Death Stranding 2: On the Beach Review: Agora no PC

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Death Stranding 2: On the Beach no PC continua a valer todos os elogios da versão PlayStation 5, mas para quem já jogou na consola, os incentivos para revisitar na nova plataforma são modestos, numa conversão que faz justiça à visão técnica e artística de Hideo Kojima sem avanços substanciais.

Quando joguei Death Stranding 2: On the Beach pela primeira vez, quando chegou à PlayStation 5, o desejo de o voltar a repetir imediatamente foi forte, mesmo depois de o platinar. Mas correndo o risco de fazer burnout e nunca mais o querer revisitar, aguardei pelo seu eventual relançamento para PC que aconteceu agora, menos de um ano depois. Ao contrário do jogo original, Death Stranding 2: On the Beach não chega ao PC com uma “director’s cut” ou uma versão remasterizada – à falta de uma consola de nova geração da Sony que o justificasse -, tão pouco se faz chegar com uma expansão com mais história como aconteceu no primeiro jogo. Ainda assim, a nova versão chega com uma resposta para uma questão perpetuava na minha mente: quão melhor poderá ser a experiência audiovisual de Death Stranding 2: On the Beach, em comparação com o que a PlayStation 5 Pro oferece – a consola mais avançada do mercado – a nível de fidelidade visual? Essa resposta, embora não surpreenda, é bastante positiva, mas se calhar só para quem tiver uma máquina à altura.

Trabalhada pela Nixxes – a equipa interna da PlayStation dedicada às conversões dos seus jogos para PC -, Death Stranding 2: On the Beach é relançado na nova plataforma com uma carrada de novidades, algumas delas que também chegam de forma gratuita à versão de consola. São novidades que vão desde afinações, novas opções de qualidade de vida, conteúdos e um novo modos de jogo. Como já havia sido anunciado antes deste lançamento, a versão para PC integra também as mais recentes tecnologias de reconstrução de imagem, como o DLSS da NVIDIA, o FSR da AMD e o XeSS da Intel. A essas adiciona-se o PICO (Progressive Image Compositor), a técnica de reconstrução de imagem desenvolvida pela Guerrilla Games para o seu motor de jogo, que é a mesma usada na versão da PlayStation 5. E com estas técnicas, juntam-se as várias formas de geração de frames de cada fabricante. Exclusivo ao PC inclui-se suporte para monitores ultra largos, de 32:9 e a capacidade de jogar com teclado e rato. Já a introdução do formato 21:9, esse fica agora também disponível na PlayStation 5.

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Death Stranding 2: On the Beach para PC (Kojima Productions)

Como outras conversões da Nixxes, Death Stranding 2: On the Beach oferece uma quantidade generosa de opções para uma afinação granular da experiência, destacando-se um modo de Ray-Tracing avançado, que a Kojima Productions e a Nixxes recomendam só para computadores bem equipados, ou seja, para lá das definições recomendadas. Estas funções ativam reflexos e oclusão ambiental com muito mais detalhe e precisão, tornando o aspeto do jogo mais sólido e coeso, tornando menos distrativos aqueles elementos que definem o look de um videojogo.

A nível de desempenho nota-se bem o peso destas funcionalidades extra, com Death Stranding 2: On the Beach a puxar pelos limites técnicos de computadores mais bem equipados. Costumo jogar num PC equipado com uma GeForce RTX 4090 da NVIDIA, 32 GB de RAM, SSD de alto desempenho e um processador i9-10900X da Intel (que já começa a acusar a idade), e o meu método de teste começa sempre ao colocar todas as definições no máximo e, a partir daí, começar a baixar parâmetros, afinando até obter o melhor equilíbrio entre qualidade e fluidez. Como seria de esperar, nesta configuração, Death Stranding 2: On the Beach não tem grandes problemas em correr de forma extremamente satisfatória, mas não deixa de ser interessante ver até que ponto a tecnologia e direção de arte combinadas conseguem ir. E a verdade é esta: Death Stranding 2: On the Beach no PC não é muito mais incrível do que PlayStation 5 Pro é capaz de produzir. É verdade que podemos tirar partido das suas resoluções 4K nativas, ou taxas de frame-rate muito mais elevadas e ligar até essas capacidades de Ray-Tracing adicionais, mas entre os sacrifícios de desempenho que podem causar em diferentes configurações e o impacto real na experiência, a menos que tenhamos uma lupa apontada para o monitor ou estejamos a fazer benchmarks durante todo o tempo, não há grandes vantagens perceptivas.

Um bom exemplo disso é o tal Ray-Tracing avançado com as opções de High e Very High. Estas opções oferecem, de facto, uma apresentação mais limpa e coesa em cenários com superfícies refletivas, como metais, água, ou alcatrão, que refletem o ambiente em volta. Também oferecem uma imagem mais coesa no que toca a sombras, em ambientes com objetos onde as zonas de contacto são mais naturais, ou até em zonas com vegetação onde as sombras acrescentam um nível maior de riqueza, em cima da iluminação global. Contudo, e positivamente, através de técnicas tradicionais de screenspace já otimizadas na versão de consola, muitos destes aspetos não eram tão distrativos como encontramos noutros jogos com características semelhantes. Desta forma, o peso no desempenho acaba por refletir o quão realmente opcionais estas opções são.

Com o jogo no máximo, recorrendo a frame-gen e reconstrução de imagem em Quality do DLSS, o jogo aguenta-se facilmente na casa dos 110 FPS, dependendo do momento, caindo por norma para os 90 FPS em situações visualmente mais exigentes, o que confere uma experiência de jogo fluida e sem grandes problemas. Mas uma vez com o Ray-Tracing desativado, o salto de desempenho atira o jogo para cima dos 150/160 FPS, sendo jogável de forma consistente acima dos 120 FPS nesta configuração. Mas, claro, graças à geração de frames ativa a 2X. Sem geração de frames, o jogo corre perfeitamente acima dos 60 FPS sem Ray-Tracing, mas fica abaixo desse alvo com ele ligado. E este é um aspeto importante, porque a maioria dos jogadores poderá jogar Death Stranding 2: On the Beach sem Ray-Tracing avançado, ao mesmo tempo que mantém uma experiência de jogo autêntica e, em alguns casos, sem recorrer a geração de frames ou técnicas de reconstrução, afinando bem as suas opções.

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Death Stranding 2: On the Beach para PC (Kojima Productions)

E por falar nestes dois pontos, é interessante ver como o PICO (Progressive Image Compositor), também em Quality, se tornou na minha definição padrão após experimentar o DLSS (agora na sua versão 4.5). É verdade que estamos numa altura em que estas técnicas estão tão avançadas que até com resoluções nativas mais baixas os jogos se apresentam com excelente qualidade, mas após os meus testes senti que o PICO oferecia uma imagem mais estável e clara que qualquer opção do DLSS, sem grandes diferenças de ganhos ou perdas de desempenho.

Já a geração de frames com DLSS deixou-me um pouco de pé atrás e ao ponto de o desconsiderar a troco de um frame-rate mais baixo (ainda que acima do satisfatório), pois em algumas circunstâncias a sua aplicação resulta em artefactos como ghosting em torno das personagens, ou arrastos na user interface quando há movimento. É um efeito bastante comum em vários jogos, mas aqui o suficientemente notório para se tornar distrativo. No entanto, é algo que poderá ser melhorado em patches.

Apesar dos avanços no motor de jogo Decima (que também suporta Horizon: Forbidden West), Death Stranding 2: On the Beach aparenta dar uma grande margem para sistemas menos capazes de acordo com os seus requisitos recomendados e mínimos. No entanto, os mínimos têm os seus limites e admitidamente que jogar Death Stranding 2: On the Beach nas definições mais baixas e com alvos de 1080p fazem um grande desserviço à experiência cinemática e tecnologicamente avançada da Kojima Productions, pelo que fica difícil de recomendar o jogo a quem não tenha segurança suficiente de que a sua máquina é capaz de o correr nas definições de “High” para cima.

Também é importante mencionar que quem estiver a pensar em jogar Death Stranding 2: On the Beach em máquinas como a Steam Deck, irá passar um mau bocado. O jogo oferece um preset dedicado a “portáteis”, provavelmente a pensar em máquinas como uma ASUS ROG Ally, julgando pelo alvo de 1080p a 30 FPS dos requisitos mínimos. A Steam Deck, neste caso, até tem uma resolução mais baixa, de 1280×800, mas nem isso representa uma vantagem, porque o desempenho do jogo na máquina da Valve é muito mau. No passado, já tínhamos visto como a Steam Deck tinha dificuldades em correr Horizon: Forbidden West, e Death Stranding 2: On the Beach não é, assim, diferente. Mesmo nas definições mínimas, o jogo tem dificuldades em sair da casa dos 20 FPS, por vezes correndo abaixo dos 10 FPS. Aliado a esse desempenho, temos a falta de detalhe em toda a imagem, sem texturas, efeitos, sombras entre outros elementos importantes para a apresentação satisfatória do jogo – que são irrelevantes com este desempenho. É particularmente pena que o jogo não se aguente na máquina da Valve, uma vez que o primeiro traduzia na perfeição a experiência encontrada na versão da PlayStation 4.

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Death Stranding 2: On the Beach para PC (Kojima Productions)

Death Stranding 2: On the Beach para o PC é, contudo, uma excelente conversão, mas acima de tudo muito bem-vinda para o público que já havia entrado neste estranho mundo de Hideo Kojima há uns anos. Mas para quem tenciona repetir a dose depois de jogar na PlayStation 5, talvez seja melhor conter as expectativas ou, até, fazer uma nova viagem na consola, até porque nesse caso já existem vários incentivos, uma vez que lançamento desta versão vem também atualizar a da PlayStation 5. Como já mencionei, entre as novidades encontra-se o tal modo de apresentação 21:9, juntamente com muitas afinações “invisíveis”; novos conteúdos como o Chiral Feline no quarto privado de Sam no DHV Magellan; novos elementos cosméticos como as bandanas inspiradas em Metal Gear; novos desafios na área de treino VR; entre outras novidades. Mas o grande destaque, vai um novo modo de jogo, que vem responder às críticas de alguns jogadores que procuravam um pouco mais de desafio aquando do lançamento original.

Ao iniciar um jogo novo, Death Stranding 2: On the Beach oferece a opção “To the Wilder”, este é um modo de dificuldade mais intenso, onde os jogadores terão que ter muito mais cuidado nas missões a fazer ao longo da história e do que levar consigo, até porque não há volta a dar, uma vez escolhida, não dá para baixar. Este modo torna-se interessante não só pela dificuldade mais elevada, mas também pela forma como nos obriga a abordar o jogo no seu todo. Se para muitos jogadores era possível completar duas, três, missões durante uma viagem, agora essa estratégia tem que ser repensada, algo que poderá estender o tempo de jogo em muito mais horas.

Apesar das diferenças e semelhanças, Death Stranding 2: On the Beach continua recomendável seja em que plataforma for. É um autêntico “must play”, especialmente se ficaram fãs do original. Para ficarem a saber porquê, podem ler a nossa análise original ao jogo, para a PlayStation 5, aqui, onde sentimos que estivemos perante mais uma obra-de-arte de Hideo Kojima.

Death Stranding 2: On the Beach para PC está disponível na Steam Store e na Epic Games Store a partir de 79,99€.

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Cópia para análise cedida pela PlayStation Portugal.

David Fialho
David Fialho
Licenciado em Comunicação e Multimédia, considero-me um apaixonado por tecnologias e novas formas de entretenimento. Sou editor de tecnologia e entretenimento no Echo Boomer, com um foco especial na área dos videojogos.
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