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Crítica – “Tomb Raider” – Era mesmo necessário?

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Foi em 2001 que surgiu a primeira adaptação cinematográfica da heroína dos videojogos que nos tínhamos habituado a ver pixelizada. Chamava-se Lara Croft: Tomb Raider e trazia-nos um filme realizado por Simon West e protagonizado por Angelina Jolie. Apesar das boas intenções, foi fulminado em termos de críticas negativas.

Não obstante, o filme deu lucro nas bilheteiras, o que fez com que apostassem num segundo filme, Lara Croft: Tomb Raider – O Berço da Vida, lançado em 2003. Novamente arrasado pela crítica, este segundo filme contou com um orçamento mais baixo e, também, deu menos lucro ao estúdio. E as coisas ficaram por aí.

Mais ninguém desejou fazer outros desastres de cinema baseado em Lara Croft, até que foi anunciado este reboot de Tomb Raider, película que se baseia no jogo lançado em 2013.

Quando foi anunciado, Graham King, produtor do filme, referiu que o guião do mesmo seria focado na procura de Lara Croft pelo seu pai. E logo aqui percebia-se que íamos voltar à velha relação entre pai e filha, algo tantas vezes esmiuçado em tantos outros filmes.

Entre Lara Croft: Tomb Raider – O Berço da Vida e este reboot passaram 15 anos. Nesse tempo muita coisa mudou e Angelina Jolie deixou de ser a Lara Croft que conhecíamos para ser substituída pela (agora) “lisboeta” Alicia Vikander. E as diferenças em termos de personagem são mais do que óbvias.

Se, em 2001, Angelina Jolie sabia quem era perante o mundo e o que pretendia fazer, esta nova aposta em Lara Croft com Vikander mostra uma personagem bem diferente. Apesar de saber que tem uma herança pronta a herdar assim que se decidir a assinar os papéis que “garantem” a morte do seu pai, Croft adia o assunto vezes e vezes sem conta por recusar-se a acreditar em tal hipótese.

É, aliás, num desses momentos, em que recebe um objeto que pode indicar a localização do seu pai, que Croft se decide a procurá-lo. E é também a partir daqui que a história irá desenrolar-se, com mais e menos personagens relevantes no argumento.

Se estávamos habituados a ver Lara Croft como uma heroína, esse papel é muito forçado neste novo filme. Apesar de Vikander estar muito confiante em dar vida à personagem, deixando transparecer isso mesmo para o público, acaba por ser o próprio argumento que estraga o filme, e não a sua performance enquanto protagonista.

Aqui, a personagem é uma estafeta. E o que podemos esperar de alguém com um emprego tão normal? Alguém igualmente normal, mas não é isso que acontece. Lara Croft sabe lutar, sabe escalar, é boa a atirar flechas, tem exímia forma física e é muito rápida, conseguindo sempre desviar-se dos obstáculos.

O problema é que nada disto é dito ao público, ou seja, a personagem surge como se fosse uma “super-heroína” do nada. Não há contexto, simplesmente acontece.

Dado o tipo de filme, já era de esperar inúmeras cenas de ação onde a protagonista parece mais rija que tudo o resto. Mas caramba, as quedas aqui e ali são múltiplas e Vikander parece ter uma fonte de energia inesgotável.

Vikander até se apresenta bastante bem no papel, mesmo sendo muito diferente de Angelina Jolie. As comparações serão inevitáveis, mas o guião do filme fez com que Vikander se transformasse em alguém mais frágil, inocente, ingénua e bastante teimosa.

Claro, Tomb Raider não poderia ter este nome se não desse ao público algo que misturasse locais secretos, armadilhas e magia. Mesmo a representação de movimentos icónicos da personagem são aqui replicados. Há aqui um pouco de tudo isso, mas não há propriamente nenhuma novidade.  Para o público em geral nada disto é percetível ou diferenciador do que já se viu noutros filmes. Por momentos, senti-me como se estivesse a ver um filme de A Múmia.

Em termos de história, não há nada de relevante a apontar aqui, indo buscar elementos dos jogos aqui e acolá para ajudar a montar a trama. Tudo acontece demasiado depressa e contado às três pancadas, dando pouco tempo para absorver estes conteúdos. É o típico filme de ação, sem tirar nem por.

Rapidamente o público também se começa a aperceber que este filme é apenas o início de uma série cinemática, retirando-lhe toda a possível tensão ou surpresa das sucessivas peripécias e momentos de perigo de Lara Croft. Também nos são apresentadas personagens pouco relevantes, mas que largam sementes para futuros filmes. Em suma, previsível.

Tomb Raider acaba por ser um filme pouco memorável e banal. É um filme que não vai surpreender muita gente e que, provavelmente, também não vale a experiência IMAX. Contudo, haverá quem acabe por gostar do filme porque entretém para o propósito a que se propõe e está carregado de cenas de ação e efeitos especiais capaz de agradar a adeptos da pipoca. Já aos fãs, nem por isso.

Tomb Raider chega aos cinemas a 15 de março.

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