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Crítica – “Aniquilação” – Os melhores filmes de Sci-Fi tiveram um filho

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Aniquilação (Annihilation) é o mais recente filme de ficção científica do realizador de Ex-Machina e escritor de 28 Dias Depois e Sunshine, Alex Garland, e que conta com Natalie Portman, Jennifer Jason Leigh, Oscar Isaac, Gina Rodriguez, Tessa Thompson e Tuva Novotny no elenco principal.

Baseado na primeira parte da trilogia de livros Southern Reach Trilogy, de Jeff VanderMeer, este filme, mais do que uma adaptação direta, apresenta uma visão única, fechada e íntima, ainda que apresente contornos de escala maior.

Em Aniquilação, acompanhamos uma expedição de um grupo de cientistas a uma estranha zona chamada Área X, que está fechada em volta de uma espécie de bolha de sabão gigante, e que, lá dentro, guarda imensos segredos.

De armas em punho, mochila às costas e muito mistério, seria de esperar encontrar aqui um filme de ação e aventura com contornos de terror capaz de entreter qualquer tipo de público. Mas isso é coisa que não acontece. Em Aniquilação, estamos perante um filme com um ritmo pausado e que leva o seu tempo a desenvolver, estando focado na caracterização de personagens e muito pouca exposição a nível de diálogos. São elementos que podem explicar a falta de confiança da Paramount em distribuir este filme numa plataforma como a Netflix, em vez de apostar nos cinemas, ao ser visto pelo público teste e pelo estúdio como um projeto complicado e inteletual.

A verdade é que Aniquilação é uma pérola rara no género da ficção científica, ainda que existam comparações diretas a outros trabalhos. Consegue, porém, ser algo de único e diferente.

As comparações, essas, também não são baratas. Desde uma sinopse que facilmente lembra Stalker, de Andrei Tarkovski, uma visão que pisca o olho a 2001: Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, e uma tensão criada por elementos audiovisuais que nos fazem arrepiar e lembrar Under The Skin, de Jonathan Glazer. Uma mistura perfeita que resulta em algo novo e refrescante.

Contudo, a maior comparação que se pode fazer a filmes como este, é precisamente a sua capacidade de fazer-nos pensar ao longo de quase duas horas, fazendo com que a película passe num instante, mas conseguindo, também, promover a discussão pós-visualização. É aparentemente direto na sua apresentação, mas com muitas camadas na sua execução. É fácil questionar o final do filme e ficar com vontade de ir rever determinadas partes e elementos para chegar a uma conclusão.

Algo tão simples como encontrar a mensagem deste filme pode ter interpretações diferentes, mas todas elas corretas por aquilo que apresentam. Pode ser visto como um filme sobre a reação humana a catástrofes naturais ou face ao desconhecido, ou, provavelmente o mais óbvio, um filme sobre a natureza do conceito de sobrevivência. Há argumentos para um pouco de tudo.

Isto acontece pelo fantástico modo como Garland utiliza elementos visuais para contar sub-narrativas ou explicar as grandes revelações. Tal como um bom truque de ilusionismo, algumas das respostas encontram-se à frente do nosso nariz, mas, até que as situações sejam resolvidos, a dúvida e incerteza vão-nos colocando ao lado destas personagens.

A acompanhar os fantásticos visuais, temos uma brilhante banda sonora, com temas desconcertantes e que ajudam a manter um tom sombrio e negro capaz de paralisar-nos em frente ao ecrã nos momentos mais tensos. A soundtrack ficou a cargo de Geoff Barrow e Ben Salisbury, que também compuseram a banda sonora de Ex-Machina, e são dois nomes a ter debaixo de olho sempre que estiverem associados a projetos de ficção científica como este. É absolutamente incrível.

Aniquilação é, também, um filme belíssimo, com uma excelente direção artística que nos apresenta um mundo tão estranho e que faz-nos questionar o nível de realismo das situações que estas personagens estão a enfrentar, mesmo que o filme estabeleça que é real.

Forte também é o elenco, quase todo ele feminino, com prestações bastante credíveis face aos acontecimentos e às consequências do fardo que acarretam. No entanto, é na escrita das personagens e nas suas histórias individuais que o filme perde um pouco de gás e apresenta alguns solavancos, nomeadamente em duas ou três sub-narrativas que nos apresentam questões que não nos levam a lado nenhum, ou que, abruptamente, apenas nos querem justificar algo de forma desnecessária.

Aniquilação pode não ser para todos. E é uma pena não podermos assisti-lo num grande ecrã, onde, efetivamente, deveria de ser feito porque é uma delícia para os fãs do género. É uma autêntica ginástica mental que nos vai colar ao ecrã e fazer com que o momento mais catártico de toda a experiência seja a discussão do filme.

Sem dúvida alguma um dos melhores filmes de ficção científica dos últimos anos. A não perder.

Aniquilação chega até nós via Netflix onde fica disponível já no dia 12 de março.

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