Crítica – Bad Boys Para Sempre

Will Smith e Martin Lawrence estão de regresso às ruas de Miami para dar corpo aos detetives Mike Lowrey e Marcus Burnett, do Departamento de Narcóticos. Agora, ao mesmo tempo que lidam com problemas a nível pessoal – que incluem mudanças de carreira, envelhecimento e crises de meia-idade –, vão ter de enfrentar Armando Armas, o líder do mais perigoso cartel de drogas a atuar em todo o estado da Flórida.

Nunca fui grande fã da saga Bad Boys. Em primeiro lugar, não gosto nada de Michael Bay no papel de realizador (como produtor, menos mal). A forma como filma as suas sequências de ação está carregada de cortes e repleta de CGI questionável, sendo muito difícil de seguir. E todos nós conhecemos a sua paixão por explosões. Também não me posso esquecer da promoção constante a produtos (incrível como, numa explosão brutal, tudo é destruído… exceto um Audi lindo que permanece intacto). Em segundo lugar, a narrativa sempre me pareceu extremamente genérica e nada surpreendente. Logo, obviamente, as minhas expetativas não eram lá muito altas…

Talvez seja por isso que gostei bem mais de Bad Boys Para Sempre do que aquilo que esperava. Este filme devia ser uma lição para a franchise Fast and Furious. Para criar um filme de ação parvo, mas divertido, o tom leve tem que ser bem estabelecido desde o início. Apesar do terceiro ato lidar com twists emocionais absurdos dignos de uma novela mexicana, os argumentistas são capazes de encontrar a quantidade certa de entretenimento inofensivo. Não assisti a um único clipe antes do filme e, após 10 minutos dentro do cinema, reconheci que o seu objetivo era simplesmente entreter sem ser para se levar muito a sério.

Bad Boys for Life

Adil El Arbi e Bilall Fallah equilibram muito bem as questões familiares mais dramáticas com a ação estapafúrdia. As sequências desta última são muito superiores às de Bay. As perseguições de carro, mesmo quando contêm alguns cortes a mais, são relativamente fáceis de seguir e carregam aquela adrenalina necessária. Há alguns tiroteios surpreendentes que são filmados de maneira a parecer que são apenas um take, algo que definitivamente traz algo bastante incomum a este tipo de filmes de ação formulaica. Tecnicamente, penso que ambos os realizadores fizeram um excelente trabalho, especialmente considerando que esta é a primeira longa-metragem que comandam.

No entanto, a história estraga (quase) tudo. Acredito que novelas mexicanas tenham argumentos melhores. O diálogo atinge um nível cringe-worthy, em boa linguagem cinéfila. Toda a informação essencial do enredo é transmitida através de interações preguiçosas entre personagens ou por aquele computador mágico que todos os filmes genéricos de ação possuem, com o qual as personagens principais podem basicamente saber tudo sobre toda a gente com o simples clique de alguns botões.

A comédia tanto funciona como não. Muitas piadas não têm o devido impacto, mas algumas lá conseguiram tirar um riso. No geral, o argumento é tão clichê quanto poderia ser e a última cena de todas… Odeio-a, perdoem-me. No final, acaba por ser o elenco que salva a narrativa aborrecida.

Will Smith e Martin Lawrence partilham uma química fantástica e é sempre engraçado assistir às bocas que cada um atira ao outro, mesmo que não sejam tão hilariantes como poderiam ser. Gostei mais de Lawrence do que Smith, talvez devido à comédia familiar sem grande ação que funcionou perfeitamente. Apesar de tudo, é diversão parva e é claramente visível que os atores tiveram um período de filmagens muito animado.

Bad Boys for Life

Todo o elenco transfere a alegria que tiveram atrás das câmeras para o ecrã e isso é bastante percetível. Ver Alexander Ludwig (Dorn) fora de Vikings é sempre um prazer (tenho esperanças que consiga papéis mais importantes no futuro) e toda a equipa AMMO (Vannesa Hudgens, Charles Melton, Paola Nunez) é convincente o suficiente, mesmo que as personagens sejam basicamente desenvolvidas.

É simples: quer gostem ou não da saga Bad Boys, esta é, sem dúvida, a melhor parcela da franchise. Se forem para o cinema com expetativas básicas de se divertirem, Bad Boys Para Sempre garante-vos isso, por isso, recomendo. É um blockbuster de ação puro, cinema-pipoca no seu habitat, com atores conhecidos que partilham, entre si, uma grande química.

Com Michael Bay fora do cargo de realizador, Adil El Arbi e Bilall Fallah entregam sequências de ação surpreendententes, considerando que este é o primeiro filme de ambos. A história formulaica, clichê, “a la” novela mexicana é totalmente ridícula em certos momentos e carrega uma aura de previsibilidade que, quando tenta introduzir um twist emocional, torna-se completamente absurdo.

A última cena parece uma chamada para Hollywood com o intuito de se fazer mais sequelas, algo que arruina um dos slogans do filme “Bad Boys, uma última vez”… Estou extremamente indeciso sobre para que lado esta crítica deve cair, logo, vou basear a minha decisão na resposta à seguinte pergunta: “Vou (querer) ver este filme novamente ou uma nova sequela?” Honestamente… Não.

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