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Ensaio ao Alfa Romeo 4C Spider Italia – O Império dos Sentidos

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Desta vez venho falar-vos de algo puramente especial, o Alfa Romeo 4C Spider Italia. Este modelo foi lançado na comemoração dos 108 anos da Alfa Romeo e, por isso mesmo, é uma edição limitada a 108 exemplares. O que tive o prazer de conduzir vinha na cor Azul Misano metalizada, com as pinças dos travões em amarelo e com o interior Carbon Look, sendo que as costuras são todas em amarelo tal como as pinças dos travões.

Surge equipado com um motor, centralmente colocado, 1.750 TurboBenzina de 240cv (350Nm de binário) com caixa de seis velocidades TCT Dual Dry, debitando uma potência máxima de 240cv e com velocidade máxima anunciada de 258 km/h, capaz de acelerar dos 0 aos 100 km/h em 4,5 segundos. Tudo isto montado sobre fibra de carbono e pesando apenas 895 Kg, com uma distribuição de peso 60/40. Na prática, faz com que, apesar do motor ter “apenas” 240cv, este Alfa Romeo 4C tenha performances muito próximas de um supercarro.

Agora que já falei das características técnicas mais relevantes do Alfa Romeo 4C, vou começar a falar do resto. Este modelo não é, sem dúvida, para qualquer um. Dificilmente será um primeiro carro, para uso diário, e diria até que, mesmo para segundo carro, pode ser uma escolha algo dúbia. Porquê? Simples, o espaço de bagagem é muito reduzido. Cabe uma mala mínima de viagem e, se resolverem colocar lá a capota destacável, nem isso.

Direção assistida? Não! Infotainment? Não! Conta com um rádio Alpine que parece saído dos anos 90, mas confesso que, dificilmente, com o cantar daquele motor que se encontra mesmo atrás da cabeça do condutor, apetece ouvir alguma outra melodia. É duro, a posição de entrada e saída do carro não é fácil e esqueçam luxos tão simples e corriqueiros como o ar condicionado automático. Tem um manual e chega para o gasto.

Nesta altura devem estar a questionar-se: “Então mas afinal, diz-nos que vem falar de algo puramente especial, e agora parece que só vemos contras!?” É que os contras ficam por aqui…

O Alfa Romeo 4C é um carro para amantes da condução, não para o usual comprador que quer um cabrio para passear na marginal. É uma experiência visceral de condução que desperta todos os sentidos e que faz com que todos os sentidos se foquem nele mesmo, mas já lá vamos.

Assim que olhamos para ele, para o design fantástico elaborado pelo Centro Stile Alfa Romeo, percebemos que é um carro diferente. Há quem diga que parece um mini Ferrari, quanto a mim parece, sim, um Alfa Romeo, marca que apaixona tantos e que sempre nos acostumou a designs intemporais e muitas das vezes à frente do seu tempo. Aliás, basta dizer que este Alfa Romeo 4C já aí anda desde 2013, continuando bem atual.

A cor Azul Misano, que nem é a minha favorita em muitos modelos da marca, neste assenta perfeitamente. Dá-lhe um ar exótico, e este rasteirinho, cujo centro de gravidade se encontra a apenas 40 centímetros do chão, não passa despercebido a ninguém. Vejam as fotos e comprovem por vocês mesmos: não encontro um ângulo de onde não emane um carácter puramente desportivo e diferenciador da vasta maioria dos modelos que rolam nas estradas portuguesas. Creio não ser opinião única, tendo em conta a quantidade de cabeças que rodam ao vê-lo passar, os pedidos para tirar fotos, havendo até quem pare para elogiar este modelo e fazer questões sobre o mesmo.

Vamos passar para o interior. É, como já disse, pobre, sem espaços de arrumação, mas com uma posição de condução fantástica e onde podemos ver carbono por todo o lado. Como referi, estamos a falar de uma estrutura completamente feita de carbono, tendo depois subframes de alumínio à frente e na traseira.

Neste interior saltam à vista as baquets, com o logo da marca bordado a amarelo, o seletor dos modos de condução DNA e a chapa que indica o número 35 de entre as 108 unidades produzidas. Não tem manete de mudanças, apenas botões para selecionar entre P (Park), 1 (Forward), N(Neutral) e M/T (Manual ou automático), mas tem as patilhas no volante para quando se pretende brincar com a caixa de forma manual. Não tem botão de start/stop, mas sim chave na ignição. À antiga, dirão alguns.

E é nesse momento em que se dá à chave e se inicia o motor do Alfa Romeo 4C que começa um verdadeiro festim para os sentidos. O escape duplo central em titânio da Akrapovic começa a entoar a sua melodia, que é bastante mais percetível nos modos Dynamic ou Race, e o motor começa a demonstrar-nos o que está a fazer, pois é possível ouvir as entradas de ar no turbo, a mudança de engrenagem entre tantos outros sons, não ruídos, que vai fazendo à medida que o pé direito vai mudando do acelerador para o travão e vice-versa.

A visão fica apurada, pois a concentração tem de ser máxima, porque se a direção não assistida em nada ajuda nas manobras de estacionamento, ou noutras a velocidade baixa, assim que se passa dos 30 km/h ela mantém-nos atentos, seguindo todo e qualquer trilho na estrada ou deformação na mesma.

Não é carro para se conduzir à Miami Vice só com uma mão e o bracinho de fora… esqueçam isso. O volante tem um tato fantástico e permite todas as regulações em altura e profundidade, sendo que até o olfato é chamado a intervir porque, e isto acontece quando se puxa por ele, começamos a ser inundados de aromas a que normalmente apenas estamos acostumados a sentir em carros de competição. Talvez agora comecem a perceber porque apelidei este modelo do Império dos Sentidos.

Levem o 4C para uma autoestrada e dificilmente será batido por qualquer outro. Aliás, quem o experimentar perceberá o quão difícil é conduzi-lo em velocidades consideradas legais, uma vez que, em menos de cinco segundos, já estamos a 100km/h, e a estabilidade e performance do mesmo facilmente nos catapultam para cifras bem maiores que esse número. Bom, se pretenderem ser cumpridores, como assim deve ser, o melhor mesmo é usar o modo Natural, bem mais calminho e menos ruidoso, ou até mesmo o A, para All Weather, que torna a fera muito mais mansa.

Ainda assim, acho que não é nas autoestradas que o 4C encontra o seu habitat natural, mas sim em estradas nacionais ou caminhos de montanha sinuosos e com vontade de devorar a curva que se encontra já ali. E o já ali é porque, por muito longa que possa parecer a reta entre elas, rapidamente estamos na próxima curva.

Aqui, o peso, a direção não assistida, a suspensão e a motorização atuam numa harmonia fantástica, não se sentindo transferências de peso ou falta de potência seja em que momento for. Os travões Brembo (305mm na frente e 292mm na traseira) talvez pudessem ser um pouco melhores, mas após habituação aos mesmos, não acusam fadiga, mesmo quando chamados a intervir de forma constante. Ao fim ao cabo, levam o 4C dos 100 aos 0 km/h em 36 metros.

Lembram-se de ter dito que é um carro para apaixonados pela condução? Não basta ser apaixonado, é preciso ter aquilo que, na rua, vulgarmente se chama “kit de unhas”, ou seja, capacidade para perceber, usar e sobretudo respeitar este 4C, porque o carro impõe esse respeito.

Se há modelos mais potentes, em que sentimos que podemos abusar dele porque não se irá portar mal, o Alfa Romeo 4C nos modos Dynamic e no modo Race não é assim. Não é como o nosso amigo que nos dá pancadinhas nas costas e diz “muito bem”, mas é mais aquele amigo que nos puxa sempre para os nossos limites, convidando-nos até a ultrapassá-los, mas ao mesmo tempo que nos “dá na cabeça” quando estamos a sair da nossa margem de controlo.

É uma experiência puramente visceral devorar alcatrão numa condução desportiva neste 4C. Quem já sentiu as mãos a tremer de adrenalina após conduzir um carro pode esperar isso mesmo deste pequeno grande Alfa Romeo.

Gostei da forma como a caixa gere o câmbio das mudanças, sendo bastante suave no modo Normal e bastante mais agressivo no modo Dynamic. Neste último modo, é até interessante perceber que, por vezes, parece que a própria caixa nos pede mais, como quem diz “acelera que é para isto que este carro foi feito. Desfruta. Vá lá…”

Em suma, o Alfa Romeo 4C, apesar de ter um desenho de 2013, é um daqueles carros que podem parar ao lado de qualquer outro, que, mesmo assim, vai sobressair. Nesta versão Spider Italia torna-se ainda mais exclusivo e, sem dúvida, um veículo de grande valorização, não fosse esta uma edição limitada a 108 unidades.

Não é um carro de dia-a-dia, mas é um carro que, em todos os dias que o conduzirem, irá deixar-vos com um sorriso de orelha a orelha. A marca italiana diz que pode fazer consumos combinados de 6,5lt aos 100km percorridos. Honestamente duvido que algum dono consiga fazê-lo, não porque o motor aliado a um baixo peso não o permita, mas simplesmente porque o 4C, como um todo, não o vai permitir. Não foi feito para isso. E quem o quiser para isso, está a desperdiçar aquele lugar do condutor.

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