Ensaio ao XPENG G9 Performance: o SUV elétrico chinês que quer jogar no segmento premium com argumentos a sério

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O XPENG G9 Performance não é um SUV de massas… nem quer ser.

Foi em abril de 2024 que ficámos a saber que, graças à Salvador Caetano Auto, empresa que atua na distribuição e importação de veículos, iam chegar a Portugal os veículos elétricos da XPENG. E em finais de setembro do mesmo ano, foram divulgadas as viaturas que iriam chegar a território nacional:  XPENG G6 – um SUV Coupé, o XPENG G9 – um SUV familiar, e o XPENG P7, um sedan desportivo (incluindo a versão Wing Edition).

Mais de um ano depois, em novembro de 2025, uma boa notícia: tanto o G9 como o G6 ficariam disponíveis antes do final do ano.

Confesso que andava há algum tempo a tentar ensaiar um destes veículos, mas só mais recentemente foi possível passar uns dias com um deles emprestado. Neste caso o XPENG G9.

Apresentando-se como um SUV elétrico de grandes dimensões, com forte aposta em espaço, tecnologia e conforto, o XPENG G9 posiciona-se num patamar já claramente acima do habitual para a marca. Na versão ensaiada, o G9 AWD Perfomance, conta com uma potência anunciada de 575cv oferecida pelos dois motores elétricos, equipando este XPENG com uma bateria de 93,1kWh que, no final, oferece uma autonomia até 540km.

À primeira vista, o G9 impõe-se sobretudo pela sua presença, pois estamos perante um SUV com 4.89 metros de comprimento, 1.93 metros de largura, 1.68 metros de altura e 2.99 metros de distância entre eixos. São números que colocam este XPENG G9 no território dos modelos premium familiares de grandes dimensões, direcionado a todos aqueles que têm ambição de viajar com grande conforto e que não gostam de ter problemas de espaço num automóvel. A silhueta é robusta, quase quadrada, com proporções que lhe dão um ar mais “estadista” do que desportivo, ainda que a versão Performance acrescente a postura mais musculada, com jantes de grande dimensão e uma imagem que não passa despercebida.

Há também uma série de detalhes típicos de um produto que quer parecer mais sofisticado do que convencional. As portas sem moldura, os puxadores embutidos, a bagageira de abertura elétrica e o frunk dianteiro de 71 litros ajudam a reforçar essa leitura mais tecnológica e premium deste automóvel.

No interior, o G9 aposta numa imagem limpa e minimalista, com uma distribuição do tablier que coloca quase tudo nos ecrãs e reduz ao essencial os comandos físicos. O painel digital mede 10,25 polegadas, enquanto o ecrã central e o ecrã do passageiro têm ambos 14,96 polegadas, uma solução que permite ao condutor gerir a maioria das funções e, ao mesmo tempo, oferecer ao ocupante dianteiro acesso a conteúdos de entretenimento e aplicações. A impressão geral é a de um habitáculo muito bem resolvido em espaço, apresentação e qualidade facilmente percecionada pelos utilizadores deste automóvel, com materiais acima da média e com um nível de acabamentos que, a meu ver, não fica muito longe de vários rivais premium europeus.

O espaço é, de resto, um dos grandes argumentos do carro. Há bastante margem para quatro adultos viajarem com conforto, tanto que um adulto com 1,80m que viaje no banco traseiro continua com espaço folgado para os joelhos, mesmo com os bancos dianteiros recuados. A isso junta-se uma configuração de conforto muito rara no segmento: bancos dianteiros e traseiros com aquecimento, ventilação e função de massagem, além de apoio de coxas regulável.

A tudo isto junta-se também a capacidade da bagageira: chega aos 660 litros e pode subir até aos 1.576 litros com os bancos traseiros rebatidos, o que confirma a vocação claramente familiar do modelo.

A tecnologia é um dos eixos centrais do XPENG G9, e isso nota-se tanto no hardware como no software. O sistema de infotainment corre num conjunto baseado no Qualcomm Snapdragon 8295, inclui Apple CarPlay e Android Auto, tem conectividade 4G e Wi-Fi e aposta numa interface tridimensional com loja de aplicações, assistente de voz e atualizações OTA. No lado do passageiro, a própria marca dá-lhe um ecrã dedicado, com acesso a música, vídeo e aplicações como Spotify, Apple Music, YouTube, Apple TV, Prime Video ou Disney+, o que reforça a ideia de um carro pensado para viagens longas com todos os ocupantes envolvidos.

Também aqui aparecem algumas das soluções mais distintivas do modelo. A aplicação da marca permite estacionar o carro remotamente, fazer movimentos frente/trás à distância e até acionar funcionalidades como estacionamento assistido através do telemóvel, algo pouco comum fora de marcas muito específicas. Em segurança e assistência, o XPILOT 2.5 inclui controlo de velocidade adaptativo, centragem na faixa, estacionamento automático melhorado, visão de 360 graus, alerta de ângulo morto, travagem automática de emergência, monitorização do condutor e várias outras ajudas que colocam o G9 num nível muito elevado de equipamento nesta área.

Em estrada, o XPENG G9 Performance deixa uma impressão forte pela forma como combina conforto e estabilidade, sobretudo em autoestrada. A suspensão pneumática inteligente de câmara dupla, associada ao sistema CDC de amortecimento eletrónico, permite ajustar o comportamento do carro consoante o tipo de percurso, tornando-o mais macio em cidade e mais firme e seguro em velocidade de cruzeiro. Fosse em autoestrada ou estradas nacionais, o carro mostrou-se muito estável e fácil de conduzir a ritmos constantes de 110 a 120 km/h.

Os consumos observados ficaram dentro do que se pode esperar de um SUV desta dimensão e peso. Em cidade e percurso misto, a média rondou os 19 kWh/100 km, enquanto em autoestrada os valores oscilaram entre cerca de 20 e 24 kWh/100 km, dependendo do ritmo. No carregamento, o modelo aceita até 525 kW em corrente contínua, com tempo anunciado de 10% a 80% em 12 minutos, e até 11 kW em AC, com cerca de 10,5 horas para carga completa.

O XPENG G9 Performance não é um SUV de massas, nem quer ser. É um veículo de dimensões muito generosas, muito bem equipado, com conforto acima da média, tecnologia em abundância e um nível de apresentação que o coloca num território genuinamente premium.

A gama nacional anunciada começa nos 49.990€ mais IVA, sem despesas de administração, para o G9 RWD Standard Range, que oferece 351 cv e uma bateria de 79 kWh com autonomia até 502 km. Já a versão ensaiada, o G9 AWD Performance, distingue-se pelos dois motores elétricos que entregam 575 cv, por uma bateria maior de 93,1 kWh e por uma autonomia até 540 km, subindo o preço para cerca de 70.000€, também mais IVA e sem despesas de administração.

Um valor elevado, certo, mas justificado por argumentos reais: espaço generoso, bagageira enorme, frunk, suspensão pneumática, carregamento ultrarrápido, muita autonomia e um habitáculo que tenta justificar cada euro através de equipamento e refinamento.

Hugo Faria
Hugo Faria
Licenciado em Informática de Gestão e com Mestrado em Sistemas de Informação de Gestão na Coimbra Business School, fui um dos que contribuiu, do ponto de vista tecnológico, para o nascimento do Echo Boomer. Tenho uma paixão que se divide pela tecnologia, pela música e pelos automóveis, tópicos esses que são explorados por mim em cada artigo que escrevo e publico por aqui.
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