Crítica – “El fotógrafo de Mauthausen” baseia-se nos eventos decorridos durante o Holocausto. Mas será o filme sobre isso?

El fotógrafo de Mauthausen é um filme espanhol assente nos acontecimentos ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial. Pelo menos, é o que parece à superfície, mas, à medida que a história se desenrola, uma questão surge: Este filme é sobre a Segunda Guerra Mundial ou sobre as narrativas que podem ser inventadas através da fotografia?

A resposta a esta pergunta é incerta. Por um lado, o filme retrata a crueldade, o sofrimento e a capacidade de superação humana, e, nesse sentido, pode-se dizer que se debruça sobre as dinâmicas desenvolvidas entre as vítimas e os seus violentadores. Por outro lado, o filme parece querer lembrar as pessoas de que as fotografias nem sempre capturam a verdade, mas quase sempre expõe as intenções e a perspetiva pessoal do fotógrafo que as produz.

E, ainda que estas duas vertentes do filme pudessem ter sido imiscuídas de forma completamente homogénea ao longo da história, fica-se com a sensação de que ambas se comparam para ver qual é a que sobressai mais. Ao invés de se verificar uma harmonia entre temas de forma a justificar o título do filme, deparamo-nos com um confronto entre “El fotógrafo” e o campo de concentração “Mauthausen” para determinar qual dos dois é a referência dominante.

El fotógrafo de Mauthausen

Ainda neste seguimento, constata-se uma outra dualidade: a alternância entre os fotógrafos. Todavia, ao contrário da ambivalência entre temas, esta é uma duplicidade construtiva, pois estabelece uma contraposição equilibrada entre o heroísmo e a determinação do prisoneiro Francesc Boix (Mario Casas) e o voyeurismo e a covardia de Paul Ricken (Richard Van Weyden), um comandante nazi fascinado com a decrépita condição humana a que os prisioneiros estavam sujeitos.

Ou seja, este filme apresenta, pelo menos, dois contrastes com efeitos opostos. Um deles fortalece a narrativa e prende o espetador, já o outro confunde, e, em última análise, aliena. Contudo, dado o peso histórico associado ao filme e o respeito com que El fotógrafo de Mauthausen tratou o tema sem recorrer a cenas escusadamente explícitas para provocar o choque e o escândalo gratuito, é um filme que vale a pena ser visto.

El fotógrafo de Mauthausen está disponível na Netflix.

Nota: Criticas 3 Estrelas

- Publicidade -

Sigam-nos

10,464FansCurti
4,047SeguidoresSeguir
532SeguidoresSeguir

Relacionados

Matthias & Maxime chega aos cinemas portugueses a 18 de junho

Pouco a pouco, estamos a voltar à normalidade e os cinemas começam também a reabrir.

The One termina as gravações em Lisboa

As produções de filmes e séries também começam a regressar ao normal.

Crítica – Shirley

Shirley é, sem dúvida alguma, cinema de autor por parte de Josephine Decker, que entrega uma biopic única que quebra todas as limitações impostas pelo género.
- Publicidade -

Mais Recentes

Inquérito revela que 82% dos fãs estão prontos para voltar aos eventos ao vivo

A pesquisa foi realizada pela Festicket a mais de 110 mil inquiridos.

Música: Álbuns essenciais (abril)

Fiona Apple lançou um dos álbuns mais brilhantes dos últimos anos. Pronto, já disse.

EPAL lança versão especial da garrafa COOL dedicada a Lisboa

Tudo isto deve-se ao facto de Lisboa ser, em 2020, a Capital Verde Europeia.