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Entrevista a KURA e a jornada ao Top 50 dos melhores do mundo

Para quem é adepto de música eletrónica e acompanha a cena musical, decerto que já ouviu falar por muitas vezes no nome KURA. É o único português a figurar no top 50 do ranking mundial do DJ Mag Top 100 e é o DJ nacional que representa da melhor forma o nosso país lá fora.

Com o seu mais recente single “Lambo” a ser lançado já no dia 28, e com o Mundial de Futebol aí à porta, estivemos à conversa com KURA para falar da sua música, o seu novo single, da experiência de promover a Seleção Nacional ao vestir a camisola que a nossa equipa vai levar ao Mundial 2018, de como correu a masterclass que deu em Portugal, e, claro, os planos para o futuro.

Echo Boomer (EB): Aos 30 anos és um dos DJ’s portugueses com mais visibilidade no estrangeiro, ocupando o 48º lugar no ranking mundial do DJ Mag Top 100. Alguma vez pensaste que ias alcançar todo este sucesso ainda tão novo?

KURA: Honestamente, não. Tinha, e tenho, sonhos e objectivos para os quais trabalho, e não foi tão rápido como pode parecer. Toco há cerca de 15 anos e produzo há 10, apesar de ser novo não foi algo que tenha acontecido muito depressa.

EB: Depois da masterclass no Amsterdam Dance Event e outra no Miami Music Week, deste no passado dia 21 de abril a primeira em Portugal. Como correu? Qual tem sido o feedback?

KURA: Correu muito bem! As Masterclasses são momentos muito interessantes, que me permitem partilhar segredos e truques com jovens produtores, e ajudá-los de um modo em que gostaria que tivessem feito por mim quando era um jovem autodidacta da produção musical. O feedback foi óptimo, e em geral, perguntam quando é a próxima!

EB: Qual é o publico que costuma ir às masterclasses, visto que existe um limite de 100 pessoas? Conseguiste um público eclético ou são mais os jovens?

KURA: A maioria são jovens mas também há pessoas mais velhas que produzem música ou que querem começar a produzir, penso que não há limite de idade para aprender algo novo e, por isso, fiquei muito surpreendido pela positiva ao ver estas pessoas.

EB: E como foi ser um professor? Vês-te nesse papel futuramente? Seria algo que gostarias de fazer com mais regularidade?

KURA: Não me vejo como um professor, mas antes como alguém que quer partilhar ideias, técnicas, histórias e experiência nesta área.

EB: Na masterclass pegaste em músicas tuas e explicaste como as produziste. Hoje em dia, já com alguma experiência, como é que alimentas o teu processo criativo?

KURA: Sim, sigo sempre um fio condutor, um tema que já foi editado e que eles podem voltar a ouvir quantas vezes quiserem, será muito mais interessante depois de terem ouvido como foi feito. Alimento o meu processo criativo todos os dias, encontrando inspiração nas viagens, nas pessoas, nos locais que visito, mas também na música que ouço.

EB: Quais as tuas maiores fontes de inspiração no mundo da música?

KURA: Em termos de produtores musicais, os que sempre me inspiraram foram o Hardwell, o Tiësto, o Axwell, o Steve Angello, mas gosto de muita música e também me inspira, seja Phoenix, The XX, Two Door Cinema Club e tantos outros.

EB: Ainda te lembras do momento em que soubeste que ser DJ era o que querias fazer? Conta-nos como foi.

KURA: Não houve um momento determinado, sempre gostei de música, comecei a tocar e a progressão foi natural, muito orgânica.

EB: Hoje em dia cada vez são mais os jovens que sonham fazer o mesmo. Tens algumas dicas para esses jovens?

KURA: Apenas uma: sejam originais, não copiem. Isto é válido para qualquer artista, e não apenas DJ, e é também uma das coisas mais complicadas de conseguir, mas deve ser o objectivo que norteia.

EB: Para quando a próxima masterclass em Portugal e no estrangeiro?

KURA: Provavelmente no último trimestre do ano, mas desta vez no Porto.

EB: Este ano, esperas subir no ranking mundial da DJ Mag ou o mais importante para ti é sentires que o teu público te segue e reconhece o teu trabalho?

KURA: O ranking da DJ Mag é importante por ser um reflexo do que o público quer, o voto é público e global, por isso em muitos mercados é usado como barómetro. A importância é esta, seria importante que se percebesse que não é um concurso de “melhor DJ”. O reconhecimento é muito importante, apesar de trabalhar sem pensar nisso é claro que, de todas as vezes que ganhei prémios ou que fiquei colocado na DJ Mag, fiquei feliz por sentir que o meu trabalho estava a ter expressão e a tocar as pessoas.

EB: Não podemos deixar de perguntar: com tanto sucesso, tens muitos fãs e muitas fãs… Já tiveste algum momento peculiar com alguma fã mais atrevida?

KURA: Não, gosto muito de estar com os fãs no fim das actuações e de conversar, mas em geral é tudo bem comportado 🙂

EB: E já que estamos a falar em fãs, notas alguma diferença entre o publico português e o público estrangeiro?

KURA: O público nacional é um dos melhores do mundo, e não sou o único a dizer isto, muitos dos meus amigos DJ estrangeiros me dizem exactamente o mesmo. É um público caloroso, vibrante, expressivo, e estas características são fundamentais para que o DJ – sozinho no palco – sinta esse retorno da alegria que dá com a música que selecciona, toca e mistura ali no momento.

EB: Ainda te sentes nervoso antes de subir ao palco? Como contornas esses nervos?

KURA: Sinto, mas os nervos fazem parte e significam o respeito que temos pelo trabalho que fazemos e pela responsabilidade iminente de ter que pôr milhares de pessoas a dançar.

EB: Qual é a sensação de ter um mar de gente à tua frente?

KURA: É maravilhosa, e saber que podes fazer aquele mar de pessoas feliz durante uma ou duas horas, dando-lhes uma experiência inesquecível é um tremendo privilégio.

EB: Este ano és uma das personalidades escolhidas para vestir a camisola que a Seleção Nacional vai levar ao Mundial 2018. Estavas à espera deste convite? Como te sentes por envergar a camisola dos campeões europeus? Achas que Portugal tem hipóteses de conseguir uma boa classificação?

KURA: Fiquei muito honrado por ter sido um dos convidados a estrear o equipamento, e quando vi os outdoors fiquei sem palavras. Estar no meio de um grupo tão importante de personalidades nacionais, com pessoas que admiro muito como o Cristiano ou a Sara Sampaio, é de facto uma sensação incrível. Penso que Portugal pode chegar o mais longe possível, temos uma grande equipa que já deu provas do seu imenso valor, por isso vamos manter-nos positivos!

EB: Este ano sofremos uma perda no mundo da música eletrónica, o Avicii. Como recebeste esta notícia?

KURA: Recebi a notícia em diferentes fases, primeiro não acreditei – é um efeito das fake news – e depois as notícias multiplicaram-se e vinham de fontes credíveis, e aí fiquei em choque, como toda a indústria, que ainda está a recuperar de tamanha perda.

EB: Ainda em relação a este assunto, este acontecimento traz à tona várias temáticas mais complexas e também ajuda a mostrar que vocês não têm uma vida nada fácil. São vocês que produzem, gravam, viajam imenso… achas que hoje em dia as pessoas ainda não levam a sério o trabalho de DJ?

KURA: Penso que é a única coisa positiva a retirar de uma tragédia como esta, a de trazer visibilidade a uma parte que é frequentemente escondida por não ter qualquer glamour, mas é a realidade. O tempo que passamos fora de casa, longe da família e dos amigos, as viagens intensas e desgastantes, os donos trocados, se a isto juntamos alguma questão psicológica, como ansiedade ou depressão, pode ser muito complicado de gerir. Penso que o problema não é levar a sério, mas antes um desconhecimento geral do que implica ser DJ e produtor musical, penso que se as pessoas estiverem informadas não reduzem tudo ao momento em que estamos em palco ou no top da tabela de vendas. Como em qualquer área, a cultura é fundamental.

EB: Uma curiosidade, porquê o nome KURA?

KURA: KURA era a minha tag, a minha assinatura, quando era writer (fazia grafitti), por isso mudei a arte mas a assinatura manteve-se.

EB: Sabemos que o teu próximo single vai ser lançado pela Musical Freedom, editora do Tiesto. Como é que isto aconteceu? O que podem esperar os teus fãs do teu novo single?

KURA: Incrível, não é? Uma música feita em Lisboa vai sair na editora do Tiësto, que a tem tocado nas suas actuações. O “Lambo” foi uma experiência que funcionou. O meu tour manager desafiou-me a “cantar” num dos meus temas. Eu não canto, por isso optei por um vocal falado, com frases que me pareciam divertidas. Enviei o tema ao Jorn, o meu label manager, da Spinnin, e ele mostrou ao Tiësto sem eu saber. No dia seguinte a ter tocado no Ultra Miami, assim que acordo, vejo um e-mail de um dos meus heróis musicais – Tiësto – e lembro-me de pensar que não estava a ver bem. Dizia que adorava o tema e que queria editá-lo na sua editora. Fiquei muito feliz. O que podem esperar? Dançar e divertirem-se muito!

EB: Para além disso, e para deixar os fãs com água na boca, conta- nos por onde vais andar este verão e quais são os projetos para o futuro.

KURA: Há muita coisa ainda por revelar mas há que destacar o Ultra Europe, na Croácia, onde regresso a 8 de Julho, e claro, o Tomorrowland, que é sempre um momento alto do Verão, onde regresso pelo quarto ano, toco a 27 de Julho. Há também outras datas muito interessantes, como o Dreambeach aqui ao lado na vizinha Espanha, a 10 de Agosto, mas muitas mais um pouco por todo o mundo. Como não se pode revelar tudo por questões contratuais, penso que o melhor é estarem atentos às minhas redes sociais onde as datas são actualizadas e reveladas em primeira mão!

Todas as datas das atuações podem ser consultadas aqui. Entretanto, não te esqueças que o DJ KURA está prestes a trazer um novo single aos seus fãs, “Lambo”, que chega já no próximo dia 28 de maio. Até lá, podes sempre ouvir o pequeno preview disponibilizado pelo próprio, aqui em baixo.

My new track LAMBO (with my vocals) is coming out soon on Musical Freedom BE READY! #lambo #see2girlsdroptango #lookinoutsideofmylambo

Publicado por KURA em Quarta-feira, 16 de maio de 2018

Texto de: Mafalda Fidalgo


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