Crítica – Stranger Things 2

por Echo Boomer

Foi em julho do ano passado que estreou a série Stranger Things, uma produção Netflix que rapidamente tornou-se uma série de culto um pouco por todo o mundo, levando-nos a um mundo nostálgico onde iríamos seguir as aventuras de um bando de adoráveis miúdos. O sucesso fala por si, com a promessa da série só terminar numa quarta temporada.

Neste ano de 2017, e mesmo a tempo da chegada da Noite das Bruxas, é altura de virarmos atenções para a segunda temporada desta série que celebra os filmes e livros de aventura e mistério da década de 80.

A Netflix deu-nos acesso antecipado aos novos episódios que dão continuidade aos estranhos eventos da pequena cidade fictícia de Hawkins, no estado americano de Illinois, por isso, se (ainda) não viram a primeira temporada, o melhor é pararem por aqui. E podemos já dizer que, mesmo tendo perdido o efeito surpresa, os novos episódios não defraudam as expetativas. Muito pelo contrário.

Estamos em 1984, e, tal como no presente, aproxima-se o Halloween. O grupo está finalmente junto, mas assombrado pelo passado. Will continua a ter pesadelos e a ser torturado devido à sua “estadia” no Upside Down e Mike não consegue esquecer Eleven, que continua desaparecida.

O primeiro episódio faz um excelente lançamento do que podemos encontrar nos oito seguintes. Introduz novas personagens, estabelece o tom, e, agora, apresenta-nos o estado em que ficaram as personagens da primeira temporada. No entanto, a verdadeira ação apenas começa após os primeiros quatro episódios, numa prova de que a Netflix quer prender o público ao ecrã à espera que aconteça o primeiro momento de tensão. E assim que tudo flui, a forma como a trama se desenrola é genial e muito bem ritmada.

Mais uma vez, a série reforça a sensação de estarmos a ver uma série saída dos anos 80. A imagem parece granulada, as personagens usam roupas e adereços da época, há imensas referências pop e culturais por todo o lado e toda a banda sonora é composta por sons de sintetizadores e temas icónicos facilmente reconhecíveis. Tudo isto com valores de produção e técnicas de realização contemporâneos.

Stranger Things 2

Mas se estão à espera de elementos de terror e horror, como dita o género e esta época fantasmagórica, contenham-se. Stranger Things 2 é mais leve que a primeira temporada e não foca tanto no mistério. Continuam a existir momentos com imagens ou alusões a situações desconcertantes, mas, nesta segunda parte, o importante é mesmo o desenvolvimento das personagens.

Falando nas personagens, continua a ser adorável assistir às cenas com a nossa turma preferida. Os miúdos de Hawkins têm agora uma química mais reforçada, um humor mais refinado e e a representação das personagens, mesmo no que toca ao desenvolvimento do vocabulário, está melhorado, mostrando claramente uma evolução desde a temporada passada.

Curiosamente, Eleven, uma das personagens centrais na estreia da série, tem nesta segunda temporada um arco narrativo algo chato, não usado, necessariamente, para o desenrolar da história. A performance da pequena grande atriz Millie Bobby Brown nunca será problema, claro, mas os seus problemas acabaram por ficar para segundo plano, em momentos que nos pareceram algo deslocados.

A grande ameaça em Stranger Things 2 é maior e mais complexa do que na primeira temporada, mas não é tão explorada como seria de esperar, havendo momentos de exposição esporádicos e com um desenrolar muito anexo aos pequenos episódios secundários das personagens.

Stranger Things 2

Apesar de o elenco ser centrado à volta de um grupo de, agora, adolescentes, a história de “coming of age” também está bem latente nas personagens adultas que são confrontadas com situações com as quais não conseguem lidar, e só olhando para os mais novos é que encontram o seu conforto. Hopper (David Harbour), Joyce (Winona Ryder), Nancy (Natalia Dyer) e Steve (Joe Kerry) têm vários momentos de destaque, sendo curioso reparar o quanto interessados ficamos no desenvolvimento das suas personagens e respectivas situações.

Este é, talvez, o melhor elemento desta temporada, deixando-nos, garantidamente, colados ao ecrã. Como é que as personagens vão reagir ao desenrolar dos estranhos eventos em Hawkins? Como é que afeta as suas personalidades? São tudo questões que serão respondidas nestes nove episódios. No final, é extremamente saboroso ver todo o caminho que percorreram.

Stranger Things 2 estreia dia 27 de outubro na Netflix.

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