Análise – Disintegration

Disintegration tenta remisturar alguns conceitos de jogos de ação e estratégia, numa experiência vazia e repetitiva.

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Desde a sua revelação no verão do ano passado que Disintegration andava no meu radar. Um novo jogo de sci-fi e ação, com uma direção artística aparentemente impecável, um sistema de jogo aparentemente inovador e, como foi promovido várias vezes, do co-criador de Halo, uma série que guardo com muito carinho.

Disintegration não demorou muito até sair cá para fora e, apesar do que muitos jogadores pensavam, este é um jogo da atual geração, chegando quase no seu final, num mês de pesos pesados. Mas será que tem o suficiente para nos convencer? Talvez não.

O mundo ficou à beira do abismo e a humanidade foi quase dizimada depois das forças da natureza tomarem controlo do planeta. Para sobreviver, a humanidade desenvolveu incríveis tecnologias de transferência de consciência para máquinas, a Integração, e, com isso, corpos robóticos para que as almas cá continuassem, imortais, a cuidar dos restos humanos. No inicio, a Integração era voluntária, até que uma força opressiva começou a expandir-se e forçar pessoas para este processo, aumentando um exército imparável de máquinas sem livre vontade, revelando-se uma nova ameaça para o resto da humanidade.

Em Disintegration controlamos Romer, um dos primeiros voluntários à Integração que, juntamente com um elenco de outros integrados, criam uma rebelião para deitar abaixo as forças do mal. A premissa de Disintegration é isso mesmo, uma simples luta do bem contra o mal, com uma fasquia muito elevada dada a escala dos eventos. Aborda temas pós-humanistas, sobre o que é livre-arbítrio, relações entre homens e máquinas e uma série de conceitos sci-fi muito interessantes. Contudo, fá-lo de forma muito passageira e quase como veículo de ligação entre os objetivos das dezenas de missões repetitivas e pouco profundas.

O grande destaque de Disintegration é a sua jogabilidade com a Gravcyle. Esta aposta é uma mistura de FPS com RTS onde, na perspetiva de Romer, controlamos um veículo voador com capacidade de disparo. Ao mesmo tempo, temos que dar ordens aos nossos colegas de equipa para atacar, interagir com pontos de interesse, usar habilidades e, ocasionalmente, sair da linha de fogo.

É um conceito engraçado e muito diferente do que se vê, tendo-me levado até aos finais dos anos 90, quando no PC emergiam jogos de guerra com mechs, tanques e veículos futuristas, extremamente divertidos e viciantes, onde a narrativa pouco importava e tudo o que queríamos fazer era rebentar com inimigos. Disintegration quase que recupera esse sentimento, mas deixa muito a desejar na sua execução.

Controlar a Gravcyle não é difícil e, pela sua natureza, controla-se de forma bastante familiar. Ela desliza pelo ar e há uma grande sensação de inércia nos seus movimentos, o que torna os controlos pouco precisos e muito mais flutuantes do que num shooter na primeira pessoa mais tradicional. Na prática, é necessária uma pequena curva de aprendizagem, pois os disparos não são certeiros e não há nenhum sistema de auto-aim que ajude a balancear isto, tornando a jogabilidade no comando algo frustrante em dificuldades maiores, onde os inimigos se movem com mais frequência.

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Felizmente, não estamos sós. Nas nossas missões temos ao nosso lado um grupo de até quatro colegas robóticos. Estes não usam Gravcyles; em vez disso têm os pés no chão, mas contam com corpos únicos e habilidades a condizer. No fundo, apresentam-se como diferentes classes tradicionais, com habilidades como escudos, granadas, morteiros, paralisia de inimigos, entre outras.

Comandar os nossos colegas é relativamente intuitivo e esta mecânica acrescenta uma camada interessante àquela que é uma jogabilidade simplista e despida. Na Gravcycle estamos apenas confinados a um tiro de disparo e uma habilidade especial e, por isso, temos que usar a nossa equipa para ajudar-nos a combater as hordas de inimigos. Isto significa que vamos ter que depender da Inteligência artificial do jogo, o que se revela um pequeno problema. A nossa equipa vai-se mantendo sempre que pode perto de nós, enquanto vamos navegando pelo mapa e encontrando um ponto de vantagem para comandar assalto ou ofensiva.

Dependendo do tipo de missão e da sua dificuldade, convém ter atenção aos tipos de inimigos que vão surgindo e aos postos de abastecimento de energia. Deitar abaixo os vilões maiores é sempre prioritário, mas nunca devemos tirar os olhos dos inimigos mais pequenos, que surgem em maior número e que podem aniquilar-nos com alguma facilidade.

Apesar de ser possível comandar a equipa para usar independentemente as suas habilidades para diferentes locais através dos botões direcionais, comandar para uma posição, para o ataque de um inimigo específico ou para interagir com um item, esta ação é sempre feita em grupo, quebrando a ilusão de controlo da equipa, pois parece que só estamos a controlar um elemento. Isto, aliado ao facto de os nossos amigos nunca se protegerem e estarem sempre na linha de fogo do inimigo, torna um pouco frustrante os combates em que um deles está com pouca vida e morre com facilidade. Felizmente, o respawn é relativamente rápido se chegarmos perto deles a tempo.

No geral, o combate até é divertido e há algum dinamismo. Infelizmente, apesar de haver alguma evolução ao longo do jogo com upgrades desbloqueáveis através de chips encontrados nos mapas, pouco muda na experiência de jogo ao longo da sua história. Disintegration quase que acaba como começa, com uma repetição constante das suas mecânicas.

Para ajudar à repetição, temos o design dos níveis e os nossos objetivos. São variados e relativamente lineares, por vezes com áreas mais expandidas e a ilusão de escolha de alguns caminhos. O mundo é um pouco mais vazio e morto do que gostaria, não existindo uma grande sensação de densidade. E o facto de estarmos sempre no ponto de vista da Gravcycle faz com que tudo pareça pequeno, o que não ajuda, por exemplo, a admirar o design e animações dos nossos colegas durante as batalhas ou até o design das hordas de inimigos, que são, também eles, pouco variados ao longo do jogo.

Outro aspeto menos positivo é a estrutura de Disintegration. As missões designam-se a ir de ponto A a B, interagir ou proteger item X e, outras vezes, aguentar ondas de inimigos, onde resultam alguns momentos caóticos, explosivos e divertidos. Contudo, a sensação de repetição é constante e alguns dos níveis são excessivamente longos ao ponto de nos cansar.

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Entre missões, lá vamos tendo cinemáticas que ajudam a avançar na narrativa do jogo, mas, na sua maioria, são momentos de exposição ou setups para a missão seguinte. É também entre missões que controlamos Romer na terceira pessoa, em pequenos hubs, normalmente sempre num hangar que é o nosso centro de operações. Além de fazermos upgrades, é aqui que podemos requisitar objetivos secundários e ouvir pequenas interações entre as personagens secundárias, sendo falas pequenas, inofensivas e cheias de cliché, ou seja, facilmente ignoráveis.

Mas Disintegration não conta só com um modo de história. Há também um lado multijogador, com três modos competitivos e elementos PvE e PvP que, tendo em conta a experiência a solo, prometem ser divertidos. Todavia, para esta análise, não me foi possível experimentar nenhum dos modos listados, pois o matchmaking simplesmente não encontrava nenhuma sessão, o que é pena, até porque, pelo lobby, apercebi-me que há um conjunto de modos de personalização da nossa equipa muito interessante e variado.

A minha experiência com Disintegration podia ser apenas mediana. Porém, alguns bugs acabaram por afetar severamente o meu progresso ao longo do jogo. Tinha presente a existência de alguns bugs a resolver, mas o que encontrei foi muito além do expectável, com checkpoints quebrados que não davam continuidade à missão e obrigavam o reinício por completo, a Gravcycle ficar presa ao ambiente ou a nossa equipa não atuar perante as minhas ações sem fazer reload ao checkpoint.

Posso dizer que Disintegration foi uma desilusão a vários níveis. Não estava à espera de um jogo excelente, admito, mas esperava mais variedade na jogabilidade e na jornada proposta, com o suporte de uma narrativa cativante e entusiasmante que, pelos vistos, resume-se facilmente em trailers e trechos comerciais.

Se pudesse definir Disintegration numa palavra seria… vazio. É um conceito interessante, mas que, com os valores de produção que apresenta, podia fazer muito mais. Disintegration vive de uma mecânica e jogabilidade interessante que perde o encanto muito rapidamente.

Nota: Satisfatorio

Plataformas: PC, PlayStation 4 e Xbox One
Este jogo (versão Xbox One) foi cedido para análise pela Best Vision PR.

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