Crítica – The Boy Behind the Door

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Se querem um thriller que funciona a um nível básico, que não vai muito longe no terror, algo para passar o tempo, então talvez apreciem The Boy Behind the Door. Se pedem mais que isso, lamento dizer que o filme fica pela premissa.

A primeira longa metragem da dupla David Charbonier e Justin Powell prometia um filme melhor. The Boy Behind the Door é um filme de terror que nos traz à memória The People Under the Stairs, de Wes Craven, e Don’t Breathe, de Fede Alvarez, mas ao contrário de qualquer um desses projetos, espalha-se completamente na execução, não oferecendo nada de original.

Kevin e Bobby são dois melhores amigos, miúdos de 12 anos, que no caminho para um jogo de baseball são raptados. Levados para uma casa no meio do nada, na bagageira de um carro, enquanto Kevin é preso num quarto secreto, Bobby tem oportunidade de escapar. Ao invés de abandonar Kevin ao seu destino, decide voltar atrás, arrombar a casa do perigoso raptor e salvar o amigo. O problema é: como é que ele vai libertar o seu amigo? E será que o consegue fazer sem ser apanhado pelo psicopata que os raptou?

Pronto, premissa eficaz, que promete aquilo a que o cinema de género se predispõe fazer – entreter e satisfazer-nos com situações simples de conflito, reviravoltas interessantes e personagens carismáticos. Infelizmente, este filme seguiu o caminho que seguem tantos projetos de terror independente, que é “vamos apoiar-nos nos cenários contidos e poucos personagens, com um conceito elevado”, mas não explora esses elementos de forma original. Os personagens comportam-se de forma incrédula. O conflito não vai longe o suficiente. Os desafios não são credíveis e a estrutura é tão básica, que além de repetitiva, deixamos de acreditar no que está a acontecer.

Apesar de os dois realizadores fazerem um excelente trabalho de esconder os parcos meios de produção, e de haver um ou dois momentos pontuais de tensão, em que o inesperado acontece, a maioria do filme é um guião que está a duas ou três versões de estar terminado. Além disso, há demasiadas homenagens a filmes melhores, que tornam o visionamento doloroso e nos fazem pensar “realmente podia estar a ver esse filme que eles estão a imitar em vez desta treta”.

É um bocado injusto julgar o filme desta forma porque é uma primeira obra e há realmente um esforço na parte da equipa, quer os dois atores miúdos, que sozinhos carregam o peso do filme, como os realizadores-guionistas, que estão numa clara tentativa de contar uma história de terror à antiga. Eu sou todo a favor de superarmos este terror independente de produtoras como a A24 e a XYZ, o chamado “terror elevado”, que muitas vezes promete terror para adultos, mas oferece “terror sem lactose”: premissas interessantes, estilo minimalista, mas estruturas monótonas e guião escrito num guardanapo. Ao contrário desses filmes, The Boy Behind the Door faz uma coisa boa, que é representar o terror com orgulho e frontalidade, sem ignorar os parâmetros do género. O problema é quando não vai além das regras do género.

É isso que tira a tensão ao filme. A estrutura é tão pouco original e credível, o protagonista comporta-se de tal forma por obrigação ao guião e os conflitos são fotocópias tão básicas dos clichés ultrapassados do género, que parece que estamos a ver um guião que até nos anos 80 seria mau.

Não esperem um filme em que vão ver um retrato visceral sobre a sobrevivência e a superação das adversidades em nome da amizade, um comentário aos horrores atuais do tráfico e abuso de crianças. Não, o que nos é apresentado é uma premissa em que uma criança usa a inteligência e o seu tamanho pequeno para tentar frustrar o plano de um psicopata e salvar o seu amigo. Mas apesar dessa abordagem ser sólida, cedo o enredo torna-se repetitivo, as resoluções dos conflitos tornam-se improváveis e os personagens comportam-se como se não tivessem qualquer instinto de sobrevivência.

Desperdiçam o potencial quer de um filme de terror perturbador, quer de uma aventura mais leve, com um guião muito fraco. Se querem um thriller que funciona a um nível básico, que não vai muito longe no terror, algo para passar o tempo, então talvez apreciem The Boy Behind the Door. Se pedem mais que isso, lamento dizer que o filme fica pela premissa. Esta é uma história que já viram várias vezes e que correm o risco de a esquecer ao fim de uma semana.

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