Crítica – “Mark Felt” – Liam Neeson manda abaixo a Casa Branca

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Estávamos em 2005 quando finalmente veio à tona a verdadeira identidade do até então conhecido como deep throat, como foi apelidado Mark Felt, vice-presidente do FBI. Felt ganhou este cognome depois de se ter tornado o principal informante da imprensa sobre o caso Watergate, o que lhe valeu trinta e três anos no anonimato.

A ambição em assumir o controlo do FBI, depois da morte de Edgar Hoover, e o seu desagrado quando a Casa Branca se envolve e o impede de subir de posto, deram-lhe motivos para que se tornasse o principal informante da imprensa e uma verdadeira pedra no sapato do então presidente dos EUA, Richard Nixon, o terceiro presidente em funções durante a guerra do Vietname.

Em 1972, durante a segunda campanha eleitoral de Nixon, cinco indivíduos do partido republicano invadiram os escritórios do partido democrata americano, localizados no complexo Watergate, em Washington, com o objetivo de conseguir informações confidenciais e fazer chantagem, num dos maiores escândalos de corrupção política até à data. Esta operação foi coordenada por membros da CIA e do FBI.

No dia seguinte à invasão, a informação chega às páginas do jornal The Washington Post e deixa os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein de tal forma intrigados que resolvem pegar neste caso e esmiuçar toda a informação sem olhar a meios até encontrarem a verdade.

Aqui entra Mark Felt, peça fundamental para a resolução deste puzzle, uma vez que Felt já contava com trinta anos de experiência no FBI e com todas as confidencialidades que o cargo por ele ocupado e todos esses anos lhe conferiam. Torna-se no principal informante sobre o caso Watergate e entrega todo e qualquer tipo de informação aos dois jornalistas.

Com Felt, vice-presidente do FBI, a deixar escapar tudo o que jamais poderia vir a público, com o maior escândalo político dos EUA desvendado e com o presidente Nixon completamente exposto e obrigada a abandonar a Casa Branca, temos todos os ingredientes para um filme que conta uma história soberba, mas sem nenhuma ação ou suspense. Mas Mark Felt faz-nos sentir que falta algo mais e que nos apresenta a versão de um “vilão” com uma causa, que é interpretado com tal frieza que nos é impossível simpatizar com ele, até mesmo nos momentos familiares, criados exatamente para tentar humanizar a personagem.

Um filme de Peter Landesman, que iniciou a carreira como jornalista e correspondente de guerra para o The New York Times Magazine, conhecido pelos filmes Concussion, JFK, a história não contada – que recria os bastidores da morte de John F. Kennedy, e O Mensageiro.

O roteiro é inspirado no livro A G-man’s life, escrito pelo advogado John D. O’Conner e por Mark Felt, na altura já com 91 anos e alguns problemas de demência que sugerem pouca precisão dos factos contados.

Com Liam Neeson, como nunca o vimos, no papel de Mark Felt, Julian Morris no papel do jornalista Bob Woodward e ainda com a participação de outras caras conhecidas como Tony Goldwyn, Kate Walsh e Diane Lane, no papel de Audrey Felt, entre muitos outros, este filme dá-nos interpretações dignas de várias nomeações e que nos impossibilitam de desviar a atenção de tela do início ao fim.

Mark Felt estreia nos cinemas nacionais a 1 de março.

Texto de: Mafalda Fidalgo

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