Um fim de semana com o Alfa Romeo Stelvio 2.2 JTDm 210cv

por Rui Farinha Pereira

Ao olharmos para o Stelvio, o novo e único SUV da Alfa Romeo até agora, este é capaz de nos deslumbrar, mas isso nem é bem uma novidade para a marca de Arese, uma vez que sempre foi reconhecida pelos seus designs intemporais e linhas marcadamente desportivas. Porém, é quando nos sentamos atrás do volante que as verdadeiras surpresas começam. Começando por falar do habitáculo, nota-se o requinte e qualidade dos materiais. Este modelo com teto panorâmico traz ainda mais luz ao mesmo e, por isso, todo e qualquer pormenor é realçado.

O Stelvio herda do Giulia o seu interior (e até mesmo a plataforma onde o chassis assenta). Temos, por isso, o botão de start/stop do motor no volante, do qual sobressaem também as duas patilhas para troca de mudanças de forma manual se assim o pretendermos.

Somos recebidos no Stelvio com uma animação da Alfa Romeo no mostrador eletrónico entre o conta rotações e o velocímetro, e o banco ajusta-se automaticamente à posição anteriormente definida, isto porque quando saímos, ele recua para facilitar a saída do veículo. Mas vamos lá ligar o motor…

A versão ensaiada é o topo de gama no segmento diesel, equipada com o motor 2.2 JTDm capaz de debitar 210 cv, com o sistema Q4. Temos aqui tração às quatro rodas e vem equipado também com a caixa automática de oito velocidades, que, devo dizer, surpreendeu-me pela positiva, mas já lá vamos.

O Stelvio, sendo um carro alto, ou não fosse ele um SUV, surpreende pela agilidade que demonstra quer dentro da cidade em velocidades mais baixas, como também em estrada aberta ou autoestrada, onde podemos sentir a pujança dos seus 210cv. Em todo o caso, a sensação de conforto é bem elevada, apesar da jante 19” que o equipa (pode ir de 18 a 20”).

Como todos os modelos mais recentes da Alfa Romeo, temos três formas de condução, o conhecido sistema DNA. Devo confessar que, durante este ensaio, usei sobretudo o modo de condução Dynamic, tendo testado também o Natural para poder verificar consumos e diferença de comportamento, além de ter usado o Advanced Efficiency apenas quando levei o Stelvio para fora do alcatrão.

Começo por dizer que, fora de estrada, a impressão foi bastante positiva. Não se negou a qualquer desafio que lhe foi colocado e foi bem visível como o modo All Weather dá mais importância à tração do que à velocidade, sobretudo quando percorri caminhos mais íngremes de lama ou terra batida, quer a subir ou a descer. Diria que o sistema Natural será o melhor para utilização citadina, com um motor de certa forma mais dócil – não sendo tão impulsivo no pára-arranca – e com consumos ligeiramente mais baixos.

Falando de consumos, durante o fim-de-semana de ensaio consegui atingir níveis de consumo médio desde a casa dos 12,5lt por cada 100 quilómetros percorridos, sobretudo usando o modo Dynamic dentro de cidade, ou o All Weather em terra batida, até consumos na casa dos 6,3lt usando o modo Natural num misto de cidade e estrada aberta, o que considero um excelente consumo para um SUV com 210cv de potência. No final, a média registou-se nos 8,9lt/100, mas devo ressalvar que, sendo uma viatura de ensaio, o estilo de condução foi mais desportivo do que seria numa utilização, digamos, normal.

Na condução do Stelvio, uma das coisas que sobressai desde logo, e que, para os menos experientes, poderá necessitar de algum tempo de adaptação, é a direção. É super precisa e rápida na resposta, o que permite não só ter um tipo de condução desportivo, como também um ótimo feedback da estrada ao condutor, algo que, hoje em dia, vai faltando nos modelos mais recentes por serem tão filtrados. Permitam-me a expressão, mas por vezes parece que vamos a andar em pantufas em cima de um piso de algodão doce, algo que não se pretende, sobretudo em viaturas com algum carácter desportivo.

Neste SUV, sentamo-nos numa posição alta, como seria de esperar, porém sentimos como se fossemos num carro desportivo, sobretudo colocando o banco na posição mais baixa. A sensação que temos é que “subimos” para um SUV, mas estamos a conduzir uma berlina desportiva, e isso nota-se em cada curva que fazemos, em cada redução de caixa e em cada vez que esprememos aquele motor até às rotações mais altas, não esquecendo que estamos a falar de um modelo que atinge 470Nm de binário às 1750 rpm, ou seja, é um binário alto e disponível relativamente cedo.

Falando um pouco agora da parte mais tecnológica, o “InfoTainment” traz tudo o que se possa necessitar. Todavia, devo confessar que fica ainda um pouco aquém do que é oferecido noutras marcas. Talvez por isso exista já um upgrade, que (ainda) não tive a oportunidade de testar.

Há, claro, outras funcionalidades mais viradas para a condução que são bastante úteis, como a Ajuda à Descida para off-road ou a Travagem autónoma de emergência – que tenta evitar colisões avisando primeiro e travando depois caso sinta uma colisão eminente -, mas também outras mais rotineiras, casos do sistema anti-derrapagem, anti-bloqueio, etc.

O nome Stelvio vem de uma passagem pelos Alpes na zona mais a norte de Itália, podendo-se pensar, “ok, quem ia escolher um SUV para tal tipo de estrada!?”. Bem, eu resolvi levar o Stelvio para a Serra da Arrábida e devo confessar que adorei cada troço de estrada. Eu, que nem sou um fã de caixas automáticas, fiquei agradavelmente surpreendido com esta caixa automática de oito velocidades, quer em cidade pelo conforto que dá, mas também numa condução mais desportiva, na gestão que faz das passagens de caixa.

É humanamente impossível trocar caixa tão rápido num carro manual como na forma automática. Tendo isso em conta, usei um misto de automática e também manual usando as patilhas no volante, e devo confessar que foi essa a parte da viagem que mais gozo me deu. Senti o Stelvio a serpentear curva atrás de curva, naquela subida que é o troço usado para a rampa da Arrábida. Devo dizer que, sendo um SUV e um veículo de origem, era bem capaz de “envergonhar” alguns dos bólides que lá se apresentam para competir.

Em suma, foi um fim-de-semana passado em excelente companhia. Falo da companhia do Stelvio, obviamente, e em que a única coisa que menos me agradou foi o facto de, apesar de ser um carro tão bem desenhado, ao olhar bem para ele consegui perceber que dentro daquelas saídas de escape se deixam antever duas bem menores, as verdadeiras. Bem sei que isto é algo comum nos dias de hoje, mas da Alfa Romeo espera-se sempre outra atenção à estética.

O espaço interior é bastante bom, assim como a capacidade da mala. E repito, isto tudo num SUV que, mesmo na sua versão diesel, consegue ir dos 0 aos 100Km/h em 6,6 segundos!

Quem precisar de um SUV para poder ir para fora de estrada e, ainda assim, quiser ter um gosto de condução desportiva, penso que o Stelvio é uma bela opção. Fica na cabeça como será conduzir este “menino” na versão Quadrifoglio com o motor de 510cv…

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