Dakar Desert Rally

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A premissa do jogo desenvolvido em solo português explora um nicho muito específico de jogadores, mas oferece uma experiência cheia de adrenalina.

Dakar Desert Rally foi desenvolvido em Portugal. Mais concretamente pela Saber Porto, localizada em Vila Nova de Gaia, que faz parte da Saber Interactive. Em relação à temática do jogo, não é algo que seja estranho aos portugueses, visto que, para além de já terem havido compatriotas a conseguir bons resultados neste tipo de prova, houve anos em que arrancou em Portugal. Este ano, houve 19 pilotos portugueses a participarem na prova que se desenrolou na Arábia Saudita pela 3ª vez (na sua totalidade) e, apesar de não terem havido resultados surpreendentes, houve um 7º lugar na categoria de SSV (Luís Portela de Morais / David Megre – Bp Ultimate SSV Team) e um 11º em carros com Paulo Fiúza como co-piloto.

Contexto dado, está na hora de falar do jogo, mas vai ser rápido, visto que este é um título que prima pela simplicidade. E não é no mau sentido. Basta olhar para o menu principal, com quatro opções (Career, Online Free Mode, Ranking e Options), para perceber que Dakar Desert Rally é um jogo sem muitos rodeios, essencialmente focado nas corridas. Mas ainda antes disso, é-nos dada uma visão geral do que esperar com uma introdução que nos faz experimentar conduzir em carro, mota e camião, deixando logo com vontade de jogar mais.

Feito isso, a escolha mais óbvia é o modo de carreira, que é super simples. No menu base, que funciona como garagem, temos seis opções dentro de quatro categorias: comprar e vender veículos dentro de cada categoria e ter até cinco veículos na garagem; mover veículos para o armazém e voltar a ir buscá-los para a garagem; fazer manutenção dos veículos após as provas ou ajustes antes delas; ou ir a corrida na de forma descontraída (modo Sport) ou com maior seriedade (modo Profissional). Ao nível 25 desbloqueiam aquele que promete ser o pináculo deste jogo para quem procura uma experiência mais pura e dura. Até aqui, menus simples e diretos.

Após escolherem o veículo com que vão correr na garagem (que vai definir a categoria da prova) e a dificuldade, vão ter um mapa com pinos a indicar quais são as provas disponíveis, com as várias etapas. À medida que as forem terminando, mais ficarão disponíveis. Completando os eventos ganham sempre XP e DP (a moeda do jogo), e se os completarem com sucesso em cada uma das cinco categorias (carros, motas, camiões, moto 4 e SXS) ganham um veículo como prémio. Como podem ver, o modo carreira é bastante simples. Já o online free mode ainda mais simples é e, se não forem emparelhados com nenhum jogador, o jogo enche o lobby com bots para poderem fazer a prova que desejam, de qualquer das formas. Dentro de cada prova, há também a informação da elevação durante a mesma e percentagem de cada tipo de terreno durante a mesma, o que é deveras interessante.

A nível visual, acho os mapas fantásticos, com um elevado grau de detalhe e sem limite de corte visível. Faz algum sentido, uma vez que, e apesar dos checkpoints estarem distribuídos um bocado de forma sequencial nas provas simples, têm a liberdade de traçar o vosso percurso da maneira que entenderem. Os veículos têm um bom grau de detalhe e os brilhos e contrastes dos terrenos são realistas. A dinâmica nas areias e poeiras do deserto em interação com os veículos é boa, embora o detalhe das rodas enterradas na areia não pareça nada realista. As condições atmosféricas são qualquer coisa de magnífico. Não acreditam? Vejam este vídeo numa prova que fiz no meio de uma tempestade, literalmente.

Os mapas de Dakar Desert Rally são fantásticos, com um elevado grau de detalhe e sem limite de corte visível.

A nível de jogabilidade e mecânicas há pontos fortes, como a sensação de velocidade e tensão durante a condução em terrenos, a maior parte das vezes inóspitos, onde a mais pequena falha ou distração pode ditar o fim da prova. No geral, a condução é desafiante e é muito fácil falhar. Há também um elevado grau de exigência no controlo do carro e não compensa, de todo, forçar contactos com outros veículos durante as corridas, pois costuma correr mal para os dois e, quando não corre, há sempre danos que condicionam a performance do veículo até ao fim da etapa.

Pontos menos positivos são mesmo a falta de mais exigência com os gráficos com os humanos que aparecem no jogo, a falta de mais conteúdo, a aprimoração do conteúdo que existe, que é extremamente simplório, e melhorar algumas mecânicas, sobretudo nas motos. Nas motos há um problema grande com as derrapagens, que não são fáceis, mas também não são naturais. Nos carros também acontece, mas não é tão frequente ou fácil. Depois de algumas horas de jogo, é fácil apanhar o esquema de como conjugar a travagem com o motor/travão e as mudanças de direção para reduzir as hipóteses de isto acontecer, mas se é para acontecer, tem de ser mais realista e ser mais fiel ao tipo de asneira que é feita.

De forma geral, diria que este é um jogo divertido e desafiante que se ajusta ao preço pedido para consolas de nova geração (39,99€). No entanto, se procuram uma experiência imersiva no terreno e bastidores, ainda que hajam dezenas de veículos e pilotos oficiais, diria que este não é o jogo ideal, pois falta mais sabor por detrás de cada prova. Se tudo o que querem é conduzir e apreciar os fantásticos cenários que a Arábia Saudita tem para oferecer, estão muito bem servidos. Pessoalmente fiquei fã do jogo, mas considero que há muito a melhorar até chegar ao nível de outros simuladores de condução (ainda que dentro desta categoria).

Cópia para análise (versão PlayStation 5) cedida pela Honest PR.

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