Crítica – The White Tiger

The White Tiger conta uma história esclarecedora e educacional, mas perde-se com a quantidade avassaladora de eventos narrativos desnecessários e pouco impactantes.

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Sinopse: “Balram Halwai (Adarsh Gourav) narra esta história épica e plena de humor negro sobre a ascensão de um aldeão pobre a um empresário de sucesso na Índia dos dias de hoje. Astuto e ambicioso, o nosso jovem herói faz pela vida para ser motorista de Ashok (Rajkummar Rao) e Pinky (Priyanka Chopra Jonas), que acabam de regressar dos EUA. Uma vez que a sociedade condicionou Balram a ser somente um servo, ele decide tornar-se indispensável para os seus patrões ricos. Mas, após uma noite de traição, acaba por perceber que os dois estão mais que dispostos a lançá-lo às feras para salvarem as suas peles. Prestes a perder tudo, Balram revolta-se contra um sistema viciado e desigual para se erguer e tornar-se um novo tipo de patrão.”

Apesar de The White Tiger não ser exatamente a primeira crítica que publico em 2021, foi o primeiro filme que assisti no início deste novo ano. Realmente não sabia o que esperar. Nunca vi nenhuma obra de nenhum ator envolvido no filme ou do argumentista-realizador, Ramin Bahrani. Continuo a seguir a filosofia “trailer-free” que estabeleci em 2017, logo o meu conhecimento sobre a história em si era praticamente nulo.

No entanto, todos estes detalhes deixaram-me bastante entusiasmado, sendo completamente honesto. Começar 2021 com uma visualização 100% cega (algo que aprecio imenso) é uma excelente maneira de começar um ano que espero que seja melhor do que o anterior (não deve ser difícil).

Desde o primeiro minuto, é claro que Bahrani usará o seu filme de uma forma esclarecedora e educativa para ensinar os espetadores sobre a estratificação sociopolítica da Índia (sistema de castas) e as suas consequências económicas. O público segue a personagem de Adarsh Gourav, Balram, que tenta fugir das tradições antiquadas e tornar-se um empreendedor a sério. Raramente adoro filmes diretamente políticos, mesmo quando seguem a rota da sátira. A par com a religião, são dois assuntos que tenho evitado toda a minha vida. Desde a corrupção às guerras, existem literalmente centenas de razões que justificam este meu distanciamento destes tópicos.

The White Tiger

Dito isto, The White Tiger guarda várias mensagens significativas sobre famílias pobres (casta pobre) que trabalham imenso em condições inimagináveis apenas para sobreviver, especificamente na Índia. Também aborda ideias como o casamento combinado e o vínculo inquebrável entre mestres e servos. Estas lições culturais sobre a estrutura sociopolítica e socioeconómica da Índia são, de longe, o aspeto mais interessante de todo o argumento, com Bahrani a fazer um trabalho fantástico em transmitir esta consciencialização à audiência de forma convincente. Com a ajuda de Paolo Carnera, a história é filmada ao nível do solo, colocando os espetadores nas ruas sujas, fedorentas e empobrecidas de diferentes lugares da Índia, gerando uma atmosfera realista. A produção artística de Chad Keith também é vital para criar esse ambiente indiano imersivo.

Apesar dos aspetos técnicos maravilhosos, o argumento de Bahrani encontra-se repleto de uma sucessão avassaladora de eventos narrativos que não conseguem desenvolver ainda mais o protagonista ou impactar a história, especialmente a partir do ponto médio do filme em diante. Algumas sequências são semelhantes a anteriores, fazendo com que o filme pareça repetitivo enquanto não move o enredo para a frente. Infelizmente, dá a sensação de que os espectadores podem perder alguns minutos aqui e ali, não deixando escapar nada de genuinamente relevante.

Portanto, a longa-metragem de Bahrani torna-se demasiado longa e mais lenta do que necessita, consequentemente afetando a atenção de quem vê, o que pode resultar na perda de algumas das mensagens cruciais, principalmente a económica. A narração de Balram ajuda, mas Bahrani podia ter encontrado uma justificação melhor (e mais lógica) para esta maneira de contar a história.

Além disso, é um filme que depende do conhecimento dos espetadores sobre a Índia e do seu interesse em aprender mais sobre tal. No meu caso, The White Tiger não me surpreendeu com nenhuma informação – o que não ajuda o valor de entretenimento -, mas os visuais ajudam a corresponder o que já sabia a algo bastante palpável. Termino com um ponto positivo: o elenco desconhecido é fenomenal, mas os maiores elogios têm que ir para o primeiro papel principal de Adarsh Gourav. Balram é uma personagem bem escrita que, definitivamente, criará uma ligação com muitos espectadores um pouco por todo o mundo. Gourav mostra uma boa variação, demonstrando o seu timing cómico e expressões engraçadas, mas também um lado emocional que realmente deu outro valor a algumas das melhores cenas de todo o filme.

The White Tiger

Resumindo, The White Tiger emprega as línguas inglesa e indiana para educar os espetadores sobre o sistema sociopolítico e socioeconómico da Índia, seguindo a personagem de Adarsh Gourav, que narra o maior e-mail de sempre sobre a sua vida. Apesar do setup um pouco tonto, Ramin Bahrani entrega uma narrativa esclarecedora e interessante com dezenas de mensagens relevantes sobre a cultura da Índia e a forma incrivelmente complicada de viver da maioria da sua população. Gourav oferece uma prestação brilhante (estreia como protagonista), elevando uma personagem bem desenvolvida e relacionável que passa por uma história de vida inacreditável, rodeada por uma produção artística imersiva e um ótimo trabalho de câmara, criando um ambiente realista.

Infelizmente, este filme da Netflix é dominado por uma quantidade absurda de eventos narrativos gradualmente pouco impactantes, prolongando desnecessariamente o tempo de execução e prejudicando o ritmo no geral. Ao tornar-se repetitivo, os níveis de atenção dos espectadores diminuem, levando a um cenário onde algumas das lições essenciais se perdem na sua entrega.

Em última análise, recomendo a quem esteja interessado em aprender mais sobre a Índia e, também, a pessoas que realmente viveram ou nasceram no país. Contudo, se o vosso conhecimento sobre o mesmo for vasto o suficiente, The White Tiger poderá não ter tanto valor de entretenimento nem informativo.

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