Crítica – “Cobra Kai 2”

por David Fialho

Cobra Kai is back on where it belongs, on top.” Foi assim que terminou a primeira temporada de Cobra Kai, a série/sequela do clássico de artes-marciais The Karate Kid (O Momento da Verdade), que trouxe de volta o elenco principal para reacender velhas rivalidades com um twist contemporâneo que explora a vida adulta de Daniel Larusso (Ralph Macchio) e de Johnny Lawrence (William Zabka) numa nova perspetiva.

Depois de recebermos uma primeira temporada cheia de emoções, dramas e algum humor à mistura, Cobra Kai 2 é uma sequela perfeita dos dez episódios anteriores, que, mais do que se apenas se debruçarem na nostalgia, abriram as portas a uma longa série de eventos e reencontros que culmina agora numa nova rivalidade entre dojos e equipas.

Cobra Kai is back on where it belongs, on top,” é também a forma como Cobra Kai 2 abre, com o regresso de outra cara conhecida, John Kreese, o mentor abusivo de Lawrence, de novo protagonizado por Martin Kove, que, durante a primeira temporada, apesar de não estar presente, assombrou o seu antigo pupilo.

Lawrence, apesar de vitorioso, sente remorsos pelas atitudes dos seus melhores alunos, onde encontramos Miguel (Xolo Maridueña). Já Larusso tem agora uma nova oportunidade de abrir também ele um dojo, em memória do icónico Sensei Miyagi, com a ajuda da sua filha Samantha (Mary Mouser), que, entretanto, recuperou a vontade de praticar novamente artes-marciais, e do jovem Rob (Tanner Buchanan), que é filho de Lawrence.

Enquanto que a temporada anterior girava em volta da jornada de redenção de Lawrence, revelando os seus problemas familiares e que, afinal, ele não era o bully que conhecíamos do filme de 1984, esta nova temporada equilibra o tempo de antena com Larusso, que tenta seguir os passos do seu antigo mestre ao ensinar uma nova geração de jovens lutadores, tentando também conciliar este hobby com o seu trabalho.

John Kreese podia regressar apenas para uma breve aparição para agradar aos fãs, mas felizmente apresenta-se como uma personagem recorrente, com uma história interessante que serve de obstáculo emocional para Lawrence, ao ajudar a treinar os jovens do dojo Cobra Kai com as suas próprias motivações.

O elenco da primeira temporada está de regresso e, ao longo destes novos 10 episódios, essas personagens continuam a estabelecer-se tão importantes como a velha guarda, com os seus próprios dramas, romances e todas as ansiedades que fazem parte desta sua fase de crescimento.

Com uma série de personagens já estabelecidas, a segunda temporada foca-se essencialmente no desenvolvimento das suas relações, com novas amizades e ainda mais rivalidades. Há também um maior foco na ação, com pequenos conflitos e algumas montagens de treino (e não só) motivantes acompanhadas por deliciosas músicas.

Cobra Kai 2 continua com o mesmo tom e ambições da primeira temporada ao tentar contar a sua própria história dentro do universo de The Karate Kid, num formato que muitos poderão comparar a séries juvenis, com mensagens de ética e moral importantes graças aos erros e problemas que os jovens comentem enquanto procuram a sua verdadeira identidade.

Sem nunca abusar em situações extremas, ou de ridicularizar os estereótipos apresentados, Cobra Kai 2 conta uma jornada emocional que, ainda com alguma inocência na sua escrita e direção, aponta sempre para o melhor que há em cada um, em que é preciso confrontarmos os nossos fantasmas passados até respeitar os nossos rivais para atingir o equilíbrio.

Cobra Kai 2 continua com valores de produção bastante bons, com recurso a localizações reais, uma realização e edição bastante consciente dos recursos ao dispor, além de uma surpreendente cinematografia para uma série deste calibre.

As cenas de ação não são tantas como seriam de esperar, acontecendo apenas quando fazem sentido na história, com momentos de grande emoção e bastante bem coreografadas, onde os atores fazem as suas próprias proezas. Ao longo da série, temos outras cenas mais simples e íntimas onde encontramos a maioria das referências aos filmes originais, com os estilos de luta e movimentos quase sempre a evocar algum tipo de significado associado às lições e treinos.

Em cima disso, a prestação de todo o elenco é bastante sólida (salvo raras exceções), com alguns jovens a destacarem-se pela forma como foram abraçando as suas personagens ao longo do tempo. O destaque vai, no entanto, para a velha guarda, em particular para William Zabka, que continua a ter uma certa gravidade dramática, e que se revela também a personagem mais interessante e complexa da série, ou não fossem quase todos os dramas e conflitos acabar por lhe baterem à porta.

Com muito humor à mistura, alguns dramas previsíveis e outros inesperados, Cobra Kai 2 é tão ou mais fácil de digerir que a primeira temporada, com episódios pequenos (menos de meia hora), mas com um excelente ritmo e mensagens fortes e sem medo de apontar em direções mais sérias, algo que nos faz querer ver mais um episódio.

As aventuras dos “karate kids” podem não ficar por aqui. Depois de duas temporadas extremamente sólidas, só podemos esperar que a terceira venha o mais depressa possível.

Cobra Kai 2 faz parte da programação do Youtube Premium e tem estreia marcada já esta semana.

Nota:

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