Crítica – Polite Society (Sundance 2023)

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O seu argumento genérico não traz grandes surpresas, o que basicamente faz com que a diversão do espetador dependa exclusivamente da sensação e dos visuais loucos de Polite Society.

Os cinéfilos têm este costume de adicionam filmes às suas listas do que ver ao longo do ano por várias razões. Por serem projetos do seu realizador, guionista ou ator favorito, ou simplesmente por inserir-se num (sub)género que adoram. Outras vezes, é somente porque faz parte de algum universo cinematográfico ou outro tipo de franquia que seguem com paixão ou por necessidade. Todas estas variantes têm também impacto na forma como as massas consomem filmes, porque no fim do dia as o público fica mais seletivo, menos dados a ir ao cinema ou a clicar no botão de play, devido ao quanto determinado filme lhe interessa.

Uma das coisas mais extraordinárias sobre a cobertura do festival Sundance é o facto de a maioria dos filmes ser completamente desconhecida. Não há (até ver) qualquer campanha de marketing para promover estas longas-metragens. Dito isto, e sem mais nenhuma informação, queria assistir a Polite Society porque a sua premissa tinha tudo para me deixar com um sorriso de orelha a orelha… E aconteceu.

Nida Manzoor apresenta um filme que parece ter saído de uma verdadeira história de banda desenhada. Ênfase no adjetivo “verdadeira”. Quando se tratam de adaptações para o cinema, são feitos ajustes na narrativa, nas personagens, nos figurinos e na imagem final devido ao quão extremamente colorido e voltado para camadas mais jovens esse tipo de material de origem costuma ser. Como os estúdios pensam que uma história mais próxima da nossa realidade é amplamente mais acessível, tudo fica com uma aparência mais “realista” ou “grounded”. Polite Society quase não faz nenhuma dessas alterações, no entanto, não deixem que as minhas palavras vos enganem: Police Society apresenta uma história original.

É relativamente fácil encontrar semelhanças com a série Ms. Marvel. Não apenas a cultura paquistanesa que também é orgulhosamente (re)apresentada no grande ecrã – através dos figurinos, música, tradições, herança familiar e muito mais -, mas todo o filme é repleto de um humor leve, de cenas de ação divertidas e com uma cerimónia de casamento muito porreira que, como seria de esperar, não sai exatamente como planeado. Polite Society abraça o exagero intencional de tudo, o que pode ser um grande problema para alguns espetadores. O equilíbrio de tom é um aspeto cinematográfico muito complicado de acertar nos gostos e/ou expectativas de todos, mas, pessoalmente, gostei muito da criatividade e ousadia de Manzoor.

polite society 1

Desde as escolhas de músicas espirituosas, ao hilariante uso de câmara lenta, sem esquecer os cartões de título com uma estética muito diegética, Polite Society é, sem dúvida, o filme mais distinto a que assisti até agora no festival, quer os espetadores adorem ou não. O elenco entendeu bem a missão que tinha pela frente, contribuindo para uma atmosfera incrivelmente enérgica com atuações divertidas. Priya Kansara funciona perfeitamente como a protagonista com a qual nos podemos relacionar facilmente, enquanto Ria Khan, uma jovem que sonha em tornar-se dupla de atrizes. Quando a sua irmã – lindamente interpretada por Ritu Arya – muda de planos e abandona os seus próprios sonhos, Ria não aceita lá muito bem.

Assim, no meio do seu caos, Polite Society explora os sentimentos confusos de Ria – ciúme, medo de fracassar, vontade de proteger – dentro dos temas de irmandade, autoconfiança e equilíbrio na vida. Parte de mim. gostaria que esses tópicos fossem desenvolvidos de forma mais profunda, mas não há nada de mal em ser apenas um filme divertido e cheio de ação. Obviamente, tendo em vista o emprego dos sonhos do personagem principal, o trabalho de coreografia é ótimo. Mas ,mais uma vez, gostaria que houvesse mais acrobacias e takes longos – há muitos arremessos contra diversas coisas -, mas é, sem dúvida, divertido de assistir.

O argumento é genérico e acaba por não trazer grandes surpresas, o que basicamente faz com que a diversão do espetador dependa exclusivamente da sensação e do visuais fora do normal de Polite Society. Se a ação não impressionar ou se o tom propositadamente exagerado for demais para os vossos parâmetros, então este não será um filme para vocês. Mas se o estilo propositadamente exagerado de Manzoor conquistar toda a vossa atenção, dificilmente sairão insatisfeitos. Nota final para o desempenho fenomenal de Nimra Bucha – mais uma semelhança com Ms. Marvel.

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