Análise – Darksiders Genesis (Nintendo Switch)

Antes de recebermos a sequela e continuação da história dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, a Airship Syndicate voltou atrás no tempo naquela que é a primeira prequela da série de ação e aventura. Darksiders Genenis não é, no entanto, apenas uma nova história ou perspetiva sobre os acontecimentos deste universo, mas sim uma experiência totalmente nova.

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Ao contrário dos três jogos anteriores, Darksiders Genesis é um jogo de ação isométrico com um grande foco no combate e em mecânicas RPG. A mudança é, à primeira vista, acentuada e assume-se como uma experiência totalmente nova até para os fãs da série. A passagem para um estilo mais fragmentado, com vários níveis e arenas separadas por capítulos – com a possibilidade de repetirem cada um deles, até em dificuldades diferentes –, e inspirada, sem quaisquer dúvidas, em jogos como Diablo e Victor Vran, foi arriscada, mas satisfatória. Para complementar esta mudança de géneros, Genesis é um jogo cooperativo, focando a sua ação nas suas duas personagens – Strife e War – e em partidas locais ou online.

A experiência mantém-se muito próxima do género dungeon crawlers, com as mecânicas RPG e de ação a definirem a evolução das personagens e o ritmo dos confrontos. Apesar de não existirem níveis de experiência, é possível melhorar os atributos de War e Strife através da aquisição de novas habilidades e da utilização de medalhas, que conquistamos ao derrotarmos os inimigos, numa árvore de habilidades que desbloqueiam novos pontos de ataque e defesa. Como seria de esperar, Darksiders Genesis inclui ainda várias habilidades para as suas personagens que podemos utilizar tanto em combate, como nos quebra-cabeças, incentivando à rotatividade dos poderes e dos dois cavaleiros.

Darksides Genesis

A colaboração entre War e Strife é um dos destaques do jogo e é rápido e acessível efetuar a troca entre os dois, mantendo a ação focada sem necessitarmos de menus adicionais. Para mudarmos de personagens, basta pressionar os botões certos e estaremos automaticamente a controlar o cavaleiro que queremos. Isto significa que o jogo está construído em redor dos ataques corpo a corpo e de longo alcance, obrigando-nos a alternar entre as personagens para mantermos a distância das hordas de inimigos ou, pelo contrário, disferirmos o maior número de dano com o poder destrutivo e visceral de War. Há um ritmo interessante inerente ao combate, ainda que se torne repetitivo.

Os níveis são longos e tentam disfarçar a sua linearidade ao oferecerem vários segredos e missões secundárias para completarmos. Existem cenários mais extensos e assentes na exploração, onde poderemos utilizar os cavalos de War e Strife livremente – algo que relembra Darksiders II –, mas o design divide-se por cenários lineares, secções de plataformas e puzzles muito acessíveis e fáceis de solucionar.

O combate é mesmo o foco de Darksiders Genesis, juntamente com alguns momentos de história – ainda que mantenha o mau hábito que a série tem em contar mal a sua narrativa –, e é igualmente o seu problema, oferecendo um sistema demasiado repetitivo para a duração de cada um dos níveis. Em lutas contra os bosses, de onde destaco os servos de Lucifer – o grande vilão desta prequela –, esta repetição é diluída, com os combates a oferecerem novos padrões e elementos que exponenciam a jogabilidade, mas em confrontos contra inimigos tradicionais, Darksiders Genesis perde o fôlego.

Este é um problema da série e não apenas de Darksiders Genesis e da sua perspetiva isométrica. As combinações simples e pouco desafiantes sempre estagnaram o sistema de combate e aqui acontece o mesmo. Apesar de oferecer duas personagens com dois estilos diferentes de ataques e a possibilidade de adquirirmos novos ataques e melhorarmos os atributos dos cavaleiros, Genesis não consegue injetar variedade na sua jogabilidade. Não só estamos constantemente a derrotar os mesmos inimigos, como não temos opções de combate que valham o nosso tempo.

Darksides Genesis

O combate resume-se às combinações fáceis e aborrecidas entre ataques rápidos e ataques mais poderosos, algo que já vimos nos jogos anteriores. Se adoram Diablo e os restantes RPGs de ação, talvez Darksiders Genesis não seja tão repetitivo para vocês, mas se quiserem algo mais profundo e desafiante, então não o irão encontrar aqui.

Na versão Nintendo Switch, Darksiders Genesis é igualmente inconsistente. Na televisão, não encontrei grandes problemas, a não ser a ocasional queda de framerate e bugs visuais, mas no modo portátil, Genesis peca na resolução. Não é a primeira vez que me deparo com uma clara redução na qualidade visual de um jogo na Switch, mas Genesis chega a ser assustador, com sombras carregadas e cenários demasiado escuros e difíceis de ler. A performance não é muito prejudicada e nota-se que foi esse o foco da Airship Syndicate, mas é cansativo olhar para os cenários desfocados da versão portátil. Com níveis extensos e com cores pouco marcantes, Darksiders Genesis é um jogo de resistência visual fora da televisão.

Mesmo com os seus problemas, Darksiders Genesis é um bom jogo que podia ter sido excelente. Há muito para descobrir neste mundo de demónios e anjos e não existem dúvidas de que War e Strife proporcionam alguns momentos narrativos interessantes, especialmente através das suas interações, mas este spin-off podia ter sido mais ambicioso. Podem contar com vários níveis de dificuldade, arenas, missões e medalhas para colecionarem ao longo de dezenas de horas, mas não esperem que a vossa estadia seja sempre divertida.

Nota: Bom

Darksiders Genenis

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch
Este jogo (versão Nintendo Switch) foi cedido para análise pela Dead Good Media

Com uma nova perspetiva e assente numa experiência RPG, Darksiders Genesis é uma boa distração da série principal, dando-nos um olhar sobre os acontecimentos que antecederam o Apocalipse que destruir a Terra.

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