Crítica – We Have a Ghost

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We Have a Ghost apresenta um conceito engraçado e um elenco charmoso, mas Christopher Landon desilude com uma história confusa, demasiado longa que cai facilmente no esquecimento.

Horror e comédia são dois géneros admitidamente difíceis de se misturarem. O equilíbrio de tom tem de se encontrar muito bem afinado para não se entrar num campo onde nem piadas nem sustos resultam. Christopher Landon é um dos cineastas que conseguiram encontrar a sua fórmula de sucesso dentro deste subgénero, principalmente nos últimos anos. Desde Freaky a Happy Death Day, não esquecendo o seu impacto na saga Paranormal Activity, o realizador-argumentista fez por merecer os inúmeros elogios. Infelizmente, We Have a Ghost quebra essa sequência positiva…

Esta obra da Netflix é o típico caso de muitas ideias se perderem na execução. O apelo de We Have a Ghost encontrava-se na leveza da premissa e do elenco charmoso, especialmente na escolha de David Harbour para interpretar um fantasma… que não fala. Este último detalhe é uma das tais ideias que parece interessante no papel, mas que segue um caminho desapontante com o desenrolar da narrativa. Landon tenta mostrar a sua versatilidade ao brincar com todos os géneros existentes de forma descontrolada, acabando por perder a visão que teria originalmente e entregando uma obra ultimamente confusa.

Desde uma sequência de ação envolvendo uma perseguição de carros absurda até à linha narrativa extremamente forçada sobre as redes sociais, We Have a Ghost simplesmente não sabe o que é. Se uma história guiada por uma mensagem sobre a cultura atual de notícias e a comunidade online. Se uma narrativa sobre a relação complicada entre um pai e filho cada vez mais emocionalmente afastados. Se um policial com departamentos específicos para capturar entidades sobrenaturais. Se uma comédia inconsequente onde nada importa. Se uma obra de horror focada em jumpscares baratos…

Pessoalmente, senti-me cada vez mais desligado a cada novo desenvolvimento, principalmente com aqueles vindo do nada. Tirando as prestações decentes de um elenco que tenta o melhor com o que tem ao seu dispor – Jahi Winston acaba por ser o maior destaque – é genuinamente difícil encontrar pontos positivos num dos filmes menos memoráveis dos últimos tempos – a banda sonora de Bear McCreary merecia uma obra melhor. Mesmo olhando para aspetos mais superficiais, não me recordo de um único sorriso, quanto mais uma gargalhada. We Have a Ghost tem um conceito engraçado, mas não justifica as duas horas de duração… nem de perto.

O coração está no sítio certo, sem dúvidas. Mas Lando perde-se na sua vontade imensa de querer transmitir dezenas de mensagens sobre assuntos distintos em géneros diferentes e, em vez de agarrar a atenção dos espetadores, vai perdendo uns atrás dos outros à medida que o argumento cresce na sua complexidade escusada e ilógica. Normalmente, recomendaria um filme como We Have a Ghost para aquele dia de fim-de-semana onde não apetece fazer absolutamente nada. No entanto, creio que a própria Netflix possui obras melhores para “passar o tempo”.

VEREDITO

We Have a Ghost apresenta um conceito engraçado e um elenco charmoso, mas Christopher Landon desilude com uma história confusa, demasiado longa que cai facilmente no esquecimento. As tentativas incessantes de abordar vários temas através de géneros distintos destroem um argumento que chamou a atenção pela leveza e simplicidade da sua premissa, mas que acaba por se transformar numa mistura desnecessariamente complexa e sem qualquer ideia do que deseja ser. Desperdiçar David Harbour enquanto um fantasma que não fala é uma das muitas decisões criativas questionáveis nesta obra da Netflix difícil de recordar.

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