Análise – Destroy All Humans!

Conquistem a Terra neste regresso a 2005.

Destroy All Humans!
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A história de Destroy All Humans! é trágica. Na sua estreia, a série conquistou a imaginação dos jogadores com o seu humor e estética próxima dos clássicos do género. A sequela expandiu o universo da série e apostou numa fórmula mais expansiva com níveis maiores e mais variados. Com a chegada da PS3 e Xbox 360, entrou na redundância, nos lançamentos problemáticos e numa falta de inovação que viria a traçar o seu final prematuro. Com este remake, procura-se uma nova vida, uma segunda oportunidade, e apesar de ser uma jogada segura (demasiado segura), é também a mais correta.

A Black Forest Games seguiu à risca a fórmula do original e trouxe-nos um remake que é, em tudo, semelhante ao que vimos em 2005. A narrativa, a estrutura, a jogabilidade e até os conteúdos adicionais e secundários: nada foi alterado. A ideia foi modernizar alguns dos seus aspetos mais problemáticos, como os gráficos e alguns aspetos da jogabilidade, e trazer a série a uma geração que não jogou o original. Nesse sentido, Destroy All Humans! é um sucesso e apresenta-nos Crypto-137 e Pox, dois extraterrestres da raça Furon, que tentam, a todo o custo, conquistar o planeta Terra. A sua missão leva-os a aterrorizar os habitantes da pacata Rockwell, à medida que lutam contra organizações secretas e o exército norte-americano numa aventura repleta de humor, que já começa a mostrar a sua idade, e de referência aos clássicos da ficção científica, mantendo, inclusivamente, um estilo visual muito próximo dos filmes de Série B dos anos 50.

Destroy All Humans! divide a sua campanha por zonas, como Turnipseed Farm e Capitol City, e dá aos jogadores várias missões principais para concluírem. As zonas são limitadas, especialmente para o panorama atual, mas apresentam uma certa abertura na sua abordagem, dando aos jogadores a possibilidade de explorarem um pouco desta América fictícia e quase idealista. O foco mantém-se sempre nas missões, um foco que às vezes é muito restrito, mas há a sensação de que estamos a dominar e a contornar os seus desafios à medida que conhecemos melhor as cidades, bases e quintas que exploramos. Esta sensação é exponenciada pelas missões secundárias que se desbloqueiam quando terminamos uma zona, onde o jogo assume uma estrutura mais livre e deixa os jogadores explorarem os mapas em busca de missões, colecionáveis e todo o tipo de caos. Estas missões, que se resumem a corridas ou a desafios de tempo, são muito repetitivas e são um dos aspetos do original que necessitam de uma modernização, mas como estão, têm um charme clássico, ainda que aquém do esperado.

Há muito para descobrir neste jogo de ação e aventura, e se quiserem completar tudo a 100% terão de explorar muito bem os seus níveis. Esta exploração não seria empolgante se Crypto-137 não fosse divertido de controlado e felizmente a Black Forest Games fez um ótimo trabalho de reconstrução, dando à fórmula clássica um sistema de controlos mais apurado e uma movimentação fluída e intuitiva. Crypto-137 é mais fácil de controlar, existe uma maior sensação de controlo, algo que é possível com o leque de armas e poderes que o extraterrestre traz consigo. Armas como o Zap-O-Matic, que atira raios, ou o Death Ray, que vaporiza tudo à sua passagem, ou a telecinesia e a probes que permitem roubar cérebros: são clichés, é certo, mas funcionam. O armamento cresce à medida que avançamos na campanha e é possível comprar melhorias para cada uma delas, desde o aumento do poder à sua duração em combate. O mesmo se aplica à nave de Crypto, que podemos utilizar na campanha e nas missões secundárias, onde temos raios destrutivos, faixas de poder para raptar pessoas e carros, e novamente a possibilidade de melhorar tudo ao longo das missões principais.

A jogabilidade não é inovadora ou profunda, mas sim funcional. Apesar de ter encontrado alguns problemas com o sistema de mira automática, onde foi difícil de selecionar o objeto ou inimigo que queria capturar, a verdade é que as mecânicas funcionam em harmonia com o estilo e design do jogo. Não é uma campanha difícil, apesar dos seus momentos desafiantes, e a sua modernização dá aos jogadores um maior controlo sobre as situações. A nave não é tão intuitiva e apresenta uma câmara mais limitada, onde só podemos controlar a sua distância vertical e rodar a câmara para os lados. A ideia é dar aos jogadores uma visão de cima para baixo, como se estivessem a olhar para os humanos dos céus, mas não funciona tão bem como devia. No entanto, é apenas um pormenor.

O grande problema de Destroy All Humans! é a sua repetição. As missões são muito semelhantes entre si e cingem-se à descoberta de um disfarce, ao rapto de uma personagem ou à destruição de um edifício ou arma. A fórmula pouco muda ao longo da campanha e piora quando nos debruçamos sobre as missões secundárias. A Pandemic tentou contornar estes problemas com uma aposta no humor e no absurdismo, mas não é o suficiente. Quinze anos depois, a estória e humor estão datados, mesmo que apresentem alguns momentos cómicos e divertidos. Os gráficos não surpreendem, mas é interessante fazer a comparação entre as duas versões e perceber como o jogo mudou neste salto geracional. As cores são mais vivas, nítidas e o desempenho muito mais sólido, com os modelos a apresentarem mais animações e detalhes. A UI não segue esta modernização, infelizmente, e revela-se muito básica e banal, com um fundo desinteressante e modelos sem imaginação.

Destroy All Humans! não procura reinventar o género, mas sim revitalizar uma série que parecia perdida no tempo. Como remake, é um trabalho interessante, conseguindo transportar o tom e humor do original para uma nova geração sem perder o que o tornou especial em 2005. É um jogo perfeito para os fãs, que procuram reencontrar o jogo, e para os novos jogadores, que nunca experimentaram a série. Resta agora saber se este é o início de uma revitalização ou se é um lançamento falhado.

Nota: Bom

Plataformas: PC, PlayStation 4 e Xbox One
Este jogo (versão PlayStation 4) foi cedido para análise pela Dead Good Media.

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