Crítica – Watchmen (Filme – 2009)

Situado num universo alternativo por volta de 1985, o mundo encontra-se altamente instável, onde uma guerra nuclear é iminente entre a América e a Rússia. Super-heróis têm sido obrigados a pendurar as suas botas graças ao Keene Act apoiado pelo governo, mas tudo muda com a morte de um ex-herói militar, que chama a atenção de um dos últimos vigilantes do país, Rorschach (Jackie Earle Haley). A sua investigação leva-o a avisar muitos dos seus antigos colegas mascarados, incluindo Dr. Manhattan (Billy Crudup), Nite Owl (Patrick Wilson), Ozymandias (Matthew Goode), Sally Jupiter (Carla Gugino) e a sua filha, Silk Spectre (Malin Åkerman).

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Em primeiro lugar, esta crítica é baseada na versão original de Watchmen. Normalmente, os Director’s Cuts ou Ultimate Editions não são preferidos sobre a versão de cinema. Poucos filmes beneficiam destas e a maioria são simplesmente um corte com duração mais extensa com um amontoado de deleted scenes. Portanto, é justo e racional que observe a versão que o mundo inteiro viu nos cinemas na altura respetiva.

Assim, apesar de conhecer a história do material de origem, nunca li a comic por completo. Tendo em conta que a maioria do “ódio” que este filme de Zack Snyder recebeu pertence a puristas de BDs (basicamente, amantes de livros/comics/jogos que defendem que todas as adaptações cinemáticas de qualquer uma destas fontes devem ser 100% iguais, sem quaisquer modificações), estou certo que uma perspetiva imparcial é o caminho a seguir.

Watchmen

E, em geral, este é um bom filme. Watchmen não é apenas outro CBM (comic-book movie). Não segue apenas um herói contra um vilão. É um mundo inteiro (nos padrões de hoje, é realmente um universo cinemático) de “super-heróis” destinado a ser explorado ao mais ínfimo detalhe (daí o lançamento de uma série hoje… crítica em breve). É um mundo extremamente complexo que precisa de ser totalmente explicado, a fim de entender profundamente como este funciona e qual o papel de todas as suas personagens.

Este é o problema principal do filme: tem muita dificuldade em conciliar todas as suas histórias diferentes e personagens distintas. Mesmo com 163min de tempo de execução, é impossível enfiar todas as informações necessárias.

Assim, como esperado, Snyder e a sua equipa de argumentistas tiveram que simplificar, encurtar ou até mesmo descartar completamente alguns elementos da história que só esticariam a duração para um tempo exagerado. Algumas das adaptações funcionam brilhantemente, mas outras não conseguem dar a uma personagem a sua importância ou não oferecem interesse suficiente a um subplot.

No entanto, ainda é bastante acessível entender tudo e como o final se vai desenrolar, o que me leva ao meu segundo problema: a exposição pesada do seu ato final.

Watchmen

Como escrevi acima, existe muita informação para entregar. O que Snyder fez muito bem foi revelar a maior parte dela através de flashbacks ou conversas cativantes, mas, no último ato, onde tudo já era muito claro e sem necessidade de mais exposição, há um excesso de diálogo redundante que realmente não adiciona nada de relevante. O que as personagens dizem é significativo, sim, mas nós, enquanto espetadores, já sabemos praticamente tudo antes do clímax.

Chega a ser irónico como fazem uma piada sobre vilões contarem o seu plano ao herói e como este vilão não é burro o suficiente para o fazer, mas depois procedem a explicar cuidadosamente tudo (o que já sabemos) através de exposição.

Sinceramente, estes são os principais problemas que eu tenho com o filme. De resto, há muita coisa que adoro. Desde as escolhas musicais apropriadas e divertidas até à fantástica produção artística, Zack Snyder e a sua equipa fizeram um trabalho técnico incrível.

O estilo de Snyder captura o mundo de Watchmen na perfeição. É um daqueles filmes que carrega um “feel” devido à sua cinematografia distinta. Adoro o quão pouco CGI é aplicado (estou a ignorar, obviamente, o homem brilhante azul) e a abundância de efeitos práticos e sets reais que são usados. As sequências de ação estão espetaculares, muito melhor do que vários blockbusters de hoje em dia (10 anos mais tarde!).

Apesar das realizações técnicas impressionantes, o meu maior elogio está ligado ao meu problema número um. Embora as histórias sejam incrivelmente difíceis de balançar, personagens como Rorschach, Nite Owl, Silk Spectre e The Comedian (Jeffrey Dean Morgan) têm histórias extremamente cativantes e divertidas. Podem existir algumas falhas aqui e ali, mas Snyder fez um filme a partir de um material que merece uma série inteira ou, pelo menos, dois filmes. E conseguiu dar-nos um bom filme! Provavelmente, um trabalho melhor do que 80% dos realizadores que trabalham hoje alguma vez conseguiriam.

Watchmen

Finalmente, o comentário social ainda é bastante relevante para esta nova geração e, se os chamados “puristas” não contassem, este filme seria muito mais apreciado.

Concluindo, Watchmen (filme) é tão bom quanto poderia ser, tendo em mente que é apenas um filme com uma duração já considerada longa. A narrativa iria sempre ser extremamente difícil de contar de uma forma sólida e convincente, pelo que Zack Snyder tem dificuldades com o equilíbrio de todas as histórias e as suas personagens.

No entanto, o realizador e a sua equipa fenomenal ainda conseguiram um bom filme. É tecnicamente sublime, com um estilo distinto, uma produção artística brilhante e uma cinematografia impressionante. Personagens como Rorschach e Nite Owl têm momentos incríveis, repletos de sequências de ação magníficas, mas também conta com cenas emocionalmente poderosas.

Se Watchmen (filme) poderia ser melhor? Talvez. Se pudesse ser dividido em dois ou três filmes. Assim, como um único filme, é realmente surpreendente, mesmo com as suas falhas.

 

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