas reservas desapareceram assim que li o guião, que mostrava um Drago bem diferente, com profundidade e que não era um símbolo político. O tema dos pecados dos nossos pais, o foco da relação de Drago com o seu filho Viktor e mesmo com o Rocky e Adonis também são bastante interessantes. E eu pensei: “wow, tenho que fazer isto.”

Foi criada alguma história de fundo para o Drago sobre o que aconteceu entre os dois filmes?

Lundgren: Normalmente tento criar uma história de fundo complexa, mesmo quando o guião já é bom. Fiquei fascinado com a queda de Drago, como ele foi vivendo, o que aconteceu ao seu casamento… Como é que lhe correu a vida ao longo destes anos? Como é que ele se sente em relação ao sucesso emergente de Adonis Creed, agora que o seu filho também se está a tornar num lutador?

Ivan tenta criar um plano de redenção ao reviver o seu passado junto de Viktor. Ivan tem um certo ódio que não é dirigido só à Rússia ou à América, mas a todo o mundo, e isso reflete-se no filho.

O que é que tornou Florian Munteanu a escolha certa para fazer de Viktor em Creed II, uma vez que é a sua estreia enquanto ator?

Lundgren: Foi o Stallone quem escolheu o Florian, ele sabe escolher bastante bem os atores. Não é a primeira vez que ele descobre alguém. (Risos)

A minha primeira impressão do Florian é que ele, de facto, parecia um boxer bastante intimidante, que podia muito bem ser o filho de Ivan Drago. Ele é bastante forte, atlético e tem um físico muito muscular. Ele parecia-se comigo quando tinha 27 anos, talvez até mais musculado do que eu. Há 30 anos pratiquei karaté, por isso tinha músculos longos.

Também fiquei impressionado com a inteligência e capacidades de Florian, ele é muito mais consciente da sua carreira agora do que eu na idade dele. Ele é muito atencioso e comprometeu-se bastante para este filme.

45437170734 cb0f653091 b
Florian-Munteanu em Creed II

Ivan já não luta dentro do ring, mas ainda é uma figura “maior que a vida.” Fez algum tipo de treino especial para Creed II?

Lundgren: Eu tentava andar sempre em boa forma, mas, quando fui contratado para este filme, comecei a fazer pesos para ficar mais musculado. Vi o Florian e queria parecer forte ao lado dele – ser aquele tipo de pai com quem ninguém se quer meter. Por isso treinei cerca de três a quatro meses, cinco dias por semana, duas vezes ao dia, a fazer cardio de manha e a levantar pesos à tarde.

Assim que se se aproximaram as filmagens e fechámos a personagem com Steve Caple Jr (realizador), tentamos fazer um Ivan mais velho, pálido, um pouco menos saudável. Para isso, o Steve deu-me fatos e roupa dois tamanhos acima do meu para parecer que ele perdeu peso. Demorei algum tempo até me habituar a isso, mas percebi rapidamente que a ideia não era o Ivan parecer um tipo duro. A sua jornada é mais pessoal.

Durante Rocky IV teve algumas falas em russo, mas muitas mais neste filme. Como é que foi aprender a lingua?

Lundgren: Foi muito difícil. Eu sei um pouco de russo, mas, neste filme, há cenas dramáticas entre Ivan e Viktor, onde só falamos russo. Foi especialmente difícil exprimir emoções como raiva ou dor quando tive que falar noutra língua. Felizmente tive quase três meses para me preparar e espero que isso faça a personagem mais autêntica.

Eu tive uma treinadora de russo que era rígida. Eu fazia aquilo que pensava que era um bom take para uma cena onde falava russo, mas logo a seguir pediam-me para repetir porque ela tinha sempre um problema qualquer com a linguagem. Eu não ficava nada contente com isso, até porque, às vezes, eram quatro da manhã e já tinha feito muitos takes. Mas fiquei satisfeito por termos muitos figurantes russos, alguns até me disseram que o meu russo era bastante bom.

Como é que foi trabalhar com o realizador Steven Caple Jr.?

Lundgren: Eu adoro o Steven. Ele é um tipo ótimo, adorável e muito inteligente. Ele trabalha muito com os atores e foi muito protetivo com o Florian por este ser o seu primeiro trabalho de ator.

Mesmo que estivesse a acontecer um milhão de coisas no set, o Steven arranjava sempre tempo com todos os atores para nos ajudar a dar o nosso melhor.

Sinto-me bastante sortudo com os meus projetos recentes, este e o Aquaman, que têm realizadores cheios de talento. Steven e James Wan respeitam muito os atores.


45437138374 b36155c488 b

Creed II estreia nos cinemas portugueses a 27 de dezembro.

© 2018 Metro-Goldwyn-Mayer Pictures Inc. and Warner Bros. Entertainment Inc. All Rights Reserved


- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Sigam-nos

12,987FansCurti
4,064SeguidoresSeguir
786SeguidoresSeguir

Parceiros

Relacionados

Mortal Kombat e Nomadland entre os filmes que vão estar no cinema a partir de 19 de abril

Falta menos de uma semana para algo que os portugueses desejam há bastante tempo: a possibilidade de ver um filme no grande ecrã.

Crítica – Thunder Force

Thunder Force é mais uma peça de storytelling sem sentido e absurda de Ben Falcone, caraterizada por um humor insuportavelmente seco e forçado, para além de uma história facilmente esquecível.

Crítica – Voyagers

Voyagers possui uma fórmula bem-sucedida de ficção científica e leva-a por um caminho de desenvolvimento desinteressante, nada surpreendente e frustrantemente genérico.
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

Antevisão – Returnal: Morte, repetição e ação são as constantes neste novo exclusivo da PlayStation 5

No catálogo dos grandes exclusivos, a PlayStation sai da sua zona de conforto com blockbusters, com uma experiência arcade de altas produções, com imenso potencial.

Batikano’s vai abrir um spot no Centro Comercial Alegro Setúbal

É bem provável que seja um espaço à semelhança do que existe no Alegro Montijo.