Crítica – Violation (Sundance 2021)

Violation é extremamente nojento e visualmente chocante, mas contém uma narrativa interessante o suficiente para servir de recomendação aos menos sensíveis.

Violation
Foto: Sundance Institute | One Plus One
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Sinopse: “O casal infeliz Miriam (Madeleine Sims-Less) e Caleb (Obi Abili) junta-se à irmã algo distante de Miriam, Greta (Anna Maguire) e ao marido Dylan (Jesse LaVercombe), numa cabana à beira do lago para um fim de semana de relaxamento e reconciliação. Sentindo-se rejeitada nas tentativas de se entender com Greta e Caleb, Miriam recua cada vez mais para o conforto fácil da sua amizade com o afável Dylan. Após um ato transgressor de violência sexual, a narrativa do filme fratura-se vividamente, desorientando o público enquanto amarra a sua experiência à de Miriam ao mesmo tempo que esta embarca numa cruel jornada de vingança.”

É a primeira vez que vejo um filme realizado por Madeleine Sims-Less – também a protagonista – e Dusty Mancinelli. Adicionei Violation à minha agenda do festival Sundance devido à premissa macabra e interessante, portanto sabia de antemão que não era apenas mais um filme aleatório de violação e vingança. A primeira metade demonstra claramente o quão impactante e visualmente chocante Sims-Less e Mancinelli querem que o seu filme seja, mas o ato final estica a história um pouco longe demais para o meu gosto. Ainda assim, é um filme com um propósito evidente que justifica toda a crueldade com um evento traumatizante que muitas mulheres, infelizmente, têm que lidar.

Da nudez masculina explícita – algo bastante raro – aos longos e excruciantes takes, a câmara persistente de Adam Crosby transforma cenas já horríveis e indutoras de vómito em algo ainda mais difícil de fixar os olhos no ecrã. Olhei, instintivamente, para o lado em certos segundos. A “passagem” de Miriam para o lado sombrio é retratada de uma forma um pouco abrupta, pelo que a sua vingança toma um caminho excessivamente implacável que eu luto para aceitar como algo remotamente possível. Algumas ações só levantam muitas questões que acabam, na minha opinião, por prejudicar a narrativa.

Apesar do acontecimento horrível que mudou a sua vida, a personagem de Sims-Less não é exatamente alguém fácil de gostar, já que ela não era a melhor irmã/esposa muito antes daquele momento. Alguns momentos de personagem sentem-se merecidos, enquanto outros são violentos devido ao choque visual.

Em relação ao elenco, todos são ótimos, mas Sims-Less entrega uma performance poderosa que me deixou desconfortável durante todo o tempo de execução. Tecnicamente, um elogio final à banda-sonora de Andrea Boccadoro, que é incrivelmente sinistra, contribuindo para a atmosfera estranha e de suspensa, mas que, ocasionalmente, também distrai bastante.

Violation é um dos filmes mais visualmente chocantes, macabros e nojentos que vi nos últimos tempos. Madeleine Sims-Fewer partilha créditos de realização e argumento com Dusty Mancinelli, mas também retrata a protagonista um pouco divisiva. Embora entenda as suas razões e despreze absolutamente o que lhe acontece, não é exatamente uma personagem fácil de criar uma ligação ou até de se torcer por ela.

A narrativa segue um caminho vingativo extremamente sombrio, contado através de uma estrutura narrativa não linear interessante. No entanto, o seu setup é ligeiramente apressado e é desenvolvida para além do meu limite de lógica ficcional e compreensão. Apesar de ser excessivamente violento por vezes, a maioria das sequências brutalmente cruéis parecem justificadas.

Agradeço imenso pela cinematografia persistente e a banda sonora sinistra. Recomendo a espectadores pouco sensíveis que gostariam de ver uma perspetiva com mais significado sobre o subgénero da vingança.

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