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Crítica – Death Note

É uma questão de tempo até que qualquer história já existente seja adaptada para um filme de imagem real, seja um videojogo, um livro ou até uma animação.

Death Note é a mais recente grande adaptação de um dos animes mais populares do mundo. Não é, no entanto, a primeira tentativa. Depois de uma adaptação japonesa em 2006, a Netflix apresenta uma versão ocidental desta série, e, felizmente, não é má de todo. Ainda assim, pode não ser do agrado dos fãs.

Death Note conta a história de Light Turner, um jovem que, por razões misteriosas, tem acesso a um caderno que, ao escrever o nome de uma pessoa, esta morre de maneiras tão absurdas como algumas cenas do Saw ou Final Destination.

Podemos dizer que quando tentam fazer uma adaptação fiel a fonte, as hipóteses dessa experiência correr mal são muito elevadas. Neste caso, o filme de Adam Wingard (The Guest, Blair Witch) apenas manteve o conceito geral da série. Um drama escolar e policial num mundo onde existe um caderno que permite matar pessoas escrevendo o seu nome. As alterações mais notáveis serão a óbvia passagem do Japão para os Estados Unidos, juntamente com uma série de situações culturais e sociais, e a apresentação de L, que é agora um jovem afro-americano, protagonizado por Lakeith Stanfield.

À lista de desafios, junta-se a condensação do conteúdo. Como é que se conta uma história de 37 episódios de 20 minutos cada num filme de duas horas? Cortando histórias secundárias e apostando no conflito principal das personagens. Nesta parte, podemos dizer que Death Note está de parabéns quando comparado com a versão animada, mas ficámos também com a sensação que podia ter sido mais ambicioso.

Apesar de termos uma prestação excelente pela voz de Willem Dafoe, no papel de Ryuk, também este fielmente adaptado, e de Lakeith Stanfield, no papel de L, que traduz na perfeição todos os maneirismos e tiques da sua versão animada, Nat Wolff no papel de Light, e Margaret Qualley no papel de Mia, raramente são credíveis nas suas interpretações, tornando-se difícil, por vezes, perceber as suas verdadeiras intenções ou estados de espírito.

Felizmente o trabalho de Wingard atrás da câmara é muito melhor do que se tem visto em adaptações do género, usando movimentos de câmara e composições de imagem interessantes e que se contextualizam com a situação. Um desses exemplos ocorre sempre que Light vê Ryuk, questionando a realidade desses momentos.

Ainda que não seja perfeito, é provavelmente uma das adaptações de anime para filme mais aceitáveis dos últimos anos, ficando a perder pela falta de ambição do guião, dos dois atores principais, e, infelizmente, por uma certa banalização do material original. No entanto, não deixa de ser uma boa adição ao catálogo da Netflix, e, se for motivo para mais público espreitar a versão animada, então temos aqui um vencedor.

Death Note estreia na Netflix no próximo dia 25 de agosto. Até lá podem ver ou rever a versão animada, também disponível na Netflix.

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