Crítica – Concrete Cowboy

Concrete Cowboy contém uma história formulaica e nada surpreendente que podia ter sido mais cativante se o foco se tivesse mantido na narrativa principal.

Concrete Cowboy
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Sinopse: “Enquanto passa o verão no norte de Filadélfia, um adolescente rebelde (Caleb McLaughlin) vê-se dividido entre uma vida de crime e a vibrante subcultura de cowboys urbanos a que pertence o seu pai (Idris Elba), com quem não se dá.”

Perdi a conta ao número de filmes que já assisti completamente cego de qualquer informação anterior. Concrete Cowboy é a adição mais recente a essa lista. Ricky Staub e Dan Walser fazem as suas estreias como realizador e argumentista de uma longa-metragem, respetivamente.

Analisando apenas a sinopse, esperava algum tipo de variação da história formulaica de um coming-of-age, que neste caso leva um miúdo rebelde para o seu pai que vive muito, muito longe do estilo de vida citadino. Nem 20 minutos dentro na narrativa e é muito fácil antecipar tudo o que vai acontecer. Desde o desenvolvimento de personagens a pontos específicos do enredo, é um argumento genérico que não guarda surpresas.

No entanto, Staub oferece uma estreia sólida na cadeira de realização que eleva todo o filme, demonstrando talento por detrás da câmara. Mais importante, Staub mostra um compromisso notável com um projeto que nunca perdeu a visão clara do realizador sobre a história que queria contar. Tal elogio leva-me ao único elemento de produção que realmente me fez abrir mais os olhos após a sua revelação. Sabia que este filme é baseado num livro, mas desconhecia que cowboys reais de Filadélfia participam no filme – informações estampadas de forma clara nos trailers. Os créditos finais – não se esqueçam de assistir aos mesmos depois do filme terminar – oferecem entrevistas curtas comoventes e genuínas com os não-atores.

Ouvir estas pessoas a falar sobre o seu amor por cavalos e sobre a luta contínua para manter os estábulos para si mesmos adiciona uma outra camada às interações anteriores no filme com os atores/personagens da história em si. Além disso, agora entendo e perdoo o facto de algumas cenas com não-atores parecerem algo insípidas. Idris Elba interpreta o papel de pai extremamente bem, mas Caleb McLaughlin – já com 19 anos – rouba os holofotes com uma prestação emocionalmente poderosa que exigiu fisicamente mais dele do que o esperado. A sua personagem segue o arco habitual de um jovem adolescente que precisa de aprender lições de vida importantes através de trabalho pesado e amor duro. Os restantes membros do elenco oferecem exibições decentes, mas não superam os problemas existentes do filme.

Concrete Cowboy

Um subplot desinteressante e clichê relacionado com um negócio de drogas arrasta todo o filme, afetando gradualmente e negativamente o ritmo já lento. Ao longo do tempo de execução, os espectadores são constantemente movidos do enredo principal para esta narrativa lateral que nem sequer impacta o resultado do filme, removendo parcialmente o impacto dos pontos subsequentes do enredo. O argumento de Walser segue um método genérico de contar histórias, confiando fortemente na capacidade do elenco de oferecer mais energia a todas as cenas, o que não ocorre com frequência.

Tecnicamente, a cinematografia de Minka Farthing-Kohl acrescenta à estética mais suja e escura, mas o trabalho de câmara é um pouco instável demais para o meu gosto. O trabalho de edição de Luke Ciarrocchi podia ser melhor – muitas transições abruptas e agitadas de cena para cena. Banda sonora interessante de Kevin Matley.

Concrete Cowboy contém uma história formulaica e nada surpreendente que podia ter sido mais cativante se o foco se tivesse mantido na narrativa principal. Pela enésima vez, um subplot clichê envolvendo um negócio de drogas impacta negativamente o ritmo propositadamente lento do filme, bem como o interesse geral na linha narrativa central. No entanto, Ricky Staub prova ser um realizador comprometido com uma visão clara, trazendo cowboys reais de Filadélfia para o filme, não-atores que acrescentam a tão necessária autenticidade.

Caleb McLaughlin é excelente como um jovem protagonista genérico mas convincente, enquanto que Idris Elba desempenha bem o papel de pai exigente.

Apesar de alguns problemas com edição atrapalhada e um trabalho de câmara tremido, é um filme, no geral, bem produzido pela Netflix para assistir durante o fim de semana.

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