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Crítica – Desencantamento

Uma princesa que não quer ser rainha, um elfo que não quer viver no país encantado e um demónio, que apesar da maldade, vai ganhando empatia. Este é o elenco de personagens que fazem parte de Desencantamento, a nova série da Netflix criada por Matt Groening, da fama de Simpsons e Futurama.

Com Simpsons a caminhar para 30 temporadas, tornando-se a série mais longa da história, e com Futurama acabado e arrumado, Desencantamento tem muitos desafios para se posicionar ao lado destes dois titãs da animação.

Os três primeiros episódios, dos vinte previstos, a que tivemos acesso não foram o suficiente para tirar esse tipo de conclusões, mas fizeram-nos largar umas gargalhadas e deram vontade de continuar a assistir ao resto da história.

Desencantamento toma lugar em Dreamland, onde habita Bean, uma princesa alcoólica e desbocada que se vê condenada a ter que casar com um príncipe que não conhece. A fuga forçada desta situação abre as portas a uma aventura onde se junta Luci, um demónio que funciona também como a consciência negativa da princesa, e Elfo, um elfo inocente, mas aventureiro, que procura perigo fora do mundo encantado onde habitava.

A personalidade do trio nem sempre combina bem, o que dá aso a situações caricatas e confrontos desconfortantes, mas muito hilariantes.

https://youtu.be/s_yzl5X25r4

Estes primeiros episódios foram apenas introdutórios, sendo que podemos esperar uma continuidade na história entre ambos. Porém, ficou no ar se a temporada será uma jornada por terras desconhecidas ou aventuras mundanas exageradas pelas peripécias das personagens.

Apesar de ser Simpsons que salta à vista pela sua popularidade e reconhecimento dos traços dos desenhos, é com Futurama que podemos comparar mais facilmente Desencantamento.

Em Desencantamento, o humor é subtil e bem mais adulto. Tal como Futurama, que tinha como ambiente um futuro estranho e ridículo criado em volta do ridículo da história do Homem e na atualidade, em Desencantamento encontramos o mesmo tipo de paralelismos, mas limitados às situações e ao ambiente medieval e fantástico deste mundo. As referências culturais são distorções adaptadas, criando situações e momentos inesperados e fáceis de perceber.

O elenco que dá voz à série é forte e os mais atentos vão reconhecer de imediato a voz do Rei, ou não fosse o próprio Bender, John DiMaggio, capaz de ser intimidante, bruto e, por vezes, adorável, tudo ao mesmo tempo. Abbi Jacobson no papel de Bean também faz um excelente papel enquanto jovem rebelde. Já Nat Faxon dá a voz ao inocente Elfo e Eric André, quase irreconhecível, mas com muita suavidade na voz, é Luci.

A qualidade da animação é o que pode parecer mais estranho aos olhos de alguns. O traço é familiar e muito consistente com o que vimos nos outros trabalhos de Matt Groening, mas há a sensação de algum facilitismo com o uso de imagens computorizadas, um pouco à semelhança do que também vimos em Futurama, mas visualmente um pouco mais pobre.

Também de fora parece ficar uma introdução cativante como as outras duas séries, ainda que, de episódio para episódio, ela mude com imagens que se adaptam à história do episódio.

Boa é também a duração de cada episódio, que aqui ronda os 30 minutos, ao invés dos 20-25 que encontramos normalmente neste tipo de séries.

Desencantamento tem tudo para ser uma sequela espiritual fantástica de Futurama. Tudo depende do tipo de aventuras que apresentar e na consistência do humor ao longo da temporada, que chega à Netflix já no dia 17 de agosto.


 

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